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Friday, September 13, 2013

LIVRO IV - Capítulo I - Christian e Anastasia Fan Fiction

E sempre se soube que o amor não conhece sua própria profundidade até a hora da separação.
Khalil Gibran

LIVRO IV
CAPÍTULO I
Hora da separação



  
Quando eu me sirvo de uma dose dupla de Bourbon, o meu Blackberry vibra novamente. Meu coração pára e dá uma guinada com ansiedade. É Ana?

* Foi bom ver você. Eu entendo agora. Não se aflija. Você vai ser um pai maravilhoso. *

Era Elena. Eu não respondo de volta. Eu quis dizer o que eu disse a ela. Eu disse o meu adeus. Eu não sei se ela realmente entende, mas estava acabado entre nós há um longo tempo. Eu precisava dizer a minha opinião. Eu engulo a bebida do meu copo e sirvo-me de uma dose tripla neste momento. Eu não posso chamar Anastasia. Eu ainda estou furioso, mas eu também estou me sentindo vazio e sentindo falta dela terrivelmente. O que eu quero? O que qualquer homem que voluntariamente se embriaga quer? Esquecer : a minha missão atual é alcançar este prêmio no final da minha garrafa de uísque.  

Quando eu finalmente alcanço o meu prêmio no fundo da garrafa, sinto-me tonto, um pouco incoerente, e as coisas parecem estar chegando em grupos de dois para mim. Os dois garçons estão de pé na minha frente com a conta. Eu tiro minha carteira. Meus dedos tentam recuperar o dinheiro ou o cartão de crédito, o que eu possa pegar. Dinheiro decide sair mais fácil. Parece que eu tenho quatro notas de 100 dólares.

"Quanto lhe devo?" Pergunto com  minha fala arrastada. Eu olho para a conta, mas os números parecem ir embora e mudam de tamanho para minha visão embaçada. Eu não consigo ver uma maldita coisa.

Ambos os garçons que parecem notavelmente como gêmeos um do outro, estendem suas mãos para a conta. Um deles finalmente consegue agarrá-la para conferir o valor para mim.

"São 183 dólares, senhor."

Eu pego o dinheiro e jogo-o sobre a mesa. "Dois para a conta, e um para cada um de vocês. Gorrjeetaa," eu gaguejo. Minha mente não consegue fazer contas agora.

"Cada um de nós, senhor?"

"Sim, para você, e você..." eu digo apontando para cada garçom. Ambos sorriem com sorrisos idênticos.

"Obrigado, senhor. Agradecemos sua generosidade. "

Eu me levanto em meus pés, mas eu sinto o chão me chamando. Eu seguro na mesa para me equilibrar, em seguida, me encaminho até a porta. O ar fresco me bate no rosto assim que eu piso do lado de fora e por um momento me sinto um pouco mais estável. Agora, qual é a direção da minha casa?

Eu olho em volta.

"Ei, cara! Você tem um cigarro?" Pergunta um outro colega bêbado. Eu apalpo meu peito com minhas mãos.

"Não, acabaram.”

"Obrigado da mesma forma,” diz ele com seu hálito cheirando a cerveja barata. Ele saúda-me com o indicador e o dedo do meio e vai embora com passos vacilantes. Acho que posso ir para casa se eu puder apenas chegar a cada poste de luz sem cair. Sim, isso parece ser um bom objetivo para mim. Agora, eu tento ir para o próximo poste de luz  que parece estar a mais de 30 metros de distância. Eu poderei ter de usar os bancos do parque e as paredes dos edifícios para chegar lá. Mudança de objetivos: chegar até a próxima parede do edifício e depois ao poste de luz.

Anastasia está grávida. Eu a engravidei. Merda! Isso significa que eu não vou conseguir fazer sexo com ela. Maldição! Eu ainda não recebi o prêmio. Não esqueci!

Ei, a meta número 1 está completa. Eu fui até o próximo poste de luz sem cair. Agora eu tenho que virar a esquina. Dois postes de luz de distância. Eu vivo no Escala. A quantos postes de luz de distância é o prédio?

"Taylor,” eu grito. Mas ele não responde. Oh sim. Ele não está aqui. Ele está em casa, seguro, com Gail.  Ele não a engravidou. Ele pode ter sexo com segurança. Christian não. Christian vai ser pai. Um pai terrível. Oh, Deus! Eu estou enjoado! Eu vomito; minhas costas para o poste de luz. Meu estômago aperta e solta. Huh, Anastasia vomitou assim naquele bar. Foi a primeira noite em que eu dormi com ela. Anastasia... Eu tenho que ir para casa com ela. Eu estou em pé em linha reta. Sem vomitar. Eu ando a distância de outros três postes de luz, muito... muito lentamente. O solo não é estável. Ele se move e dança sob os meus pés. É um ato de equilíbrio chegar em casa.

Eu finalmente vejo o prédio em frente. Talvez mais quatro postes de luz. Um poste de luz... Dois postes de luz... Três postes de luz, e quatro... São e salvo!

Eu empurro a porta. Ela não abre. Eu empurro mais. Ela não abre. O porteiro corre. Quando ele me vê, ele leva um segundo olhando e empurra a porta aberta, e eu a puxei. Eu sabia disso!

"Sr. Grey! Boa noite... Eu quero dizer bom dia, senhor."

"Bom dia? Que horas são?" Eu gaguejo. Ele verifica o relógio.

"É 1:30h senhor." Eu entro e o porteiro vem atrás de mim, e chama o elevador.
"Qual é o seu nome?"

"Sebastian, senhor."

"Sim, eu sabia disso." Quando as portas do elevador ding abertas, eu entro, tentando não tropeçar. Sebastian segura a porta para mim. Eu o saudo como meu companheiro bêbado me saudou.

"Bom dia para você também... Seb... Seb..."

"Sebastian, senhor."

"Sebastian." A porta se fecha para o rosto estupefato de Sebastian. Levam-me duas tentativas para entrar meu código no painel. O elevador leva-me com a velocidade da luz, ou pelo menos é assim que parece para mim. Estou abalado como um ovo podre. Quando chego a minha cobertura, ele pára e as portas abrem. Eu me atrapalho com minhas chaves. Eu caminho pelo saguão, e me bato contra a mesa que caminhou direto sobre mim!

"Merda!" Tento afastar-me, mas a mesa me segue raspando no chão.

"Merda,” eu digo novamente empurrando-a para longe. Deixe-me em paz! Há portas duplas à minha frente, e eu as empurro para abrir. Alguém, algum anjo corre em direção a mim.

"Christian, você está bem?" Ela pergunta. Oh, essa é a minha esposa grávida! Meu anjo sedutor. 

"Sra. Grey," saúdo-a em uma fala arrastada.  Shees! Ela parece melhor do que um anjo. Parece que ela está em uma camisola estilo 1930 de cetim. Parece uma beleza clássica. Macia para tocar. Quente para abraçar, e morrer de foder!

 

"Ah..." Eu adoraria fazer isso. "você está linda, Anastasia.”

"Onde você esteve?" Ela pergunta.

Eu coloco meus dedos em meus lábios e sorrio.

"Shh!" Eu a advirto. Ela vai acordar alguém. Oh, sim, o bebê. Então, não teremos qualquer paz e sossego.


 "Eu acho que é melhor você ir para a cama,” diz ela.

"Com você..." Eu relincho. Eu iria para o inferno com ela. Tudo o que ela tem a fazer é pedir. Ela franze a testa para mim. Ela é linda, mesmo quando ela franze a testa.

"Deixe-me ajudá-lo a ir para a cama. Apóie-se em mim."

"Você é muito bonita, Ana," eu digo e inclino-me sobre ela. O aroma de seu perfume me atinge como um caminhão de tijolos. Eu inalo o cheiro dela. Ela oscila em seus pés. Ela está bêbada?

"Christian, ande. Eu vou colocar você na cama."

"Ok,” eu digo. Cama. Não é tão longe quanto um poste de luz. Eu posso fazer isso. Concentre-se Christian. Ela tropeça pelo corredor me apoiando.

"Cama," eu digo sorrindo. Cama. O que eu gostaria de fazer com ela na cama. Ou aqui... no corredor. Não, não no corredor. Ela não se sente firme em seus pés.

"Sim, cama,” diz ela enquanto ela me manobra para a beira, mas eu a abraço. Eu amo abraçá-la. Será que ela sabe disso? Ela me faz sentir seguro. Inteiro.

"Junte-se a mim," eu digo. Eu estou acordado. Eu acho...

"Christian, eu acho que você precisa dormir um pouco." Oh, não. Ela está dizendo 'não' para mim! Ela nunca vai ter sexo comigo. É o bebê. Ela não me quer. Ela só quer o bebê.

"E assim começa. Eu ouvi sobre isso." Eu digo, triste.

Ela franze a testa. "Ouviu falar de quê?" Ela pergunta.

"Os bebês significam nada de sexo."

"Tenho certeza que isso não é verdade. Caso contrário, estaríamos todos vindo de  famílias de filhos únicos. "

Eu olho para ela. "Você é engraçada."

"Você está bêbado."

"Sim,” eu digo, sorrindo. Mas espere, eu não esqueci. Eu não pude. Ela ainda está grávida. Eu vou ser um pai terrível. Eu não tenho nada para oferecer.


 "Vamos, Christian,” diz ela suavemente. Sua voz me acalma. "Vamos levá-lo para a cama." Ela me empurra suavemente e eu afundo na cama. Meus braços e pernas abertas. Ela está aos meus pés, parecendo uma deusa do sexo.

"Junte-se a mim," eu digo. Minha voz sai arrastada, as palavras são difíceis de sair da minha boca.

"Vamos tirar-lhe a roupa  primeiro."  Despido... Agora essa é a idéia. Eu sorrio. Christian pode ter sorte, afinal.

"Agora você está falando,” eu digo, brincando.

"Sente-se. Deixe-me tirar-lhe o paletó."

Sento-me, mas o quarto parece um giroscópio. Entrando e saindo de foco. Eu afundo de novo.  "O quarto está girando,” eu reclamo.

"Christian, sente-se!” Ela me ordena. Eu gosto disso. Ela assume o comando. Eu sorrio para ela. "Sra. Grey, você é uma coisinha mandona... "

"Sim. Faça o que lhe é dito e sente-se,” ela ordena colocando a mão na cintura. Depois de duas tentativas eu localizo meus cotovelos e luto para me apoiar neles. Ela agarra minha gravata, e a desfaz. Mas ela não vai retirá-la. Então ela me monta e puxa meu paletó pelos  meus braços. Eu recebo uma lufada de seu aroma delicioso de novo.

