StatCtr

Friday, September 8, 2017

Livro V - Capitulo X -Christian e Anastasia

Segunda-Feira, 11 de setembro de 2017


CAPÍTULO X
MINHAS MÃES


Tradução: Neusa Reis

Mas há uma história por trás de tudo. De como uma foto foi para uma parede. De como uma cicatriz foi para seu rosto. Algumas vezes as histórias são simples, e algumas vezes são duras e dolorosas. Mas por trás de todas as suas histórias está sempre a história de sua mãe, porque na dela é onde a sua começa.”
~For One More Day
 Mitch Albom

"Anaaa", eu a repreendo. "Nós já discutimos antes. Preciso fazer isso sozinho.”
Ela cruza os braços e ergue as sobrancelhas de uma maneira inquiridora.
"Pense nisso como uma das minhas conversas pessoais com Grace. Essa tem que ser uma conversa pessoal com Ella. In absentia... (NT - Na ausência.) Como uma das minhas sessões com Flynn," adiciono, levantando as sobrancelhas. Eu realmente não sei o que essa visita do local da sepultura iria realizar. No entanto, eu sei que tenho que fazer isso.
"Sim, mas você não tem problemas não resolvidos com Grace," ela responde.
"Não é como se Ella fosse me responder quando eu colocar para fora as minhas queixas contra ela." Ela deixa cair os braços abandonando sua posição defensiva.
"Eu só quero estabelecer alguma forma de encerramento. Quando fizer outra visita ao túmulo dela, quando resolver esse problema que tenho com ela, vamos voltar lá juntos. Eu prometo."  Minhas mãos lentamente esfregam seus braços para acalmá-la.
"Christian, eu quero estar lá com você, para se precisar de mim," sua voz suaviza-se com preocupação.
"E você estará. Vamos, vou falar com um túmulo num cemitério para indigentes. Eu só preciso estar sozinho. Esta será a primeira conversa que vou ter com minha mãe biológica... talvez unilateral. Eu acho que isso merece privacidade," acrescento. Com isso, seus olhos se ampliam. Ela quer me dizer algo. Ela abre a boca e depois a fecha. Então, lentamente, exala deixando para lá o que estava pensando em dizer. Agita a cabeça e fala comigo gentilmente como se estivesse falando com Teddy.
"Oh, Christian! Sinto muito! Não queria invadir sua privacidade. Eu só quero ser seu apoio."
"Baby", levanto seu queixo para ela me olhar. "Se não fosse por você, eu não teria chegado tão longe. Você já fez a diferença. Eu preciso atravessar a porta sozinho. Esta parte é minha. OK?"
"Sim." Ela balança a cabeça concordando. Seus braços estão cruzados.
Eu me aproximo dela. "Alguns caminhos eu preciso cruzar sozinho." Pego sua mão e a levo para a espaçosa sala de estar da nossa suite. Ela sutilmente puxa a mão e olha para mim.
"Mas eu prometi estar ao seu lado! Eu apenas sinto que estou falhando. Isso é tudo," lembrando-me dos nossos votos de casamento. Ela parece desapontada.
"Você está sempre aqui," eu bato no meu peito. "Eu não estou fazendo isso sozinho. Eu apenas vou sozinho." Ela morde seu lábio inferior mais do que o habitual, como se ela estivesse tentando impedir que rasgasse.
"Ana," eu busco seu rosto. "Deus! Você é tão fodidamente irresistível! Moça, se eu não estivesse saindo em poucos minutos, eu foderia o inferno para fora de você agora mesmo!" Seus olhos se arregalam e sua boca abre, seu olhar se move na direção de um pigarro. Taylor. E daí?
"Não se preocupe com Taylor! Ele sabe que fodo minha esposa!" Eu sei o impacto que minhas palavras têm em Ana.
"Meu Deus! Você é incorrigível, Sr. Grey! Bem! Vá e resolva isso," ela me expulsa vagarosamente.
"Sra. Grey, se eu não a conhecesse bem, eu sentiria meus sentimentos feridos pensando que você estava tentando se livrar de mim agora."
"Sr. Grey! Não há como agradar você! Você não quer me levar, mas você fica ofendido se estou acelerando seu retorno expulsando você," ela sorri de forma divertida desta vez. Então, sua cabeça gira para o som de balbuciar vindo da porta aberta da suite adjacente, conectada à nossa. Então, é o sorriso de milhões de megawatt que ilumina seu rosto.
"Ah, os homens Grey na minha vida! Ambos irritantes," ela pisca um olho para mim, "irresistíveis, adoráveis e totalmente meus!"


