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Tuesday, April 26, 2016

MASQUE - CAPÍTULO III


3

NO LIMITE DO DESEJO




Tradução:  Neusa Reis

Agora, eu quero algo. Estou ansiando por algo. Na verdade, alguém... Alguém de cabelo loiro morango com longas madeixas onduladas, deliciosos lábios cheios e pernas de matar. Eu não consigo tirar da minha mente aqueles olhos azuis olhando para mim, primeiro com choque, em seguida fúria e finalmente, com reprimido, inoportuno desejo. Inoportuno. Isso é algo que eu nunca encontrei antes. O território desconhecido deixa-me inquieto. Eu fui enfeitiçado desde que eu coloquei meus olhos sobre ela no iate. Estou perdendo meu equilíbrio? As mulheres buscam encontrar maneiras de serem notadas e estar na minha presença, na minha cama.

Não perco tempo perseguindo-as como alguns playboys. Eu sei exatamente o que eu gosto e eu consigo o que eu quero, quando eu quero, sem relações inúteis. No entanto, eu quero persegui-la. Eu estive procurando por ela desde que eu coloquei meus olhos nela. Não é esta a própria definição de perseguição? Merda! A necessidade dessa sensação é insuportável, totalmente estranha para mim. Eu estou completamente intrigado com ela. Talvez ela possa me fornecer distração suficiente por um tempo. A visão dela no iate dissipou o humor sufocante com o qual eu tinha estado ultimamente. Era tão espesso quanto a cerração da forte poluição pairando sobre a paisagem urbana, a qual eu posso ver através das janelas escurecidas do meu escritório no quadragésimo oitavo andar da Gibson Grand Tower no centro de Los Angeles. Eu preciso saber mais sobre ela. Eu não consigo tirá-la da minha mente.




Os saltos altos agulha das botas, num irritado ritmo rápido encontrando com o chão de mármore italiano fora do meu escritório e as duas vozes que protestam, de meus assistentes, me trazem de volta dos meus devaneios.

"Pelo amor de Deus, Jude, eu posso encontrar meu caminho!" É a voz de Lei.

"Srta. Giovanni, o Sr. Gibson tem uma agenda cheia esta tarde. Eu não posso eventualmente encaixá-la no último minuto!"  Eu disse a eles para não me incomodar até que eu terminasse de repassar o contrato que meus advogados tinham preparado para este projeto de investimento. Mas eu não consigo me concentrar.

"Eu posso ver sua porta bem aberta! Ele não pode estar tão ocupado!"

"Ele acabou de voltar de uma reunião, senhora. Talvez possamos agendá-la para um outro dia."

"Deixe-a entrar," eu murmuro para meus assistentes. Ambos têm fones de ouvido ocultos para ouvir-me, em oposição a um sistema de intercomunicação ruidoso. Alguns segundos depois, há uma batida na minha porta.

Lei Giovanni desliza, ladeada por meus irritados assistentes Jude e Eliza, com sua régia cabeça erguida, à sombra de um chapéu de verão feito sob encomenda e cobrindo seus olhos um dos pares de óculos de sol mais caros que sua empresa de design de moda está oferecendo apenas para os financeiramente merecedores. Com uma silhueta de ampulheta, usando um vestido preto que se derrama sobre suas curvas, seu decote chegando abaixo de seu umbigo dando um vislumbre de seus seios perfeitamente modificados, ela caminha em direção à minha mesa com seus quadris balançando com uma sexualidade pronunciada. Seus saltos agulha estão fazendo amor com o chão em um ritmo calculado. Ela poderia ser um dos superfaturados modelos de passarela em um de seus desfiles de moda em Milão, Paris ou Nova York. Eu sento e relaxo e aproveito o show que ela está apresentando por minha causa.




"Eu posso lhe oferecer algo, Sra. Giovanni?" Jude pergunta com seu sotaque sul africano misturado com
o inglês perfeito (N.T. Queens English) que ele aprendeu sem dúvida quando estava em Oxford.

"Você é muito gentil, Jude!"  Mas se vira para Eliza para pedir.

"Ace of Spades Rosé, por favor, Elizabeth, esse ou outro", diz ela apontando o dedo para Eliza.