"Você tem um cheiro bom."

"Você tem cheiro de bebida forte."

"Sim..." Eu digo com orgulho. "Uís-que.”

Suas mãos largam meu paletó em algum lugar, e ela coloca as mãos sobre a minha gravata. Minhas mãos estão descansando em seus quadris. Ah, a sensação macia, sedosa do tecido. "Eu gosto da sensação deste tecido em você, ´Anastay-shia´... Você deve estar sempre em cetim ou seda." Eu corro minhas mãos sobre o tecido liso para cima e para baixo em seus quadris, então me empurro para frente e pressiono minha boca contra sua barriga, onde o pequenino intruso reside.

"E nós temos um invasor aqui."

"Você vai me manter acordado, não é?" Pergunto a Junior. E levar minha esposa para longe, sem dúvida. Eu olho para minha esposa novamente. Ela tem sido minha todo esse tempo. Eu não quero compartilhá-la, e agora eu não tenho escolha. Ela só vai querer a ele.

"Você vai escolher ele por cima de mim,” eu digo abandonado. Ela vai. E eu nunca vou ser o centro do seu mundo novamente. Minha Anastasia vai ser dele. Ela não vai me querer.

"Christian, você não sabe o que está falando. Não seja ridículo... Eu não estou escolhendo ninguém sobre ninguém. E ele pode ser uma ela."

Merda! Eu nunca considerei isso! Uma menina!

"Uma ela... Oh. Deus! " Eu afundo de volta na cama e cubro meus olhos com os braços. Se ela for como Anastasia, e se ela tiver meninos correndo atrás dela... Oh merda! Eu não posso pensar. Eu não posso. Eu deveria dormir. Estou muito cansado para pensar. Exausto. Dormir... Sim, dormir. O quarto gira mais uma vez, mesmo com meus olhos fechados. Mas, a escuridão pesada do sono puxa lentamente seu cobertor em cima de mim, e eu estou fora.
 ***** ❦  ♡  ❧ *****
Eu tenho uma persistente dor de cabeça latejante, como se alguém sem talento estivesse praticando bateria dentro da minha cabeça. Quanto é que eu bebi? Eu terminei a garrafa de vinho, e o uísque. Há apenas uma luz suave da  janela, mas mesmo isso está me incomodando. Minha mão viaja para o travesseiro ao meu lado, mas ele está tranquilo e frio. Sento-me abruptamente, e sinto como se batesse com a cabeça na parede. Onde está Anastasia? Foda-se! Ela não está aqui! Ela não está aqui. Ela se levantou cedo? Ela está no banheiro? Eu pulo da cama, e olho ao redor. Nada está alterado no quarto. Meu paletó está fora. minha gravata Também. Meus sapatos e as meias foram retirados. Eu não me lembro de tirá-los. Mas eu não me lembro de muita coisa sobre a noite passada. O porra do prêmio da perda de memória agora me acha!

"Ana!" Eu chamo, mas ela não responde. Eu saio correndo para a sala, e não há nenhum sinal dela. A Sra. Jones está na cozinha.

"Gail, você viu Ana, esta manhã?"

"Não, Sr. Grey. Não, desde ontem à noite. "

"O quê?"

"Eu só a vi ontem à noite depois que você saiu, senhor...” ela diz com seu rosto tomando uma expressão de medo.

"O que aconteceu? O que ela disse?"

"Não muito. Ela estava chorando e queria ter vinho branco,” diz ela, e eu estremeço, ”mas decidiu por uma xícara de chá em seu lugar. Ela não comeu, só tomou o chá e foi para a biblioteca. Essa foi a última vez que a vi, Sr. Grey," ela diz com um olhar preocupado no rosto.

Oh merda! Ela pode ter ido ficar com Kate. Eu corro para o meu quarto para pegar meu celular. Eu o ligo, e há uma mensagem de texto de Anastasia. Meu coração pára. Oh, meu Deus! Ela me deixou! Estou desabando na cama com o meu Blackberry na minha mão, e abro a mensagem com as mãos trêmulas.

* VOCÊ GOSTARIA QUE A SRA. LINCOLN SE JUNTASSE A NÓS QUANDO EVENTUALMENTE COMENTÁSSEMOS  ESTE TEXTO QUE ELA ENVIOU PARA VOCÊ? ISTO VAI LHE POUPAR DE CORRER PARA ELA DEPOIS. SUA ESPOSA *
FW: * Foi bom vê-lo. Eu entendo agora. Não se preocupe. Você vai ser um pai maravilhoso. *

Merda! Merda! Merda!

"Anaaaa!" Eu grito, mas nenhuma resposta vem. Eu disco seu número de telefone celular. Ele toca e toca, e vai para o seu  correio de voz.  Respire! Respire! Respire! Eu não deixo uma mensagem. Eu desligo e ligo novamente. Ele toca ameaçadoramente. Eu ando por aí para ver se eu posso ouvir Your love is King , mas nada é ouvido. Ela vai para o correio de voz novamente.

"Ana! Onde você está? Estou preocupado com você. Por favor..." minha voz se torna um sussurro. "Ligue para mim. Eu vou buscá-la." Eu desligo e, com as mãos trêmulas eu disco o telefone de Katherine Kavanagh. Quando ela atende o telefone, ela parece grogue.

"Alô? Quem diabos é a esta hora?” Ela responde ofendida.

"É Christian Grey,” eu digo, com os dentes cerrados. Ela está cansada porque Ana a acordou durante a noite? Ela veio buscá-la no Escala?

"Christian? O que há de errado? Elliot está bem?"  Ela pergunta imediatamente.
"Como diabos eu vou saber sobre Elliot? Eu estou chamando você sobre Ana. Ela está aí com você?"

"Por que ela estaria aqui comigo?” Ela pergunta confusa, e, em seguida, sua voz fica gelada. "Você fez alguma coisa com ela? Ou talvez eu devesse perguntar diferente: O que você fez com ela?” ela está subitamente completamente acordada.

"Eu estou procurando pela minha esposa, e eu não fiz nada. Tivemos uma discussão ontem à noite, e eu não posso encontrá-la esta manhã. Eu quero saber se ela está com você ou não. Ela está aí com você?" Pergunto ameaçadoramente.

"Por que eu iria dizer-lhe se ela estava?"

"Maldição Kate! Estou preocupado com a minha mulher! Se você tiver um pingo de preocupação pela sua amiga, você poderia me dizer se ela está com você ou não, para que eu possa ir procurá-la e encontrá-la!" Eu grito.

"Ela não está aqui! Gzus! Por que ela...” ela começa dizendo, mas eu desligo na cara dela. Ela não está com Kate. Deus! Onde é que ela foi?

"Taylor!" Eu grito enquanto eu traço para fora do meu quarto e disco o telefone celular de Anastasia mais uma vez. Quando ele vai para caixa postal novamente, eu desligo. Taylor, Sawyer e Ryan já estão reunidos na sala de estar e esperando por mim. Estou tremendo completamente como se houvesse um terremoto.

"A Sra. Grey está desaparecida,” eu digo deglutindo. "Algum de vocês a viu esta manhã? Taylor?"

"Não, eu não vi, senhor. Não desde ontem à noite,” ele responde. Eu começo a respirar pelo nariz como um touro  enfurecido.

"Sawyer? Você a viu ontem à noite? Ou ela veio  pedir-lhe para levá-la a algum lugar?"

"Não, senhor. A última vez que a vi foi ontem, depois que ela saiu do trabalho e todos nós viemos para casa,” diz ele estupefato.

Meus olhos se voltam para Ryan. "Eu não a vi. Ontem ou hoje, senhor,” ele responde completamente mortificado. Eu começo a respirar pesadamente. As roupas que estou usando desde ontem estão amassadas. Minha camisa está desabotoada, minha gravata está faltando. Sinto minhas mãos voando automaticamente para o meu rosto, e esfregando com força sobre meu rosto e no meu cabelo. Meus dedos prendem e puxam meu cabelo em seu caminho.  Meu coração está batendo tão rápido que eu posso sentir isso na minha garganta. Eu tremo como se eu tivesse sido deixado congelando,  ao tempo. Eu tento me equilibrar.

 "Sr. Grey," Taylor diz calmamente. "Temos de procurar por ela. Vamos procurá-la na casa primeiro,” ele se vira para Sawyer e Ryan assumindo o comando. Ele começa com uma voz eficiente e autoritária. "Não deixem nenhuma porta fechada. Ryan e Sawyer, vocês pegam este andar. Eu vou com o Sr. Grey. Se vocês puderem encontrá-la, me liguem imediatamente e se não pudermos encontrá-la, vamos nos reunir aqui. Entenderam?" Ele ordena.

"Sim, senhor,” Ryan e Sawyer dizem e desaparecem imediatamente.

"Gail, você permanece na área da cozinha. Se a Sra. Grey voltar, você a mantem aqui, e deixa-nos saber,” ele ordena para ela. Ela acena com a cabeça concordando.

"Sr. Grey, vamos, senhor,” diz ele e começamos a procurá-la por todo o meu quarto. Meu paletó e gravata estão no chão. Nós vamos para o closet, mas eu não vejo nenhuma roupa tendo sido embaladas ou prateleiras ou cabides vazios. Será que ela partiu com a roupa do corpo? Eu me lembro muito vagamente do que falamos. O que eu disse a ela ontem à noite depois que eu cheguei em casa? O que fizemos?

Gail disse que ela foi para a biblioteca. Corro para a biblioteca, e aí está sua xícara de chá vazia, mas nada mais. Não há nenhum sinal de que ela passou a noite na biblioteca. Eu corro para o quarto de jogos. A porta está trancada. "Ana! Anaaaa!" Eu chamo por ela. Eu sacudo a maçaneta da porta, mas não abre. Se estiver trancada, ela não estará aqui. Procuramos todo o andar sem sucesso. Eu disco seu número de telefone pela última vez. "Pelo amor de Deus! Por favor,  atenda o telefone. Vamos conversar,” eu imploro e desligo.