"Se eu pegar meu filho em meus braços, não conseguirei sair." A Sra. Taylor traz Teddy para a sala de estar e seus bracinhos já estão estendidos para mim. Nunca pensei que o amor de uma pessoa minúscula me envolvesse completamente. Ele se tornou meu mundo. Esta pequena pessoa, que eu achava que iria tirar minha esposa de mim, agora está, sozinha, controlando minhas emoções, o modo como meu coração bate e assumindo meus pensamentos e sonhos. Ele é um dos que mais contribui para os meus esforços hoje em dia. Se fodido como eu era, sou capaz de amar meu filho talvez tivesse sido possível para Ella ter me amado. Ana está segura disso. Eu acho que também estou.
*****      *****
No caminho para o cemitério, Taylor está quieto. Eu estou respondendo alguns e-mails relacionados a negócios, então me deparo com um e-mail da Grace. Tem um grande anexo.
“Nós sabemos que você vai visitar Ella hoje e você tem nossa total benção para esta visita. Nós tínhamos essas fotos recolhidas dos pais de Ella, anonimamente, através de um detetive particular, há alguns anos atrás. Por favor, não fique zangado conosco por fazer isso sem a sua permissão expressa. Mas, por outro lado, você era um adolescente então, e dentro e fora de problemas diariamente. Ela tinha muito poucos parentes, mas agora suspeitamos que apenas a mãe dela permaneceu viva. Se soubéssemos que isso ajudaria você a conseguir o encerramento, teríamos dado essas fotos a você mais cedo.
Você estava tão zangado com o mundo. Perturbado o tempo todo, entrando em brigas, até mesmo quebrou o nariz de um assistente do diretor quando ele estava tentando separar você de outro aluno. Nós pensamos que se pudéssemos provar a você que sua mãe biológica o amava, então você deixaria de ter raiva do mundo. Apesar de todos os nossos esforços, não pudemos fazer você acreditar que nós o amávamos. Mas seu psiquiatra na época nos disse que isso só machucaria mais você. Causaria uma sobrecarga. Confusão. Adicione isso aos já existentes problemas de raiva que você tinha. Você poderia ter tomado o caminho errado, como não desejávamos. Oh querido, nós queríamos você! Nós só queríamos tirá-lo dessa raiva e fúria ilimitadas. Encontrar uma maneira de abrir seu coração para que você pudesse sentir nosso amor.



"Que diabos?" Meu epíteto, imediatamente, faz Taylor olhar para mim através do espelho retrovisor.
"Senhor? Está tudo certo?"  Minha respiração pesada como se eu tivesse corrido uma maratona.
"Sim!" Minha voz é breve. Fecho meus olhos por um minuto, tentando processar essa informação. Meus pais contrataram um detetive particular para localizar a família de Ella apenas para descobrir se eles tinham algumas fotos de nós dois. O que isso conseguiu? Mesmo os piores pais tiram fotos de si mesmos com seus filhos. Tenho certeza de que seus pais não quiseram ter mais nada a ver com ela desde que se tornou uma prostituta. Quero mesmo saber ou me importo como isso aconteceu? Vamos ver que desculpa meus pais me dão indo nesse sentido.