Voltamos lá embaixo e Ryan, Sawyer e Gail já estão reunidos esperando. Taylor junta-se a suas fileiras. Eu ando para frente e para trás diante deles ansiosamente. Eu finalmente os enfrento. "Parece que a Sra. Grey não está em casa. Eu quero que vocês não deixem pedra sobre pedra. Verifiquem as câmeras de segurança, e a fita de vídeo a partir de ontem à noite. Vejam quando ela saiu. Além disso, verifiquem as fitas de vídeo das câmeras de saída para a garagem, de todos os pontos de entrada e saída do prédio. Veja para onde ela foi, com quem ela foi, e a que horas. Precisamos estabelecer um ponto de partida para que possamos ir procurá-la no lugar certo. Sawyer, você está encarregado de analisar o vídeo. Comece com a câmera ao longo dos elevadores, e Sawyer, você e... " Eu digo sem terminar minha frase, porque todos os olhos imediatamente viram para alguém que está atrás de mim. Eu me viro. Meus olhos estão arregalados, preocupados e ansiosos. Lá está Anastasia envolta em um edredom, uma mão segurando sua bolsa. Ela parece linda, inocente e condenadamente zangada ainda. Eu olho de volta em seus grandes olhos azuis. O medo finalmente deixa lugar à ira. Onde ela esteve? Com quem ela foi? Será que ela vem de fora? Por que nós não a vimos? Ela esteve em casa o tempo todo? Ela não diz nada para mim, embora seu olhar escaneie a minha aparência desgrenhada nas minhas roupas do dia anterior.

"Sawyer, eu estarei pronta para sair em cerca de 20 minutos,” ela murmura e envolve seu edredom ao redor dela mais apertado, como se ela o estivesse usando como um escudo contra mim. Sawyer acena para ela, e imediatamente eu sinto a intensidade dos olhares dos meus seguranças em mim. Meus olhos estão sobre Anastasia, sem piscar. Eu temo que se eu piscar, ela vai desaparecer.

"Você gostaria de algum café da manhã, Sra. Grey?" Pergunta Gail. Anastasia balança a cabeça em resposta.

"Eu não estou com fome, obrigada,” ela responde.

"Onde você estava?"   pergunto-lhe, finalmente, encontrando a minha voz. É baixa e rouca, e exigente. Ouço ao invés de ver Taylor, Sawyer, Ryan e Gail dispersando-se em volta para seus cantos e escritórios particulares para nos deixar sozinhos; não querendo enfrentar a música que está prestes a ser composta entre Anastasia e eu. Anastasia me ignora completamente e ela caminha em direção ao nosso quarto.

"Ana! Responda-me,” eu digo chamando por ela. Eu ando atrás dela em passos rápidos para o quarto, mas ela se  encaminha para o banheiro e tranca a porta atrás dela.

"Ana!" Eu grito batendo na porta com os punhos. "Ana, abra a maldita porta!"

"Vá embora,” ela grita.

"Eu não vou a lugar nenhum."

"Fique à vontade,” ela responde.

"Ana, por favor,” eu imploro. "Por favor, abra a porta,” eu digo, mas eu ouço a água correr. Ela não responde. "Ana, deixe-me explicar. Fale comigo." Mas minha voz é bloqueada pelo som da água. Eu me recosto contra a parede oposta à porta, com as mãos atrás das costas, e espero que ela termine seu chuveiro. Ela fica no chuveiro por cerca de 20 minutos. Quando ela finalmente abre a porta de frente para mim, eu sou extremamente cauteloso; tímido. Eu me sinto como um leão encurralado. Ela passa por mim como se eu não existisse, e faz o seu caminho para o closet.

"Você está me ignorando?"  Pergunto com incredulidade completa. Ela fica grávida, porque ela não tomou sua injeção, mesmo que nós concordamos em não ter filhos tão cedo, e ela está com raiva de mim e me ignorando!

"Observador, não?” Ela murmura sarcasticamente sem sequer olhar para mim. Ela procura algo para vestir no armário. Ela pega seu vestido ameixa, meu vestido favorito, suas botas altas pretas stiletto, e se encaminha para o quarto. Quando ela se vê cara a cara comigo, ela faz uma pausa para eu sair de seu caminho, determinada. Eu finalmente abro caminho para ela, perdendo a luta contra o cavalheiro em mim. Anastasia se encaminha para a cômoda. Pelo espelho pousado sobre a cômoda, ela espreita para mim enquanto eu estou em pé na porta. Eu continuo olhando para ela, imóvel. Incapaz de andar para frente ou para trás. Não há nada que eu queira mais do que abraçar minha esposa, e ela está tão distante; tratando-me como um estranho. Quando os olhos de Anastasia estão fixados em mim, ela deixa cair a toalha cobrindo seu corpo nu. Sua beleza nua me faz suspirar, mas eu tento contê-lo. Ela é linda. Mas ela ignora o que a visão dela faz para mim.


 "Por que você está fazendo isso?" Eu pergunto, em voz baixa.

"Por que você acha?”  Ela responde com uma voz enganosamente suave, e abrindo uma gaveta, ela escolhe e pega uma calcinha de renda preta La Perla.

"Ana - " Eu tento me mover em direção a ela, mas paro quando ela se balança em sua calcinha.

"Vá perguntar a sua Sra. Robinson. Tenho certeza que ela vai ter uma explicação para você,” ela murmura enquanto ela procura por algo. Puta que pariu! Eu não quero ter nada a ver com Elena! Eu quebrei todos os laços com ela ontem à noite.


"Ana, eu já lhe disse antes, ela não é minha..." eu digo, mas ela me corta.
"Eu não quero ouvir isso, Christian,” diz ela acenando com a mão para mim com desdém. "O tempo para falar foi ontem, mas em vez disso, você decidiu reclamar e ficar bêbado com a mulher que abusou de você durante anos. Dê-lhe uma chamada. Tenho certeza que ela vai estar mais do que disposta a ouvi-lo agora,” ela grita comigo. Em seguida, puxa o sutiã combinando da gaveta e coloca-o e prende-o. Eu ando pelo quarto com minhas mãos em meus quadris, acusador. Por que ela estava procurando algo para me culpar? Ela perdeu a confiança em mim? Foi por isso que ela esteve bisbilhotando? Vamos ver o que Christian estava fazendo quando ele estava ficando bêbado, dez fodidas velas ao vento.


 Ela cora em resposta. "Esse não é o ponto, Christian,” ela me repreende. "O fato é que as coisas ficam difíceis e você corre para ela."  Isso não foi o que aconteceu. Eu não a procurei.

Minha boca cai em uma linha sombria. "Não foi assim,” eu começo a explicar.

"Eu não estou interessada,” ela me rejeita enquanto ela pega um par de ligas pretas com  tops rendadas. Ela caminha até a cama, sentando-se sobre ela, e apontando o dedo do pé para fora; ela puxa as meias e suavemente puxa o material delicado sobre suas longas pernas.


 A questão torturante que está me matando agora é, onde ela foi a noite passada?

"Onde você estava?" Eu pergunto, meu olhar nunca deixando suas mãos viajando em cima de suas pernas. Mas ela finge que eu não existo e continua. Ela coloca a outra meia. Ela ergue-se, e curvando-se, ela começa secando o cabelo com a toalha. Meu olhar nunca sai de seu corpo. Quando ela termina de  secar seu cabelo com a toalha, ela anda de volta para a cômoda e pega seu secador de cabelo.

"Responda-me,” eu digo em voz baixa e rouca depois que ela me ignora um bom tempo. Ela liga o secador de cabelo, e continua me ignorando enquanto ela seca o cabelo, arrumando os fios com os dedos. Eu olho para ela com os olhos apertados. Ela é incrível! Ela é a que não tomou sua injeção. Ela é a que engravidou apesar de termos tido muitas conversas sobre controle de natalidade. Ela sabe como eu fico apavorado sobre isso! Ela sabe que eu estou apavorado agora. No entanto, ela escolhe me ignorar. Quando ela desliga o secador, eu pergunto novamente.

"Onde você estava?" Meu tom é gelado, sussurrando baixo.

"Por que você se importa?” Ela grita.

"Ana, pare com isso. Agora," eu ordeno. Ela dá de ombros, e eu me movo rapidamente para o outro lado do cômodo em direção a ela. Quando eu a alcanço, ela gira e dá um passo para trás.

"Não me toque,” ela sussurra, me fazendo congelar em meu lugar. Porque eu não poderia tocá-la? Ela é minha esposa. Minha mulher...

"Onde você estava?" pergunto exigente. Isso está me comendo vivo. Minhas mãos se fecham em punhos dos meus lados. Ela estava com outra pessoa? Jose? Ethan? Quem? Alguém estava consolando-a, enquanto eu tinha que me revolver na minha própria fodida miséria?

"Eu não estava fora me embebedando com meu ex,” ela ferve. "Você dormiu com ela?” Ela pergunta em tom acusatório, me fazendo ofegar. Como ela poderia pensar isso? Eu nunca iria traí-la.

"O quê? Não!" Eu fico boquiaberto para ela. Isto me fere e me causa dor pensar que ela poderia até mesmo considerar a possibilidade de eu a trair. Isso me deixa com raiva.

"Você acha que eu iria trair você?" Pergunto indignado.

"Você traiu,” ela ruge, ”por levar nossa vida muito particular e derramar suas entranhas covardes para aquela mulher."
Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. Ela pensa que eu fui indigno? Eu sou um monte de coisas, mas eu nunca consideraria trair minha esposa. A minha própria esposa pensa em mim tão desprezivelmente?

"Covardes?" Eu respiro. "É isso que você acha?" Eu tenho que saber. Meus olhos estão vulcânicos, aquecidos.

"Christian, eu vi o texto. Isso é o que eu sei. "

"Esse texto não era para você,” eu grunho em resposta.

"Bem, o fato é que eu vi quando seu Blackberry caiu de seu casaco enquanto eu estava despindo você porque você estava bêbado demais para despir-se. Você tem alguma idéia de quanto você me feriu indo ver aquela mulher?” Ela pergunta.

Eu empalideço com seu epitáfio. Eu cometi um erro, porque eu sou um fodido idiota. Eu estava furioso, e eu ainda estou furioso, porque ela não está me dando a chance de explicar. O fato é que, quando ela fica brava, ela fala sem parar, e pega seu bastão, e corre com ele.

"Você se lembra de ontem à noite, quando você voltou para casa? Lembra-se do que você disse?"

O que diabos eu posso ter dito? Estou congelado momentaneamente. Eu fico olhando para ela sem entender porque eu não me lembro de merda nenhuma. Devo ter regiamente fodido, porque ela está totalmente puta.

"Bem, você estava certo. Eu escolho esse bebê indefeso acima de você. Isso é o que  pais amorosos fazem. Isso é o que sua mãe deveria ter feito por você. E eu sinto muito que ela não fez... Porque nós não estaríamos tendo essa conversa agora se ela tivesse. Mas você é um adulto agora... você precisa crescer e tornar-se consciente e parar de se comportar como um adolescente petulante.

"Você pode não estar feliz com esse bebê. Eu não estou em êxtase, dado o momento e sua menos que morna recepção a esta nova vida, esta carne de sua carne. Mas você pode fazer isso comigo, ou eu vou fazê-lo por conta própria. A decisão é sua. Enquanto você se afunda em seu poço de auto-piedade e auto-aversão, eu estou indo para o trabalho. E quando eu voltar, eu vou estar movendo meus pertences para o quarto no andar de cima."

Eu pisco em choque completo. Ela está me deixando? Ela está me deixando! Oh Deus! Ela está terminando!

"Agora, se você me dá licença, eu gostaria de acabar de me vestir,” diz ela respirando com dificuldade.

Eu sinto que ela me deu uma bofetada. Eu dou um passo para trás, olhando para ela, meu comportamento endurecendo. "É isso que você quer?" Eu sussurro. Ela quer ficar longe de mim, longe do nosso relacionamento.

"Eu não sei mais o que eu quero,” diz ela com fervor, sua expressão espelhando a minha. Ela se vira de costas para mim, mergulha os dedos em seu hidratante e esfrega-o suavemente sobre seu rosto. Ela olha de perto para o espelho, verificando o rosto ruborizado com os olhos arregalados.

Eu não agüento a idéia de que ela não me quer na sua vida. "Você não me quer?" Eu sussurro.

"Eu ainda estou aqui, não estou?” Ela devolve para mim. Ela pega  seu tubo de rímel e pegando a escovinha, ela aplica-o sobre os cílios.

Ela deve ter pensado nisso desde ontem, se ela chegou a essa conclusão agora.

"Você pensou em me deixar?" Pergunto com meu coração apertando com força em um nó. Eu não posso viver sem ela! Eu sou desesperado por ela. Ela não pode ver isso?

"Quando um marido prefere a companhia de sua ex-amante, geralmente não é um bom sinal,” diz ela com desdém em seu tom. Em seguida, ela aplica seu brilho labial. Meus olhos estão sobre ela, e eu não a toquei desde ontem de manhã. Tem cerca de 24 horas. A curta distância literal, mas as milhas de distância virtual, estão me matando. Ela pega suas botas, e passeia para a cama, e sentada na beira da cama, ela coloca suas botas, puxando-as até os joelhos. Ela está apenas de calcinha e botas. E eu estou fodidamente frustrado, quente por ela, desejoso, e ela não quer ter a mim. Ela não quer ter nada comigo. Ou ela quer? Isso é uma tática para ela ganhar sua discussão? Ela é uma boa negociadora. Uma negociadora dura. Anastasia pode colocar qualquer homem de joelhos. Ela está prestes a fazer isso comigo. Mas, eu tenho o meu próprio conjunto de táticas que podem ser empregadas.

"Eu sei o que você está fazendo aqui,” murmuro com uma voz quente e sedutora. Ela tem resistência zero a minha sedução. Eu a conheço melhor do que ela se conhece.

"Sabe?” ela guincha com sua voz embargada. É a primeira brecha na sua armadura. Eu engulo, tendo uma chance, eu dou um passo em frente. Ela dá um passo para trás levantando a mão dela até a metade do meu avanço.

"Nem pense nisso, Grey," ela sussurra ameaçadoramente.

"Você é minha esposa," Eu me oponho baixinho, contenciosamente. Eu quero o que é meu. Ela é minha, minha esposa, minha mulher.

"Eu sou a mulher grávida que você abandonou ontem, e se você me tocar eu vou por abaixo o lugar."

Minhas sobrancelhas sobem em incredulidade. "Você vai gritar?" Eu pergunto, com a voz rouca.

"Como louca,” ela contrapõe, estreitando os olhos, não recuando.

"Ninguém vai ouvir você,” eu sussurro, meu olhar intenso, passional. Por favor, deixe-me tocar você. A única maneira que eu sei como resolver os problemas é na cama, Ana.

"Você está tentando me assustar?"  Ela murmura ofegante, assustada. O quê? Não! Estou apenas tentando me comunicar com ela da única maneira que eu sei. E ela não me deixa.

"Essa não foi minha intenção,” eu digo franzindo a testa. Seu peito está subindo e descendo com respirações curtas.

"Eu tomei uma bebida com alguém com quem eu costumava ser próximo. Limpamos o ar. Eu não vou vê-la novamente."

"Você a procurou?” ela pergunta, ferida.

"Não de início. Eu tentei ver Flynn. Mas eu me encontrei no salão."

 "E você espera que eu acredite que você não vai vê-la novamente?” ela sussurra com pura fúria.  "E a próxima vez que eu passar alguma linha imaginária? Este é a mesma discussão que temos uma e outra vez. Como se estivéssemos em uma roda de algum Ixion. (N.T. Um rei da Tessália, que cometeu parricídio (matar o pai) e tentou estuprar Hera e foi punido por Zeus ficando vinculado a uma roda giratória perpetuamente em Hades.) Se eu me foder de novo, você vai correr de volta para ela?"

"Eu não vou vê-la novamente,” eu digo com firmeza petrificante. "Ela finalmente entendeu como eu me sinto."

Ela apenas pisca para mim. "O que significa isso?"

Eu me endireito e passo a mão pelo meu cabelo totalmente exasperado, a raiva crescendo em mim, e eu estou completamente em silêncio. Porque ela me diz para falar sobre o que aconteceu, mas ela não está disposta a ouvir. Ela está com raiva, e ela está correndo com as suas conclusões, e não me ouvindo. Nós não vamos resolver nada, porque as nossas ansiedades estão no vermelho.

"Por que você pode falar com ela e não comigo?"

"Eu estava com raiva de você. Como eu estou agora," eu rosno.

"Não me diga,” ela me devolve. "Bem, eu estou com raiva de você agora. Com raiva de você por ser tão frio e insensível ontem, quando eu precisei de você. Com raiva de você por dizer que engravidei de propósito, quando eu não sabia. Com raiva de  você por me trair,” ela diz com sua voz embargando no final.

Sua declaração me choca como se ela me chutasse na virilha e me desse uma bofetada, ao mesmo tempo, fazendo-me estremecer. Eu nunca a traí. Eu sei que me comportei como um idiota, mas ela não me escuta, e ela não está me ouvindo agora. Eu fico sem rumo quando estou perto dela. Ela tira todo o meu controle. O que diabos eu devo fazer? Como posso me expressar? Ela engole, preparando-se para dizer alguma coisa.

"Eu deveria ter mantido um melhor controle das minhas injeções. Mas eu não fiz isso de propósito. Esta gravidez é um choque para mim também ,” ela murmura. "Pode ser que a injeção falhou."

Eu olhei para ela sem dizer nada. Claro que não, porra. Ela tem uma data de validade. A data e a hora em que ela sai fora de seu sistema! É por isso que ela tem que tomar a injeção na data prescrita.

"Você realmente fodeu tudo ontem,” ela sussurra, com fúria. "Eu tive um monte de coisas para lidar ao longo das últimas semanas."

"Você realmente fodeu tudo três ou quatro semanas atrás. Ou quando você esqueceu sua injeção," Eu sibilo de volta.

"Bem, Deus me livre de ser perfeita como você!” Ela grita me encarando furiosa. Eu olho furioso para ela. Estamos em silêncio assim por alguns minutos.

"Este é um bom desempenho, Sra. Grey," eu sussurro. Ela o entrega bem, levantando-se contra mim, lutando de igual para igual.

"Bem, eu estou contente que mesmo grávida, eu o estou divertindo."

Eu fico olhando para ela sem entender. Ela insiste em me levar para o caminho errado. "Preciso de um banho,” murmuro.

"E eu, já ofereci show  suficiente."

"É um show bem poderoso,” eu sussurro, enquanto eu dou um passo em frente. Quero abraçá-la, tocá-la. Se eu tocá-la, eu sei que nós podemos resolver isso, derreter a geleira que cresce entre nós. Eu preciso dela desesperadamente agora. Ela imediatamente dá um passo para trás.

"Não,” ela sussurra ameaçadoramente.

"Eu odeio que você não vai me deixe tocá-la,” eu sussurro. Eu preciso dela desesperadamente. Ela não pode ver isso?

"Irônico, não é?” Ela murmura.

Eu estreito meus olhos novamente. Eu deixei ela me tocar. Eu trabalhei em conseguir superar o meu medo por ela, e no entanto ela está me negando o que é meu. "Nós não resolvemos muito, não é?"

"Eu diria que não. Só que eu estou saindo deste quarto."

O quê? Não faça isso com a gente, Ana! Por que você está nos separando? Meus olhos brilham  e aumentam com medo por alguns instantes. "Ela não significa nada para mim."

"Exceto quando você precisa dela."

"Eu não preciso dela. Eu preciso de você,” eu imploro a ela. Ela deve ver isso. Ela é tudo que eu preciso. Eu quero ser tudo que ela precisa, também.

"Você não fez isso ontem. Essa mulher é um limite rígido para mim, Christian. "

"Ela está fora da minha vida."

All the man I need – Whitney Houston

"Eu gostaria de poder acreditar em você,” diz ela com desconfiança total, e essa é a faca que fura o meu coração.

"Pelo amor de Deus, Ana.”
"Por favor, me deixe me vestir,” diz ela me dispensando. Meu coração é arrancado. É este o nosso fim? Eu estou insensível, desolado, desprovido de sentimento como se um tornado viesse e varresse tudo e virasse minha vida de cabeça para baixo.

"Vou vê-la esta noite,” eu digo, com uma voz plana, espancado, esmagado. Vou para o banheiro e, lentamente, fecho a porta. Mecanicamente eu tiro minhas roupas, e abro a água entrando primeiro no frio, em seguida, na água escaldante.

O que você está fazendo com a gente, Ana? Por que você está nos rasgando em pedaços? Perguntas deixadas sem ser respondidas, palavras não ditas me deixam sufocando, preocupado, e totalmente acabado. Eu lentamente escorrego para o piso do chuveiro e deixo a água lavar-me  da minha tristeza.

Quando eu saio, Anastasia se foi, o quarto tem seu aroma persistente, mas apenas o suficiente para me dizer que ela se foi e para longe de mim. Eu vou para a cozinha. Sra. Jones está ocupada lá.

"Posso preparar o seu café da manhã, Sr. Grey?” Ela pergunta.

"Anastasia?"

"Ela saiu com Sawyer para o trabalho um pouco mais cedo,” ela responde com uma voz suave.

"Ela tomou o café da manhã?" Eu pergunto.