"... quero que você saiba que não haveria nenhum limite que eu ou seu pai não cruzaríamos para mostrar ao nosso filho que nós o amamos! Portanto, não nos sentimos arrependidos por ter cruzado esse limite então. Porque nós decidimos que não precisamos da permissão de ninguém para sermos seus pais. Nem mesmo da sua, Christian Grey. Você foi destinado a ser nosso filho e eu, sua mãe.
Eu teria destruído essas fotos, mas seu pai disse que poderia chegar um momento em que você gostaria de vê-las. Se esse momento não chegasse, nós as deixaríamos para você em nosso testamento. Mas achamos que você está pronto para ver essas fotos agora. Espero que você nos perdoe se você perceber isso como uma invasão de sua privacidade, mas nós apenas o fizemos porque nós o amamos.
Mamãe"
"Oh, porra!" Eu murmuro. Inalando e exalando lentamente, tento controlar minha freqüência cardíaca. Finalmente, sacudo a cabeça e rio em voz alta. Eu não iria cruzar qualquer limite para proteger meu filho se ele fosse destrutivo, violento, não comunicativo? Claro, como os diabos que eu iria, e nenhuma força no mundo seria capaz de me parar. Exceto, talvez, Ana. Grace e Carrick fizeram o melhor por mim como pais, com a pouca informação dada para entender-me e acomodar-me.
"Senhor?" Taylor parece preocupado.
"Não é nada, Taylor. Apenas meus pais," eu digo e ele concorda com a cabeça.
"Eles estão bem?" Ele pergunta preocupado.
"Eles estão mais do que bem. Eles são simplesmente fantásticos!" Ele sorri tranquilizado, sem precisar de mais explicações.
Meu dedo paira sobre o ícone "Download". Solto a respiração e pressiono. Eu observo o preenchimento da pequena barra cinza que muda para azul à medida que o download progride. Então os arquivos são abertos. São imagens digitalizadas de fotos desgastadas.
A primeira imagem enche minha tela e rouba minha respiração. Ella, minha mãe, me levantou acima de sua cabeça, seus braços completamente estendidos, a cabeça inclinada para trás, rindo. O bebê Christian na imagem também está parecendo feliz com algo do tipo "me jogue no ar, mamãe!" Eu olho fixamente para isso porque eu fiz o mesmo muitas vezes com meu filho. Retive-o no ar assim. Mas eu sou um pouco mais velho do que Teddy nesta imagem. Eu deslizo a imagem para baixo. A legenda diz "nota no verso da foto".
"Este é o MEU FILHO!" Eu quase posso sentir o orgulho nessa legenda de quatro palavras.
A próxima foto é de Ella como uma nova mamãe no hospital. Ela tem aquele "olhar apavorado". É claro que a causa de seu medo é a maternidade inesperada: um bebê pequeno em seus braços. Ela parece tão jovem. Ela não deveria ter nem 20 anos naquela foto. De repente, um pensamento vem à minha mente. Nasci porque ela era uma prostituta ou ela se tornou uma prostituta porque ela me teve tão jovem? Ela foi abandonada por sua família porque ela tinha um bebê ou porque vendeu seu corpo por dinheiro? Grace e Carrick conhecem as respostas a essas perguntas?
Não verifico as outras duas imagens. Eu decido chamar meus pais imediatamente. Meus dedos rapidamente discam seu número, da memória. O telefone é respondido imediatamente. Grace Grey, que é normalmente muito composta, pronta para suportar qualquer tempestade, está trêmula, em lágrimas de fato e sua voz está preocupada.
"Christian!" Ela respira em seu tom maternal.
"Mamãe. Eu preciso saber!" Esta afirmação sem um preâmbulo a pega de  surpresa.
"O que, filho? O que você precisa saber?"
"Você sabe se ela era uma prostituta antes que ela me tivesse, ou depois?" Eu posso ouvir meu coração retumbar em meus ouvidos.
Há um silêncio incômodo por um minuto curto. Ou ela está tentando compreender minha pergunta ou ela está tentando acompanhar meu processo de pensamento.
"Ella? Eu pensei que você tivesse me ligado porque estivesse zangado comigo enviando as fotos."
"Eu estive. Por cerca de quinze segundos. "
"Sessenta e oito," murmura Taylor. Ele estava me cronometrando!
"Eu entendi, mãe. Eu preciso saber se você descobriu... você sabe... as circunstâncias."
"Você conhece as circunstâncias de sua morte, querido. Tudo estava no relatório da polícia."
"Não isso, mãe!"  Eu, Christian Grey, que não tinha quase limites no sexo, não conseguia perguntar a Grace se eu tinha sido concebido como resultado de um sexo pago em um beco em algum lugar. Acho que ela finalmente me entendeu.
Posso senti-la balançando a cabeça. "Não, bebê. Quando iniciamos essa pesquisa, você era um adolescente. Nós apenas realizamos a busca para finalmente lhe dar algum tipo de encerramento, então você não ficaria tão zangado com o mundo o tempo todo."
Essa não é a resposta que estou procurando. Eu acho que tenho que soletrar isso para Grace.
"Você descobriu como ela me concebeu?" Cada palavra forma uma rocha com bordas irregulares. É vergonha? Nojo?  Ódio? Ou empatia, e busca de redenção para ela?
"Christian, nunca nos importamos com as circunstâncias. Era suficiente que, independentemente de como você tivesse sido concebido, você era nosso filho. Assim, nós nunca buscamos esse aspecto. Eu..." ela pausa, "seu pai e eu só queríamos provar a você que sua mãe realmente o amou. Isso é tudo. Essa é a melhor coisa que uma mãe pode fazer e dar para seu filho. A pergunta "como você veio a existir" é discutível. Agradeço que ela tenha feito o que fez para ter você. Não importa o quão egoísta você possa pensar que eu sou, estou feliz por ela ter feito. Seus sacrifícios o trouxeram ao mundo e a nós ".
Clear Bandit ft. Sean Paul & Anne-Marie ~Rockabye