"Não, Sr. Grey,” diz ela sacudindo a cabeça.

"Posso preparar-lhe seu café da manhã habitual, senhor?” ela pergunta esperançosa.

"Não hoje, Gail. Eu vou comer mais tarde no trabalho. Obrigado,” eu digo baixinho. Taylor está esperando na entrada por mim.

"A Sra. Grey estava na sala de jogos, senhor,” diz ele sem preâmbulos. Eu inclino minha cabeça para o lado intrigado.

"Como você sabe?"

"Nós  procuramos cada cômodo, cada prateleira no cômodo. O único cômodo que estava trancado era a sala de jogos. Eu fui dar uma olhada, e estava aberto. A chave ainda estava por dentro na porta,” ele responde.

Eu rapidamente subo as escadas para ir para a sala de jogos. Tal como indicado por Taylor, a porta continua destrancada. Eu entro na sala e sou cumprimentado pelo cheiro de couro macio, limão e óleo. Quando eu ligo o interruptor de luz, as luzes suaves acendem, e iluminam o quarto vermelho. Nada está alterado no quarto. A única evidência de que Anastasia esteve na sala é a pequena depressão que ela deixou no sofá Chesterfield. Eu suavemente o acaricio. Eu olho em volta para mais uma indicação de que ela estava aqui, mas não há nenhuma. Eu ando em direção à porta, desligo a luz, e desço as escadas. Em seguida, pegando o meu paletó, eu aceno com a cabeça para Taylor para me seguir, e nós partimos. A viagem até a garagem é silenciosa. Caminhamos para o SUV no mesmo silêncio.

Quando o portão da garagem está levantando, meu Blackberry vibra. Eu me sinto esperançoso imediatamente pensando que Anastasia está ligando. Mas meu rosto cai quando vejo o chamador.

"Hi Elliot,” eu respondo.

"Você foi capaz de encontrar sua esposa esta manhã?” Ele pergunta.

"Eu vejo que Kate chamou você. Sim, ela está no trabalho agora."

"Espero que ela não esteja lhe deixando cinco minutos depois de vocês se casarem. Não que eu a recrimine,” diz ele, brincando.

"Cai fora, Elliot! Eu não estou no clima."

"Ei, mano. Sinto muito, não seja tenso. Se você quiser conversar... "

"Não há nada para falar. Tenho certeza que você já teve brigas com sua noiva. Apenas uma discussão simples, onde ela ficou com raiva de mim, isso é tudo. "

"Muito bem, Ana!,” Ele grita sua alegria.

"Olha, eu estou quase no trabalho, e eu tenho muita coisa para fazer hoje. Falo com você depois, Elliot," Eu digo e desligo. Eu          olho pela janela quando paramos em um sinal vermelho. As pessoas estão correndo para lá e para cá, cuidando de suas vidas e negócios, sem saber que apenas a alguns metros de distância deles o coração de alguém está rasgando, quebrando em pedaços, e eles estão completamente alheios à minha agonia.

Quando Taylor entra no estacionamento da Grey House,  ele se dirige ao meu espaço reservado de estacionamento. Depois que ele desliga o veículo, ele salta e abre minha porta. Eu saio do SUV e caminho em direção aos elevadores. O caminho é em silêncio novamente. Quando Andrea vê meu rosto estóico, "bom dia Sr. Grey,” diz ela, sem sua alegria habitual.

"Café, senhor?” Ela pergunta.

"Sim,” eu digo, enquanto eu entro em meu escritório.

Eu vou para o meu lugar e ligo meu computador. Antes de mergulhar no trabalho, eu preciso fazer uma coisa. Tomando meu Blackberry, eu marco os números e disco.

"Sim, Sr. Grey,” ele responde.

"Sawyer, como está a Sra. Grey?"

"Ela estava abalada e chorando um pouco,” ele responde, e eu fecho meus olhos de dor.

"Você lhe conseguiu algo para comer?"

"Eu perguntei, mas ela disse que não estava com fome,” ele responde. Minha esposa teimosa. A última vez que ela entrou em sua greve de fome auto-imposta foi quando ela terminou comigo. Ela pune a nós dois.

"Apenas para o caso, veja como ela está ao longo do dia. Tenho certeza de que Taylor informou você; a Sra. Grey está grávida. Ela vai precisar  comer e precisa ser cuidadosa."

"Eu vou com certeza manter um olhar atento sobre ela, senhor,” diz ele.

"Chame-me se ela não estiver bem, ou precisar de alguma coisa."

"Sim, senhor,” ele responde.

Eu respiro fundo e olho para Taylor, e Andrea entra com meu café. Ela coloca o café diante de mim, e pega o seu iPad.

"Você tem algumas reuniões hoje, Sr. Grey. O primeiro encontro é com o Financeiro. Existem quatro coisas na agenda com a reunião. Os fundos de compra, alocação da folha de pagamento base, despesas operacionais, bem como a venda de Triway Eletronics, que vai ser finalizada hoje. Esse encontro é às 2:00 horas, senhor,” ela diz e mergulha em toda a minha agenda de trabalho. Pela primeira vez, estou grato por um dia muito ocupado. Deve deixar-me pouco de tempo para afundar-me na minha própria miséria.

  

A FIANÇA
Seu telefone soa suavemente tocando o "Godfather Theme song.”

Godfather Theme song

"Eu pensei que eu tinha lhe dito para nunca me chamar neste telefone, ele atende ao telefone bruscamente após a verificação do chamador.

"Podemos ter a fiança aceita o mais cedo, amanhã,” ele responde, como se ele não ouvisse. "Não havia outra maneira de consegui-lo mais cedo."

Seus olhos brilham com entusiasmo. Ele se inclina como se estivesse indo compartilhar um segredo com o homem ao telefone.


 "Tudo bem... Vamos nos reunir em uma hora, no mesmo lugar. Eu terei minhas instruções.”
"E o pagamento é exigido, mais dez por cento pelos problemas."

"Eu tenho isso pronto. E os meus termos são os mesmos de sempre. Espero que os mantenha na vanguarda de sua mente. Se não, todos os envolvidos serão tratados com severidade."

"Sim,” ele responde com firmeza.

"Vejo você, então."

Bem, bem, bem... ele pensa consigo mesmo. É hora de foder o seu inimigo mais antigo. Não o mais velho pela idade, mas mais antigo pelo  tanto de tempo em que ele foi formando sua vingança contra ele. A excitação é quase insuportável. Ele esteve alimentando um fundo para o dia de hoje, durante anos, em seu próprio cofre pessoal. Tem sido o seu ‘ dinheiro do fundo de vingança’ . Ele colocou de lado um monte. Eles não dizem ‘a vingança é um prato que se serve melhor frio,” sem um motivo. Ela tem sido corretamente mantida no gelo durante seis longos anos. Ele abre seu cofre, e coloca os pacotes de 10,000 dólares do banco, cada um contendo cem unidades de $100. Ele conta vinte e cinco pacotes para a fiança. Então, conta duas pilhas e meia e coloca-as em um envelope. Em um quadrante separado da maleta, ele coloca cinqüenta outras pilhas metodicamente. Com mais de três quartos de milhão de dólares, ele deixa o seu local de trabalho, e se encaminha para o restaurante.

Ele entra no restaurante propositalmente em seu habitual comportamento auto-confiante. O recepcionista homem cujo nome no crachá se lê Tyler olha sorrindo.

"Boa tarde, senhor. Você tem uma reserva?" Tyler pede.

"Sim. É sob o nome de Brioni."

"Por aqui, Sr. Brioni. Sua companhia está esperando,” diz ele para guiá-lo.

"Isso não será necessário. Eu sei  meu caminho,” diz ele enquanto ele levanta a mão para detê-lo.

"Eu só queria lhe levar..."

"Bom para você, jovem. Não há necessidade de querer. Posso ir por meus próprios pés,” diz ele, enquanto ele pára Tyler com um dos seus olhares dominadores e se vira para chegar a uma das salas privadas reservadas.

"Sr. Brioni,” chama Tyler, e o homem não responde como se não fosse o seu nome. "Senhor,” ele chama novamente, e o homem em seu terno impecável se vira, desta vez com um olhar ameaçador prendendo-o no lugar. "Somos obrigados a acompanhar os nossos clientes a seus assentos,” Tyler diz em uma voz baixa.

"Eu não quero ser escoltado. Eu sei o caminho,” ele enuncia. Tyler acena com a cabeça concordando com medo. O homem que chama a si mesmo Brioni tem um agourento, ameaçador olhar. Tyler sabe que, se o homem tivesse a oportunidade ele estaria recebendo deste homem suas próprias bolas em um prato. O homem de terno se vira e faz o seu caminho para o seu destino.

"Sr. Brioni, minha bunda,” murmura Tyler para si mesmo. "Que mafioso burro chamaria a si mesmo pelo nome do terno que ele está usando?” Ele sussurra. "Não vale a pena a minha vida para descobrir,” ele pensa consigo mesmo.

Quando o homem de terno entra na pequena sala de jantar, Albert levanta-se para  encontrá-lo. 
"Prazer em vê-lo novamente, Sr. Lincoln, quero dizer, senhor ,” diz ele com um sarcasmo escondido em seu tom.  

"Sente-se, e corte a merda,” Lincoln ordena e Albert obedece imediatamente. 

"Eu puxei um monte de cordas, e cobrei um monte de favores para que isso acontecesse, Sr. Lincoln. Não é a coisa mais fácil de fazer ir contra um dos empresários mais respeitados no estado, para não mencionar um dos mais ricos!” Responde Albert enquanto ele se senta em sua cadeira.

"Você está sendo pago para isso. Eu não estou de humor para ouvir sua porra sobre isso,” diz Lincoln ameaçadoramente. "No entanto, o seu pagamento vai se realizar amanhã, após o nosso homem ser liberado, apenas para garantir o resultado final,” diz Lincoln.

"Hyde é um psicopata. A vingança está nublando  seu julgamento. Ele tem um grande rancor contra Grey, sua esposa e seu pai."

"Sua esposa? O que a ‘bucetinha’ (N.T. O correspondente desta palavra, em inglês, é considerado o nome mais chulo da língua inglesa) fêz? Presumi que ele estava fazendo isso para machucar Grey,” diz Lincoln. Isto pode apenas servir melhor a seu propósito.

"Acho que ele tentou transar com ela e isto saiu pela culatra para ele. Ela chutou as bolas dele."

"Bem, bem... Grey arranjou uma esposa leal,” diz Lincoln pensativo. Não seria a cereja no topo quebrar a sua confiança nela?

"Eu não sei, Sr. Lincoln. Ele é homicida. Se Hyde puser suas mãos sobre ela, ele vai torturá-la e, em seguida, matá-la. Ele não pode deixar uma testemunha para trás com o que ele tem em mente. Grey tem os meios, recursos e motivação para encontrar Hyde se ele souber quem fodeu e torturou sua esposa."

"Então, você deve ter certeza que nada aponta para nós, e o próprio ego e raiva de Hyde vão servir ao nosso propósito."

"Eu não acho que nós temos mesmo que dizer-lhe o que fazer. Ele está louco para colocar as mãos nela,” diz Albert.

"Seja como for, eu gosto de estar no comando para garantir o resultado desejado, mesmo que Hyde não saiba quem eu sou. Agora aqui está o que eu quero que você faça. É o dinheiro da fiança, e os 10% no envelope para dar aos nossos associados pelos seus problemas para fazer o pagamento anônimo. Os $ 500.000 são a primeira parcela de Hyde para garantir que ele faça o que ele está programado para fazer. Ele nunca saberá quem eu sou. Eu quero tanto sua irmã quanto sua esposa fodidas e torturadas irremediavelmente. Quero que Grey saiba que elas sofreram, e sofreram muito, tudo graças a ele. Hyde precisa limpar seu rastro, e ser rápido e decisivo sobre o assunto. E ele não pode permanecer no país por razões óbvias. Porque ele vai ser o suspeito número um."

"Sim..." Albert diz com um silêncio pesado.

"O quê?" Lincoln replica. 

"Tem certeza que isso é sábio?"

"Sábio? Você não fez crescer uma maldita consciência em mim! Chame-o de  serviço público, intervenção divina pela qual você é pago lindamente. Sem rastro que leve a você, pois toda a transação é feita em dinheiro .”

"Sim,” diz Albert. Foda-se! A amante loira ‘peituda’ sozinha vale o problema que ele vai passar. Este pequeno esforço paralelo serviria para financiar o seu projeto pessoal generosamente. "Vamos fazer isso!” Diz ele, decididamente, e estende a mão para apertar a de Lincoln.


O amor é aquela condição em que a felicidade de
outra pessoa é essencial para a sua própria.
Robert A. Heinlein

Eu te amo não apenas pelo que você é, mas pelo que eu sou quando estou com você. Eu te amo não só pelo que você faz de si mesmo, mas pelo que você está fazendo de mim. Eu te amo pela parte de mim que você traz para fora.
Elizabeth Barrett Browning



EMPTY BED
A jornada de trabalho é longa, ocupada e tediosa. Cansativa até o ponto de exaustão, mas eu não quero ir para casa pela primeira vez em um longo tempo. Eu suspiro. Não é verdade. Eu quero ir, mas eu ainda estou com raiva. Nossos problemas estão por resolver. Anastasia vai sair do nosso quarto. Como é que conseguimos foder esse casamento tão rapidamente? Eu não posso aguentar a idéia dela não estar comigo. Eu não posso vê-la em casa e não tocá-la, abraçá-la ou beijá-la. Eu sou miserável. Eu tenho tudo que alguém iria cobiçar. Eu sou rico, a forma como as mulheres  olham para mim me diz que eu sou bonito o suficiente, e ainda por cima disso, eu tenho uma esposa linda por quem eu sou apaixonado. Qual diabos é o problema? "Ela não te quer mais; esse é o problema," meu subconsciente me lembra. Como se eu não soubesse!

Eu chamo Gail às 5:00 sabendo que Anastasia não está em casa ainda.

"Olá Sr. Grey,” Gail responde.

"Gail, eu não vou estar em casa para o jantar esta noite. Estou trabalhando até tarde no escritório. Se a Sra. Grey perguntar, é onde eu vou estar,” eu digo.

"Sim, Sr. Grey,” responde Gail. "Eu vou informar-lhe, senhor. Quer mais alguma coisa, Sr. Grey?"

Sim, diga a Ana que eu a amo! Diga a ela que eu odeio essa distância entre nós. Diga a ela que eu sinto falta dela terrivelmente. Sinto falta da minha esposa! Diga a ela que eu fui um asno orgulhoso...

"Não, obrigado Sra. Jones,” eu digo baixinho e desligo.  

Eu me dedico ao meu trabalho pelo resto da noite. Eu não liguei  ou enviei e-mail para Anastasia durante todo o dia. Ela não me ligou, enviou e-mail ou me mandou uma mensagem também. Eu não podia ficar por três horas sem algum tipo de interação com ela. Já tem quase dois dias desde que eu a toquei. Nós trabalhamos outros problemas antes. Os votos de casamento, sua exposição de topless durante a nossa lua de mel e subsequente punição, a perseguição de carro, Ana mantendo seu nome de solteira no trabalho, o momento em que ela quebrou o protocolo quando eu estava em Nova York, embora ela dissesse que iria voltar para casa, a invasão de Hyde... Nós passamos através de todos eles. Quando ela não tinha sido desafiadora? Desde o minuto em que ela caiu na minha porta. Ela não estava nem deveria estar lá! Só isso já era desafio suficiente. Não é por isso que eu me apaixonei por ela? Por que não podemos trabalhar isso? Ela é tão teimosa como eu sou, e eu a amo!

A luz no meu escritório é fraca, e eu trabalho à luz do meu computador. Minha gravata afrouxada, meu paletó caído atrás da minha cadeira. Meu Blackberry vibra na minha mesa, e meu coração cambaleia. Seu nome na tela, com a foto dela sorrindo, tanto me alegra como sacode meu coração.

"Ana,” eu atendo o telefone com uma voz legal, apesar de existirem vulcões fervendo debaixo dela.

"Oi,” ela diz suavemente. 

Eu inalo suavemente. "Oi,” eu a cumprimento em voz mais baixa.

"Você está voltando para casa?” ela pergunta. Sim, mas você não vai me deixar tocar em você, e você saiu do nosso quarto.

"Mais tarde,” eu respondo. 

"Você está no escritório?” Ela pergunta. Será que ela acha que eu estou saindo e festejando com Elena?

"Sim. Onde você espera que eu esteja? "

"Eu vou deixar você ir,” diz ela, sem responder à minha pergunta. Mas eu sei o que ela está pensando. O silêncio é ensurdecedor entre nós.  É mais alto, fala alto da distância que criamos entre um e outro.

Simon and Garfunkel - The Sound of Silence

"Boa noite, Ana,” digo finalmente.

"Boa noite, Christian,” ela responde. Eu desligo. Eu lanço o Blackberry na minha mesa, e cubro o rosto com as mãos, finalmente, empurrando meu cabelo para trás, exasperado. Eu finalmente tenho a coragem de voltar para casa à meia-noite.

O nosso quarto e cama estão vazios. Frios sem ela. Eu sei que ela está lá em cima no seu antigo quarto, para onde ela se mudou. Eu lentamente abro a porta de seu antigo quarto. Ela está enrolada debaixo do edredom. Lentamente sento ao lado da cama para não perturbá-la. Meus dedos tentativamente chegam a seu rosto. Eu não quero acordá-la. O simples toque de meus dedos no rosto dela é sentido como facadas em meu coração, me machucando. Eu fecho meus olhos em agonia. Meus dedos lentamente deslizam para os cabelos se espalhando sobre o travesseiro. Eu sinto a umidade no travesseiro. Ela estava chorando. Por que não podemos resolver isso? Duas pessoas teimosas, muito fodidamente orgulhosas para admitir que estamos errados. Eu lentamente levanto-me da cama, e puxo uma cadeira para o lado da cama. Eu tiro minha gravata prateada que eu coloquei esta manhã, na esperança de que ela iria vê-la, mas ela se foi antes de eu vir para fora do quarto. Eu a atiro no chão sem a menor cerimônia. Eu a vejo dormir por horas, como eu fiz na primeira noite que passamos juntos, quando ela estava bêbada. Por que diabos nós machucamos um ao outro assim? Como é que vamos superar este problema? Eu não sou feito de nenhum material de pai. Isso me assusta até a morte. Eu vou estragar esse garoto! Eu vou ser um merda como a minha mãe biológica. Mas eu amo minha esposa com cada fibra do meu ser. O que eu faço?

Eu cochilo por um curto período de tempo na minha cadeira mais que desconfortável. Mas não há nenhum lugar em que eu preferiria estar do que aqui, agora. Eu acordo com as primeiras luzes do dia. Anastasia ainda está dormindo. Eu não quero que ela me veja aqui. Eu me encaminho para baixo lentamente, e vou para o nosso quarto para tomar um banho e me arrumar. Eu estou vestido e pronto para sair às  06:30h. A Sra. Jones prepara meu café da manhã, e na hora em que eu termino a última mordida, eu estou pronto para sair pela porta. Gail olha para mim com olhos suplicantes. Mas, ela não diz nada. Taylor está esperando na entrada.

"Pronto?" 

"Sim, senhor,” ele responde e partimos para Boeing Field - King County Airport, onde Charlie Tango está. Eu envio-lhe um e-mail no caminho para o aeroporto.
____________________________________

De: Christian Grey
Assunto: Portland
Data: 15 setembro de 2011 06:45
Para: Anastasia Grey

Ana,
Estou voando até Portland hoje.
Tenho alguns negócios para concluir com WSU.
Achei que você gostaria de saber.

Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings Inc.
____________________________________
Taylor e eu chegamos ao aeroporto, e entramos em Charlie Tango. Verificações de vôo, e depois de liberar com a torre, decolamos cerca de 7h30 do aeroporto para Portland. Quando chegamos a Portland são mais ou menos 08:40h. Taylor tinha um carro já reservado que está esperando por nós lá fora. Nós nos dirigimos para a Divisão de Agricultura da WSU para nos reunirmos com os diretores e ver os novos projetos de cultura que querem apresentar. Mas eu não estou no meu elemento. Minha mente está preocupada, e eu me encontro pedindo-lhes que se repitam.

Eu visito as instalações e ouço seus resultados, e eu dou o meu ok para alocar recursos para seu novo projeto com a condição de que eles enviem descrições detalhadas e conclusões sobre o assunto, bimestralmente, para minha empresa, para avaliação. Eu vou a um almoço rápido antes de decolar de volta para Seattle.

Somos levados de volta para o aeroporto, onde Charlie Tango está abastecido e pronto para decolar. Assim que nós nos encaminhamos para o helicóptero e colocamos os cintos de segurança, o Blackberry de Taylor vibra com um correio de voz. Ele atende o telefone.