"Então, você nunca tentou descobrir se, de fato, o homem que me gerou era seu cafetão?"
"Christian, de onde vem isso agora? Não importa, quem, onde ou como. Tudo com que eu me importo é que você é nosso filho! E para seu controle, eu não vou deixar você falar sobre sua mãe desse jeito!" Só mesmo Grace Trevelyan-Grey. Minha mãe nunca havia defendido nem criticado a Ella antes. Nunca. Minha curiosidade se aguça.
"Por que você se importa com Ella, mãe?"
"Porque eu também sou mãe! Ela era simplesmente uma jovem com uma criança que recebeu uma mão de péssimas cartas da vida. Ponto. E não. Nunca estive curiosa. Não me importava, nem ao seu pai. Era suficiente você ser nosso filho!" Isso me deixa surpreso. Nunca deixa de me surpreender o amor ilimitado de Grace por mim, por todos os seus filhos.
"Eu amo você, mamãe!" Eu digo em voz baixa.
"Sim, você ama!" Ela diz com convicção. "Para registro, sempre vou professar meu amor por você. Mas se você começar a duvidar após este ponto, eu deveria ter que considerar tê-lo tatuado no seu antebraço para que você sempre se lembre disso!" Ela diz brincando.
"Obrigado, mãe."
"E filho..." Ela faz uma pausa.
"Sim, mãe?"
"É hora de você perdoá-la."
"Eu sei." Então eu suavemente desligo o telefone. Estou pronto para ver Ella, agora.
Quando finalmente tenho a calma de pensar em dar uma olhada para fora, fico impressionado com a exuberante, verde e limpa beleza da rua. Taylor deve ter saído da auto-estrada para um bairro. Este não é apenas um bairro comum; é um bairro de bom nível. Não há absolutamente nenhuma forma de haver um cemitério de indigentes nas proximidades. Taylor está me levando para outro lugar?
"Taylor, tem certeza de que você não está perdido?" Eu pergunto para confirmar.
"Claro que não, senhor. Estamos quase lá."
"Este não é o bairro do cemitério que recebi de Welch, e você sabe disso! Eu verifiquei o caminho, e as áreas circundantes. Não é aqui! Apenas me diga exatamente onde você está me levando."
"Olhe, senhor, está logo à nossa frente." Ele aponta com a mão direita.
"Essa é uma igreja histórica."
 "Está lá, senhor, atrás da igreja." Taylor fala com convicção. Respiro fundo e me preparo para o que posso encontrar aqui.
Taylor estaciona o SUV depois de passar pelo arco de pedra e abre minha porta. Saio com passos cautelosos. É finalmente isso!

"Nós temos que atravessar a passarela, não é tão longe, senhor." Eu sacudo minha cabeça e acompanho os passos de Taylor. É claro que este é um cemitério, mas sinto que entrei na história. Caminhamos vários minutos em silêncio. Taylor parece saber exatamente para onde está indo. Ele finalmente faz uma volta para a esquerda, para um pequeno caminho cruzando sob algumas grandes árvores. A calçada abre-se, após alguns passos, para o que parece ser um jardim de rosas. Uma estátua de querubim está derramando água em uma pequena fonte. Lá,  rosas formam quase um círculo de proteção com o ângulo que protege a entrada. Um pequeno banco de madeira está escondido pelas roseiras.