"Isso é estranho. Eu não ouvi o telefone tocar. É Sawyer,” diz ele. Ele abre um app em seu telefone. Um ponto vermelho se move ao longo de um mapa de Seattle de uma forma bastante rápida.

"O carro da sra. Grey está em movimento,” diz ele. "Esta é uma viagem não programada,” ele resmunga e sem ouvir a mensagem de Sawyer, ele o chama de volta imediatamente.

"Sawyer, porque o veículo da Sra. Grey está em movimento em uma viagem não prevista?” Ele pergunta em um tom de comando, e eu fico imobilizado. Aconteceu alguma coisa com Ana? Eu escuto de uma maneira unilateral a conversa de Taylor.

"Eu entendo,” diz ele e me olha com preocupação. "A Sra.Grey está indisposta, e Sawyer está levando-a de volta ao Escala,” diz ele para responder a minha pergunta não formulada. Oh, não! Eu não estou em casa, e minha esposa está doente. Merda!

"Diga a ele, que estamos parados na pista, mas vamos sair em breve. Devemos estar em Seattle em uma hora. Se ela precisa de um médico, ele deve levá-la lá.  Caso contrário, deixe-a descansar.  Eu estarei em casa em breve."


"Sim, senhor,” diz ele. "Sawyer, estamos parados na pista em Portland e vamos sair daqui em breve. Nós vamos estar em Seattle, em cerca de uma hora. Leve a Sra. Grey em casa, veja se ela precisa de cuidados médicos. Se não, deixe-a descansar, mas mantenha um olho nela. O Sr. Grey vai estar em casa logo depois que chegamos a Seattle.”

"Um amigo deve sempre subestimar as suas virtudes
 e um inimigo superestimar suas faltas."
Mario Puzo, O Poderoso Chefão

LIBERDADE

Seu celular toca, mas o número não está listado. Ela não gosta de responder a chamadas de números Anônimos, mas alguns dos escritores preferem que  seus números não sejam listados para evitar os fãs perseguindo-os.

"Bom dia, aqui é Elisabeth Morgan,” ela responde.

"E o meu carro chega,” diz a voz masculina ironicamente. Ela congela em seu assento.

"Jack! Quando você saiu?"

"Esta manhã, e eu acredito que nós temos um negócio inacabado, Elizabeth."

"Olha Jack! Você conseguiu sua liberdade. Aproveite. Isso vai me trazer mais problemas."

"Oh, não, você não vai!  Temos um trato onde você me ajudará para que eu não coloque acidentalmente sua ‘boceta’ espalhada por toda a internet,” ele ameaça. "Mas você já sabe que isto não é o pior. Você estava amarrada e fodida por não apenas um, mas dois homens ao mesmo tempo! Como é que essa imagem combina com a querida doce Sra. Morgan? Você pode não conseguir um trabalho como editora, mas tenho certeza que o caminho para a indústria pornô pode abrir-se para você. Embora eu não saiba quantas ofertas você pode ter, uma vez que você não é mais uma franguinha. Portanto, NÃO FODA COMIGO, Elizabeth! Você faz exatamente o que eu disser para você fazer. Eu conheço o mapa de seu corpo, eu sei o quão dura você gosta de sua foda, a mordida do gato, os grampos, eu conheço todos os desejos do seu coração escuro na cama ou em outro lugar. Se você for uma boa menina agora e obedecer, você pode logo experimentar um pouco disso mais uma vez,” ele sibila como uma cobra. "Agora, você sabe onde o Dodge preto está. E se você seguir as minhas instruções ao pé da letra, você vai receber sua recompensa, e você pode não ter que trabalhar sob essa chupadora de pau, puta cavadora de ouro! Como é a sensação de ser mandada pela garota que você contratou apenas alguns meses atrás, a propósito? Hmmm?” ele pergunta.

Elisabeth e um monte de outras mulheres que trabalham na SIP se ressentem de Ana, e metade delas não pensaria duas vezes para ajudar a encontrar uma maneira de jogá-la de cara no chão. A cadela estava quase sem dinheiro, até que lhe deu um trabalho, e ela vai e se casa com o segundo homem mais rico em Seattle. Christian Grey! O homem é mais rico do que a sujeira, e mais sexy do que os deuses gregos. Cada garota está ardendo de inveja na SIP. Isto serviria certo para ela.

"Tudo bem, Jack,” diz ela a contragosto. "O que eu preciso fazer?"

"Boa menina. Bem, primeiro de tudo, precisamos colocar isca em nossa armadilha. E a irmã mais nova de Grey vai servir muito bem. Uma vez que você trabalhe com segurança, seria melhor se você pegasse a irmã de Grey logo após a sessão de ginástica. Todos eles têm uma rotina definida."

"Eu não sei a que  academia ela vai, Jack,” diz Elizabeth.

"Não se preocupe, eu sei. Agora seja uma boa menina, e venha me pegar. Eu tenho meus suprimentos no seu apartamento. Leve-me lá. "

"Tudo bem.  Dê-me alguns minutos.  Eu vou ter que fugir sem deixar ninguém saber."

***** ❦  ♡  ❧ *****
"Você parece um pouco diferente,” Elizabeth diz a Jack quando ela o vê do lado de fora do prédio. Seu cabelo está cortado curto, os brincos removidos, e ele parece impecavelmente vestido para um homem que acabou de sair da prisão e está prestes a sequestrar duas mulheres. Ele está totalmente mudado.

"Eu não quero ser visto na câmera do seu prédio. Seja uma querida e pegue os tranqüilizantes. Todos os 10 pacotes do mesmo. Eu tenho uma mochila com alguns suprimentos, tudo pronto para ir. Vamos discutir o resto quando você chegar lá embaixo. Você deve obter uma muda de roupa preta. Algo discreto e um boné de beisebol. Mas não mude ainda. Isso é para depois,” diz Jack, sem perder uma palavra.

Quando Elizabeth retorna com o suprimento solicitado de seu apartamento, eles vão para o estacionamento, e descobrem o Dodge preto estacionado em um canto profundo do estacionamento. 

"Como estão as coisas na SIP?" Jack pergunta.

"Diferentes. Mudando desde que Grey assumiu. As rédeas estão mais apertadas, bem como a segurança. E há uma vigilância constante, um guarda costas com Ana. É realmente nojento. O que Grey vê nessa bimbo magricela?” diz Elizabeth com desprezo.

"Ciumenta?” pergunta Jack alimentando o ódio dela.

"Eu tenho trabalhado pelo meu emprego tão duro como você fez, Jack! Ela vem e assume o seu lugar dentro de duas semanas. Bem, ok, nós entregamos a ela, mas eu não sabia que seu marido tinha assumido a empresa. E agora ela possui todas as nossas bundas, incluindo a de Roach! Quase todas as editoras do sexo feminino têm desprezo por ela. Mas Jack, este, este caminho que estamos tomando, ele não tem nenhum retorno. Eu não quero ir para a cadeia!"

"Você não vai ser pega para ir para a cadeia."

"Ela vai saber. Ela certamente pode me identificar para o que você está planejando que eu faça. "

"Não, ela não vai. Nós já conversamos sobre isso antes. Se isso tivesse funcionado da primeira vez, e você fez o que deveria fazer, eu não teria ido para a cadeia, e nós teríamos tido cinco milhões de dólares e estaríamos bebendo ‘mojitos’ no Caribe. Como está, eu paguei a fiança graças a alguém que tinha sido fodido por Grey. Você traz a irmã mais nova para o carro. Eu vou cuidar dela aqui. Então, chamamos a cavadora de ouro para o nosso pagamento. Ela pega o dinheiro, e você vai buscá-la no banco com o dinheiro, certificando-se de que ela não é seguida. Se você fizer isso direito, você recebe o maior prêmio de sua vida!” Diz Jack sem nenhuma intenção de compartilhar a recompensa.

"Se eu vou fazer a maior parte do trabalho de campo, eu quero estar em meio a meio! Minha carreira e liberdade também estão na reta,” diz ela.

"Você cumpre sua parte do acordo, e você vai obter meio a meio. Mas eu quero agradecer a cadela pessoalmente. Traga-a aqui assim que recolher o nosso pagamento,” diz ele sorrindo.

"Agora, puxe o SUV fora daqui,” diz Jack.  "Se a minha avaliação é correta, a irmãzinha vai sair em cerca de 12 minutos. Diga a ela quem você é, e que Ana está doente. Eu vou cuidar do resto, uma vez que ela entre no carro."

"Ok,” Elizabeth diz nervosamente. "Como eu sei como ela é?"

"Não é possível errar. Ela parece um avestruz ,” diz Jack.

"O quê? Isso não é hora de brincar, Jack! Eu estou tremendo aqui! "

"Pernas longas, grandes mamas, cabelo escuro cortado até os ombros. Assim,” diz ele puxando uma imagem impressa de Mia Grey. Elisabeth olha para a foto e engole. Ela respira fundo e para o Dodge na frente do ginásio. Mia surge em suas apertadas calças de yoga e um sutiã top,  com seu saco de ginásio caído sobre o ombro dela e seus fones de ouvido do iPod conectados a seus ouvidos. Elisabeth corre para encontrar Mia.

"Desculpe, Srta Grey?” Ela diz toda perturbada.

"Pois não?” responde Mia.

"Peço desculpas por ter vindo até aqui, mas eu sou Elizabeth Morgan da SIP. Eu sou a chefe de Ana. Sua cunhada, Ana,  não está bem, e eu acho que ela não pode alcançar o marido por algum motivo. Nós a levamos a um hospital local, ela está passando por alguns testes agora. Nós não temos idéia do que está errado com ela, e os médicos não me dão nenhuma informação já que eu não sou o parente mais próximo. Ela me disse para buscá-la antes que ela fosse levada para um teste. Eu não sabia como chegar até você. Você pode, por favor, vir comigo? Ela realmente precisa de alguém com ela!" Elizabeth diz com ansiedade genuína, mas tudo por uma razão diferente.

"Oh meu Deus! É melhor eu ligar pra minha mãe! Ela é médica. Ela pode nos encontrar no hospital."

"Por favor, faça isso no carro. Não temos tempo a perder!" Elizabeth apressa Mia segurando seu cotovelo em um tom de súplica.  Mia entra no lado do passageiro do veículo, e Elisabeth entra do lado do motorista, e imediatamente bloqueia as portas ligando o Dodge. Quando Mia vira para lançar sua bolsa de academia no banco de trás, ela percebe Jack.

"Quem é você?” Ela pergunta confusa.

"Olá,” Jack diz enquanto ele serpenteia o braço em volta do pescoço dela e cobre a boca e o nariz com uma toalha encharcada em clorofórmio e, quando a luta se dissipa lentamente dos membros de Mia, Jack a perfura com uma dose suficiente de tranqüilizante de cavalos que poderia derrubar um cavalo.

"Pise fundo,” ele sibila para Elisabeth, que o observa com a boca escancarada. Ela consegue colocar o SUV em marcha com as mãos trêmulas.

"Eu vou dar-lhe as direções,” Jack diz enquanto ele puxa o corpo inerte de Mia para a parte de trás do SUV. Jack dirige Elizabeth para o lado industrial da cidade, onde há um aglomerado de prédios abandonados, antigas fábricas, com janelas quebradas e pichações nos muros. Ele cheira a mofo, poeira e decadência. Ele puxa o corpo de Mia e o despenca por cima do ombro levando-a para dentro do prédio. Ele coloca-a em um colchão manchado com sujeira, fluidos corporais, possivelmente, sangue e material fecal. Fede, mas, novamente, a cadela não vai precisar dele por muito tempo. Ela é apenas a isca, e isca pertence ao oceano. Ela não vai se importar de todo. Ele amarra suas mãos e pés, e amordaça sua boca, não que ela vá acordar tão cedo, se ela acordar.

"Fase Um completa,” diz ele enquanto ele caminha para fora do prédio, completamente satisfeito consigo mesmo.

"E agora?" pergunta Elizabeth.

"Agora, vamos mergulhar a isca na água. Sorria, é dia de pagamento,” ele diz, e mostra o celular de Mia. Ele percorre os números, e encontra o celular de Ana na lista.

O telefone toca algumas vezes, e Jack fica ansioso pensando que Ana pode não atender ao telefone. Isso não estava nos planos. Mas ela atende.

"Mia,” chega a voz de Ana claramente. Jack sorri mais aberto do que ele jamais fez. É o seu salário falando, afinal.

"Bem, Olá, Ana... muito tempo sem falar."

"Jack,” ela responde em uma, voz pequena, engasgada com medo. Justo o efeito que  ele estava buscando.

"Você se lembra de mim,” ele responde em um tom suave, sorrindo amargamente.

"Sim. Claro. "

"Você provavelmente está se perguntando por que eu a chamei."

"Sim,” ela diz hesitante. Ela pode desligar.

"Não desligue. Eu estava tendo uma conversa com sua cunhadinha.”

"O que você fez?” Ela sussurra seu medo.

"Escuta aqui, sua idiota provocadora de pau, prostituta cavadora de ouro. Você fodeu a minha vida. Grey fodeu minha vida. Você me deve. Tenho a putinha comigo agora. E você, aquele chupador de pau com quem você se casou, e toda a sua fodida família vão pagar. "

"O que você quer?" Ah, a pergunta que ele estava esperando há muitas semanas. 

"Eu quero o seu dinheiro. Eu realmente quero o seu fodido dinheiro. Se as coisas tivessem sido diferentes, poderia ter sido eu. Então você está indo buscá-lo para mim. Eu quero cinco milhões de dólares, hoje."

"Jack, eu não tenho acesso a esse tipo de dinheiro." E como isso é  o meu problema, Jack pensa consigo mesmo. 

"Você tem duas horas para obtê-lo. É isso aí... duas horas. Não diga a ninguém ou essa putinha vai receber. Nem a polícia. Nem a seu bastardo de marido. Nem a sua equipe de segurança. Eu vou saber se você fizer. Entendeu?" Ele grita. Ela está silenciosa. É o medo, ou ela desligou?

"Você entendeu?” ele grita com força. 

"Sim,” ela sussurra. Na verdade, é o medo, Jack está orgulhoso de sua performance

"Ou eu vou matá-la." Ele pode ouvir o suspiro alto de Ana no telefone. 

"Mantenha o seu telefone com você. Não diga a ninguém ou eu vou fodê-la antes de eu matá-la. Você tem duas horas."

"Jack, eu preciso de mais tempo. Três horas. Como eu sei que você a tem?” Ela pergunta, mas ele desliga em cima dela. Sem chances de ter tempo para pensar. Ela só tem tempo para conseguir o dinheiro.

Agora, é hora de Elizabeth trabalhar. O tempo está passando, afinal.

When We Two Parted
WHEN we two parted
In silence and tears,
Half broken-hearted
To sever for years,
Pale grew thy cheek and cold,
Colder thy kiss;
Truly that hour foretold
Sorrow to this.

The dew of the morning
Sunk chill on my brow--
It felt like the warning
Of what I feel now.
Thy vows are all broken,
And light is thy fame:
I hear thy name spoken,
And share in its shame.

They name thee before me,
A knell to mine ear;
A shudder comes o'er me--
Why wert thou so dear?
They know not I knew thee,
Who knew thee too well:
Lond, long shall I rue thee,
Too deeply to tell.

I secret we met--
I silence I grieve,
That thy heart could forget,
Thy spirit deceive.
If I should meet thee
After long years,
How should I greet thee?
With silence and tears
Lord Byron

 "Torre de Sea-Tac, aqui é Charlie Tango - solicitando permissão para aterrissar."

"Helicóptero Charlie Tango, liberado para pouso no aeroporto Sea-Tac, fazer aproximação circulando pela esquerda para heliporto 11 a rota de chegada 4. Manter 200 metros de outro helicóptero. Por favor cuidado, esteira de turbulência. Liberado para aterrissar.”

"Aterrissando no heliporto 11, rota de chegada 4. Permanecendo 200 metros do helicóptero,” eu respondo e aterrisso no Sea-Tac. Eu tiro os fones  e desato o cinto enquanto Taylor está fazendo o mesmo. Seu Blackberry toca ameaçadoramente tão logo ele o liga, e ele olha  e responde imediatamente.

"Sawyer! O que está acontecendo? "

Ele ouve, e seu rosto empalidece, tomando uma cor mortal. 

"Ela fez o quê?” Ele grita. "Onde está você?"

"Devagar, você está correndo?... Conduzindo?... Onde?"

"O que está acontecendo?" Pergunto com meus olhos queimando, mas eu não tenho a chance de obter uma resposta. Porque meu Blackberry começa a zumbir.

"Grey,” eu respondo secamente.

"Sr. Grey ,” diz uma voz monótona. "Aqui é Troy Wheelan do Pacific Northwest Bank. A Sra. Grey está aqui para retirar cinco milhões de dólares em dinheiro, senhor. Isto, obviamente ...” diz ele, mas eu o corto.

"Ela está fazendo o quê?"

"Retirando cinco milhões de dólares, senhor, o  que é altamente irregular para o nosso banco, sem qualquer aviso prévio, mas felizmente nós mantemos todas as reservas em dinheiro no Pacific Northwest,” ele balbucia alguma merda, orgulhosamente,  enquanto o meu mundo desmorona ao meu redor.

"Eu não dou a mínima porra para o que seu banco tem ou reserva. Você acabou de dizer que a minha esposa está aí para retirar cinco milhões de dólares?"

"Sim, senhor, ela está atualmente sentada no meu escritório. Estou preparando a papelada. Mas é altamente irregular, como eu disse, e precisamos verificar de quais aplicações retirar esses fundos. "Meu coração está batendo nos meus ouvidos. Eu não posso respirar. Minha esposa, meu amor está me deixando,  com cinco milhões de dólares do nosso dinheiro. Ela está partindo. Eu me vejo me segurando em Charlie Tango, e os olhos de Taylor arregalando.

"Antes de fazer qualquer coisa, eu quero falar com a minha esposa, Wheelan. Coloque-a na linha."

"Ah, ela está esperando por mim para completar a papelada."

"Você não vai completar nenhuma fodida papelada, se eu processar o banco até seu último centavo. Agora, coloque minha esposa na porra do telefone, agora!" Eu grito segurando o telefone na frente da minha boca. Minhas mãos estão tremendo, tudo está desmoronando, e meu coração está sendo cortado em fatias. Estou respirando pesadamente. Taylor tem um olhar aterrorizado no rosto, totalmente chocado.

A voz de Ana vem ao telefone.

"Oi,” ela diz baixinho.

"Você está me deixando?"  Pergunto num sussurro sofrido. Eu nunca senti a angústia, tristeza, desgosto e tormento como eu sinto neste momento. Eu preferiria morrer a ouvir sua confirmação. Mas eu preciso saber. Por favor, baby, não me deixe.


"Não!” Diz ela completamente surpresa com a minha pergunta. Então, o que ela está fazendo? Mas, sua resposta muda.

"Sim,” diz ela em um sussurro. Ela disse ' sim,' ela está me deixando.

Eu engasgo com meu choro;  meu universo está destruído, e eu caio de joelhos, inerte, impotente. A morte seria melhor do que este sofrimento. Eu preferiria morrer que ouvir isso. Será que ela já não me ama? Mesmo um pouco? Ela disse que nunca iria me deixar, e agora... Eu me curvo sobre  meus joelhos, minha mão puxando uma mecha do meu cabelo.

"Ana, eu ..." Eu não posso terminar minhas palavras. Eu não tenho palavras. Minhas faculdades me deixam. Vou levar tudo o que eu disse, cada dor que eu infligi. Apenas... Apenas... Não me deixe. Meu choro sufocado encontra sua fuga e minhas angústias me cobrem.




Nothing's gonna change my love for you - Glenn Medeiros


Tradução do poema de Lord Byron

Quando Nos Separamos

QUANDO nos separamos
Em silêncio e lágrimas,
Corações meio quebrados
Apartados pelos anos,
Pálido ficou teu rosto e gélido,
Mais gélido apenas teu beijo;
Verdadeiramente aquela hora anteviu
Tristeza por você.

A geada da manhã
Emplacou o frio na minha fronte
Fazendo-se sentir como o aviso
Daquilo que sinto agora.
Teus votos foram todos quebrados, 
E a luz é a tua fama:
Eu escuto teu nome ser dito,
E compartilho da tua vergonha.

Eles te nomeiam em minha presença
Notas fúnebres aos meus ouvidos;
Um calafrio me toma de súbito—
Por que me foste tão cara?
Eles não sabem que te conheci,
Aquele que te conheceu melhor:
E por muito tempo irei lamentar,
Por demais para poder falar.

Em segredo nos encontramos— 
Em silêncio fico a remoer,
O que teu coração pôde esquecer, 
E teu espírito dissimular. 
Se devo te encontrar
Após longos anos, 
Como deveria te cumprimentar?

Com silêncio e lágrimas
.


Tradução Carlos Drews