"Ela está justo nesse círculo de rosas, senhor," Taylor indica com a mão direita, me dando passagem para entrar. Eu olho para ele. Ele fica atrás estoicamente. Dando-me a privacidade que eu preciso. Eu dou um passo no círculo e tento pisar nas lascas de madeira e não na grama cobrindo seu túmulo. O banco de madeira está convenientemente colocado em frente à lápide. Eu paro entre o banco e sua lápide. Minha mão voa para o meu pescoço, como sempre acontece quando estou estressado, confuso ou simplesmente oprimido para falar.
Eu rapidamente viro e levanto um dedo acusatório para Taylor.
"Sua sepultura deveria estar no Canton Cemetery! Este é Assumption Groto! E, mais ainda, ela foi enterrada com outras quatro! Sua lápide apenas mostra um primeiro nome!"
"Sim, senhor. Isso mesmo. A Sra. Grey disse, e eu a cito: "A mãe do meu marido deve por fim ter seu túmulo para si própria em vez de compartilhar isso com quatro estranhas que ela nunca conheceu. Eu não acho que ela tenha tido muita paz na vida; ela deve, pelo menos, conseguir isso na morte."
Eu sacudo minha cabeça. "O que você fez? Memorizou o que ela disse?"
"Sim, senhor. Pedi-lhe que escrevesse, apenas para o caso de me questionar," ele estendeu um pedaço de papel bem gasto que foi dobrado e aberto muitas vezes.
Eu o abro. Diz exatamente isso.
"Ela teve a lápide trazida junto com seu corpo." Como ela conseguiu até isso? Por que ela não me disse que faria isso? Não tenho certeza se eu deveria beijar os pés da minha mulher por essa doce generosidade em relação a Ella, ou ficar furioso por atribuir esse pedaço de céu para ela sem me perguntar. Sim, perdoei Ella, mas não tenho certeza se eu faria isso por ela. Para Grace? Sim, eu faria qualquer coisa para tornar sua vida fácil aqui, ou dar-lhe algo ainda melhor, embora eu não saiba como posso replicar com algo melhor porque isso é definitivamente feito por uma mente amorosa.
"Por que ela ou você não me contaram sobre isso?" Eu odeio surpresas!
"Eu tive que jurar segredo, senhor. Você conhece a Sra. Grey. Era suposto ser uma surpresa para você. Uma que ela espera que você tenha pensado que foi legal," ele diz preocupado.
Respiro fundo. Conflito de emoções. Eu ando até o banco de madeira e afundo.
"Oi... eh, Ella." Eu falo com a mulher debaixo da lápide. Posso ouvir os passos de Taylor, lentamente em retirada, para me dar uma certa privacidade.
"Mãe..." A palavra afunda em minha alma com tristeza. Parece natural como respirar, mas errado.
"Eu não chamei você assim em mais de vinte e quatro quase vinte e cinco anos. Você sabe por que isso, não é?" Eu agito meu dedo para seu túmulo, para a mulher que era muito mais nova do que eu quando morreu.
"É claro que você não pode se lembrar disso, ou talvez você não queira lembrar. Mas, dá no mesmo. Deixe-me dizer-lhe o porquê: porque você me deixou! Ao morrer! Matando-se, nada menos! Deixou-me sozinho no mundo, com seu cadáver!" Eu me levanto abruptamente. Eu ando ao redor do túmulo, não conseguindo sair da pequena abertura entre os arbustos de rosas, habilmente preso em um círculo de rosas. Eu olho em busca de algo para socar. A única coisa que poderia ser socada é o querubim que derrama infinitas quantidades de água em seu lago. Totalmente alheio ao meu sofrimento. Despreocupado, como se eu não existisse. Inclino-me para baixo próximo da lápide. Lê-se:

ELLA
Mamãe amorosa de Christian
Finalmente em paz

"Você realmente está finalmente em paz, mãe? Você conseguiu encontrá-la? Ou você está presa na Terra, em algum lugar, tentando redimir-se por ter sido uma mãe de merda?" Apesar da dureza das minhas palavras, a suavidade no timbre da minha voz surpreende mesmo a mim.
"Eu estive com raiva de você por um longo tempo. Por desistir da vida! Por me deixar! Por me deixar ser abusado por ele!" Eu permaneço em silêncio por minutos ou segundos. Eu não sei.
"Mas eu não posso mais ficar com raiva disso. Ele abusou de você muito mais do que qualquer ser humano poderia suportar." Eu me deito na grama macia ao lado de sua lápide, e coloco minha cabeça no meu cotovelo.
"Você simplesmente deixou de existir ou você realmente está em algum lugar? Você está em paz como sua lápide diz, 'você está'? Ou é apenas uma ilusão? Eu queria poder saber isso. Eu amei você e eu odiei você e você rasgou minha alma. Lembro-me de gritar por você. Eu queria minha mãe! Então você se foi, e eu me fui. Então, quando eles me levaram, mesmo a fala me deixou por um longo tempo." Eu rolo sobre minhas costas, meus braços apoiando minha cabeça.
"Ana, - essa é minha esposa, está convencida de que você me ama." Então eu me corrijo. "Me amou. Você amou? Me ama, quero dizer. Você detestou a idéia de ter uma criança que impediu o seu estilo de vida, ou você estava feliz comigo? ”  Eu quase cuspi as palavras e sinto o gosto da amargura dos meus pensamentos.
"Você tem um neto, sabe? O nome dele é Theodore. Nós o chamamos de Teddy. Você o amaria!" Eu me sento imediatamente e cruzo minhas pernas em posição de lótus.
"Sabe, é só por causa do meu filho que estou disposto a ter esta conversa com você. Nem mesmo por Ana. Pelo meu filho! Porque, nesse período curto de sua vida, aprendi que sou incapaz de não amar incondicionalmente meu filho. Você sabia que ele não foi planejado? Tudo na minha vida tem uma ordem. Planejamento, Preparação. Limpar o caminho para a ação. Ele é a única coisa, a única pessoa que entrou na minha vida como um acidente, e no entanto..."  Eu pauso.  "No entanto, ele é meu acidente milagroso. Ele abriu as comportas do amor. Tudo o que eu quero fazer é protegê-lo. Amá-lo. Cuidar dele. Certificar-me de que esteja seguro. Você se sentiu assim comigo? Ana diz que você o fez. Eu acredito nela. Ela ama tanto o nosso filho que estava mesmo disposta a desistir de mim para protegê-lo. Qual é a sua história, mãe?"
Levanto-me e ando até o pequeno banco de madeira. Sento-me nele silenciosamente, olhando fixamente para a lápide dela. Eu quase posso sentir ela olhando de volta com paciência. Eu fecho meus olhos e é como se ela estivesse aqui comigo, acariciando meus cabelos como ela fazia quando eu era pequeno. Expiro e abro os olhos lentamente.
"Eu acho que quero lhe dizer isso, eu finalmente aprendi a lhe perdoar. Eu perdoo você por morrer comigo. Bem, por cometer suicídio. Ou mesmo por me deixar com aquele filho da puta! Você provavelmente sabia que ele iria vir e encontrar você, a menos que você achasse que alguém nos encontraria. Eu acho que a fonte da minha raiva era que você não pensou muito em suas ações que a mataram e me deixaram para ser encontrado pelo seu cafetão!" Eu respiro fundo e sacudo minha cabeça. Estou repreendendo a minha mãe morta!
"Mas você deve ter sabido que o estado estaria envolvido. Você provavelmente sabia que iriam levar seu filho e colocá-lo em uma família adotiva. Eles o fizeram e eu fui adotado por uma família maravilhosa. Sem Grace, essa é minha mãe... que me adotou, sem ela, estaria morto. Suponho que você sabia que eu não iria sobreviver. Mesmo que o fizesse, por um milagre, não faria nada útil ou seria alguém por quem valeria a pena você ter sobrevivido, além de ser uma ameaça à sociedade." Eu olho para o céu brilhante, para que o pedregulho que bloqueia minha garganta não desencadeie uma inundação.
"O que estou tentando lhe dizer é obrigado por ter me dado a vida. Foi uma coisa boa. Sem você me dando à luz, eu não teria Grace e Carrick como pais. Eu não teria meus irmãos sempre maravilhosos, às vezes completamente irritantes. Sobretudo, eu não teria minha linda esposa ou meu filho! E para o resto, o que quer que você tenha feito comigo que estivesse errado, eu a perdoo... Ella. Você pode descansar em paz, agora." Eu tomo uma profunda inspiração como se ela estivesse bem diante de mim.
"Eu te amo ... mãe." Como se uma onda de paz jorrasse sobre mim, eu me levanto para sair do local da sepultura. Eu vejo Taylor fazendo um caminho na passarela de pedra, andando de um lado para o outro, vomitando algo em seu telefone. Por que ele está parecendo desconfortável e trotando como se tivesse formigas rastejando em sua cueca, a menos que haja uma emergência?
"Qual o problema, Taylor?"
"Senhor?"
"Você parece estar com diarréia e não poder encontrar um banheiro. O que está acontecendo?"
"Sawyer deveria fazer o check-in comigo há dez minutos, mas ele não o fez".
"Chame-o então."  Minhas palavras saem irritadas.
"Eu liguei, senhor. Três vezes. Toca, mas ninguém responde. Acabei de deixar uma mensagem para ele. Liguei para Melissa também. Ela está no hotel com Gail e Teddy. Ela disse que ele acompanhou a Sra. Grey à academia. Ela disse que a Sra. Grey agendou uma sessão de treino de três horas com o treinador do hotel.
"A Sra. Grey odeia exercícios longos. Ela não suspeitou disso?"
 Nossos olhos se fixam.
"Você tentou chamar a Sra. Grey?" Eu quase tenho um sentimento de déjà vu, mas nunca antes estivemos em Detroit. Ele balança a cabeça.
"Não, senhor. Eu estava apenas ligando para Sawyer e Melissa." Um milhão de cenários diferentes do que pode ter acontecido cruza minha mente. Cada um deles aumenta minha pressão sanguínea e pulso a cada quatro segundos.
Pego meu telefone e marco o número de Ana. Toca sem uma resposta. Eu desligo e ligo novamente. Vai para o correio de voz.
"Anastasia Rose Grey! É melhor ter um bom motivo para não atender o seu telefone, senão Deus me ajude! Não me importo há quanto tempo nos casamos, eu vou punir você, mulher! Você está colocando o inferno para dentro de mim!" Esse não é um bom sinal. Abro o aplicativo de mensagens.

* Onde porra você está? *

Normalmente, meus epítetos recebem uma resposta imediata de Ana. A resposta, de palavra única, que recebo, me agita até meu núcleo.

*Hospital*

Por que Sawyer não ligou nem nos enviou mensagem? Não havia tempo suficiente? Ela repuxou um músculo? Quebrou um osso? Por que ela foi treinar tanto tempo?
* Qual hospital? *

Um mapa da localização é enviado de volta. "County Hospital? Esse é o pior lugar para ir! O que diabos ela está fazendo lá? Onde diabos está Sawyer?"
Taylor e eu temos ambos a mesma expressão em nossos rostos. Sem palavras, nós dois corremos para o carro. Taylor destrava as portas e eu salto ao lado dele, na frente. Ele nem espera que nenhum de nós coloque o cinto antes de sair disparado. Não há som, mas os gritos silenciosos em minha cabeça finalmente ecoaram com os pneus cantando quando aceleramos.



Disturbed ~ The Sound of Silence


25 comments:

Elayne Nascimento said...

Espero que venha logo o próximo capítulo! Não demora por favor.

Neusa Reis said...

Meninas, como sempre valeu a espera. A criatividade da Emine Fougner não tem limites. Não só pelos diálogos como pelo enredo. Lindas conversas com suas 'mães'. Por favor, Emine. Não nos deixe tanto tempo sem seu talento. Você alegra nossos dias. Já ansiosa pelo próximo.

Lya de Aquino said...

Neusa, parabéns pela tradução, você é ótima! Espero que o próximo capítulo venha logo ��

CENTRAL FIRE EXTINTORES said...

Lindo lindo!
Simplesmente adorável e emocionante!
Vc conhece a fundo traumas psicológicos (inconscientemente) que podem ser desenvolvidos por acontecimentos na infância...
Parabéns a vc e a Neuza que não nos abandonam.

Tô rachando de curiosidade o que Ana, estar fazendo em um hospital ?!

Perola Negra said...

Capítulo maravilhoso! Espero que nao tenhamos que esperar muito peli próximo!

Bruno Silva said...

Ho deus e agora? quero saber o que está acontecer isto é uma tortura. Não pode ficar tanto tempo sem escrever. Lindo veio me as lágrimas aos olhos.
Neusa parabéns.
Alguém sabe como está os livros eco da enternidade?

Priscila Pessotto said...

Que momento emocionante de Christian com a mãe! E Ana nunca deixa de surpreender.
Maga curiosa para saber porque Ana está num hospital. Não nos faça esperar muito tempo, Emnine, por favor, por favor.
Obrigada pelo lindo capítulo, Emine!
Obrigada, Neusinha.
Beijos, beijos.

Vilma Marona said...

Ah Meu DEUS!!! que saudade dessa sua história, da sua criatividade, da sua capacidade Emine!! como eu amo isso tudo que você cria e criou ate então! Capitulo maravilhoso com ingredientes que nos seguram no viciam sejam com quaisquer sentimentos que forem. Amei AMei, e como diz a Neusinha não se afste de nós, pq te amamos muito! E a Neusa? que tradução perfeita como todos os que você já traduziu ate hoje, simplesmente apaixonante! Bjossss mil a vocês duas lindas!!

Unknown said...

Estava esperando ansiosamente por este capítulo!
Capítulo lindo!!! Obrigada Neusa pela agilidade na tradução!

Renata said...

Que capítulo lindo e emocionante, estava aguardando ansiosamente por ele!
Obrigada Neusa pela tradução impecável e pela agilidade!!!

Keila Azevedo said...

Emine, estava com tanta saudade desse casal maravilhoso. Obrigada por voltar a dar vida a essa história!
Neusa, obrigada pela tradução impecável 😍👏🏼

fabiana gonçalves said...

Excelente. Por favor não demore para postar o próximo. 👏👏👏👏👏👐👐👐👐👐

Carla Beatriz said...

Amei o capitulo. Muito obrigado por nos brindar com sua imensa criatividade. Amo seus livros, amo o seu Grey, na verdade amo mais o seu Grey do que da E.L. James. Por favor continue sempre escrevendo por você é maravilhosa. Poste logo outro capitulo também por gentileza. A tradutora foi perfeita nesse capitulo, obrigado pelo seu tempo e dedicação.

Andréia dos Santos said...

Valeu a espera, capitulo muito lindo até chorei, que o próximo venha logo, parabéns Emine Fougner e Neusa Reis pela tradução.

Thais Figueiredo said...

Nem acreditei quando vi o capítulo , estava vendo se já havia a traduçao de Pella
Obrigada Neusa

Sandra Castro said...

Emine que coia mais linda!!!!!!!!!!!!!!!!!! De uma sensibilidade incrível. Vc nunca deixa de nos surpreender. Muiiiiiiiito obrigada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Anciosa pelo próximo.
Neusa sem comentários, estou muito grata por ter encontardo vcs duas!!!!!!!!!!!!!!

Neusa Reis said...

A Thais Meire Pires Rocha não está conseguindo publicar. Faço por ela.
Emine, saiba que você tem grande importância na minha vida literária,sua escrita é detalhista, toda vez que alguém pergunta, qual foi o primeiro livro que você leu? Eu respondo, a trilogia 50 tons, porém o que realmente me fez amar a leitura e me propor a buscar outros livros foi a versão escrita por você. Fico sempre ansiosa, aguardando um novo capítulo,e quando você publica fico aguardando mais ansiosa ainda a tradução da Neusa. Enfim, na minha humilde opinião os produtores do filme deveriam ter lido sua versão com certeza o Christian Grey seria mais fascinante de se ver. Obrigado por escrever , você não imagina a felicidade que é ler um novo capítulo.
Beijos.
Thaís Meire

Adelma Alves said...

Por favor. Publica logo os proximos capítulos. Adorei a história! PARABÉNS!!!

Adriana Gramosa said...

Nossa, coaduno com sua opinião, Thais. Sou uma leitora voraz, mas nunca tinha me interessado por livros deste estilo. Uma amiga me apresentou a Eminente e amei. Por ler sua versão, procurei conhecer a trilogia que deu origem. Mas sabe o que achei, sua versão é fantástica. Tem um cunho psicológico magnífico, sua escrita é riquíssima.
Não nos abandone!!!
Vc conquistou nossos corações e o problema disso? És responsável pelo que cativas!
Estive preocupada com o seu silêncio, mas sempre rezei para que estiveste bem.
Não suma, Emine!!!! Aguardo ansiosamente seus próximos trabalhos!
Por falar nisso, espero a continuação de Ecos!
Neusa, Deus te ilumine, obrigada por seu belíssimo trabalho com as traduções!
Amo vcs!

Adriana Gramosa said...

Nossa, coaduno com sua opinião, Thais. Sou uma leitora voraz, mas nunca tinha me interessado por livros deste estilo. Uma amiga me apresentou a Eminente e amei. Por ler sua versão, procurei conhecer a trilogia que deu origem. Mas sabe o que achei, sua versão é fantástica. Tem um cunho psicológico magnífico, sua escrita é riquíssima.
Não nos abandone!!!
Vc conquistou nossos corações e o problema disso? És responsável pelo que cativas!
Estive preocupada com o seu silêncio, mas sempre rezei para que estiveste bem.
Não suma, Emine!!!! Aguardo ansiosamente seus próximos trabalhos!
Por falar nisso, espero a continuação de Ecos!
Neusa, Deus te ilumine, obrigada por seu belíssimo trabalho com as traduções!
Amo vcs!

Wava Silva said...

Estou encantada com sua versão na historia. por favor, continue a nos alimentar. Estou muito ansiosa por ela completa. Obrigada!

Helenice Pinto Naves said...

Amo essa história Contada pela Emine!! Sempre fica o gostinho de quero Mais! Lindas reflexoes Permeam essa Linda história de amor!
Estamos esperando os proximos capítulos e o Segundo livro de Ecos da Eternidade. Obrigada Neuza!! Dupla incrivel!

Idalina Rodrigues said...

Lindo!!!!!Amei por favor não demore a postar.
Sou apaixonada por esta versão já perdi as vezes que li.
Parabéns para as duas.

Mónica Pernadas said...

Olá meninas ótimo trabalho como sempre,ansiosa pelo próximo capítulo,beijocas grandes para todas saudades
Mónica Pernadas

Annanda_Mazzo said...

Por favor meninas não demorem a postar o próximo capítulo, desde que descobri esse blog olho toda semana, é maravilhoso você são demais. Não nos deixem esperando tanto.