"É Eliza, Sra. Giovanni".

"Bem, vapt-vupt  Eliza!" ela bate palmas, repreendendo minha  assistente, em seguida volta-se para Jude novamente.

"Diga-me, a que você deve esse delicioso sotaque e essa sua aparência exótica? Eu poderia fazê-lo um dos meus modelos... isto se Ronan não se importar de se separar de você," ela ronrona.

"Minha mãe é sul-africana, uma mulher negra e meu pai é suíço, senhora."



"Delicioso. Essa pele bronzeada com esses olhos azul-esverdeados. Hmmm... A qualquer momento que você esteja pronto para dar esse passo... "

"Obrigado, Srta Giovanni. Mas, estou muito feliz aqui."

"Você pode sair, Jude." Eu ordeno a fim de salvá-lo de Lei verbalmente molestando meu jovem assistente gay. Ele balança a cabeça concordando e sai rapidamente.

"Ciao Lei,"  eu a cumprimento com um sorriso. "Eu não endosso suas tentativas de coagir ou seduzir meus assistentes para deixar o emprego. Você, mais que todas as pessoas, deveria saber bem, atualmente, que  eu não levo gentilmente quem rouba qualquer coisa de mim." Ela sabe. Eu perdôo, é claro... contanto que eu tenha a oportunidade de punir primeiro. Ela tira seus óculos de sol. Seus impecavelmente maquiados olhos castanhos brilham com entusiasmo. Eu levanto-me da cadeira, em seguida contorno minha mesa e fico diante dela.

"Talvez eu tenha esquecido o que você faz com aqueles que roubam de você. Eu poderia simplesmente fazer uma tentativa para que você possa me lembrar o que pode vir disso." Ela desafia.

"Meus assistentes são muito mais valiosos do que apenas desfilando na passarela", eu digo sentado na borda da minha mesa, meus braços cruzados. Ela me dá um olhar apreciativo da onda do meu cabelo ao meu torso, descaradamente olhando para minha protuberância abaixo do meu cinto, em seguida minhas pernas. Ela lambe os lábios em sinal de aprovação e estende sua mão. Eu a pego enquanto eu me aproximo para uma saudação completa e ela se inclina para os beijos em ambas as faces. Ela então a retira e se vira, dando-me uma visão de seu traseiro, em seguida senta-se em uma cadeira cruzando suas longas pernas, exibindo suas meias botas Manolo Blahnik atadas atrás, abertas nos dedos, atraindo os olhos para cima, para suas longas pernas bem torneadas.

"Eu não quero os dois. Você pode manter a garota. Eu não tenho nenhum uso para ela. É ele que eu quero", diz ela sorrindo. Eu sei exatamente o que ela quer: seu próximo brinquedinho.

"Ele é gay. Ele não seria de nenhuma utilidade para suas demandas pessoais".

"Nem mesmo um pouquinho? Hmmm. Pena," ela murmura.

"Eu tenho certeza que você não veio aqui para discutir Jude. Eu recebi o relatório mensal do seu gerente de negócios. Você está se estabelecendo bem no mercado americano e minha empresa ajudou a marca Lei a se firmar na América do Norte com novas estratégias de marketing. Então, a que eu devo a sua visita? "

"Eu não poderia ter sentido sua falta?"

Eu sorrio em resposta. Nós nos encontramos uma vez por semana, mas ela geralmente não vem ao meu escritório a menos que haja algo urgente. Nós dois sabemos que não é a razão. Eu balanço minha cabeça.

"Posso lembrá-la que você tem Lucas." Minha resposta faz com que ela faça uma cara entediada.

"Sim, ele oferece muito prazer. Como um submisso... " ela qualifica. "E eu estou me divertindo bastante, mas eu odeio introduzir os proverbiais virgens para a cena. Leva tempo para treiná-los adequadamente. Eu prefiro muito mais você." Sua admissão me surpreende.

"Isso nunca vai estar acontecendo, Lei."

Há uma batida na minha porta. Eliza entra com a champanhe gelada da Lei em um balde, juntamente com duas taças. Ela serve uma para Lei e olha para mim para ver se eu quero um pouco; eu balanço a  cabeça que não. Após a saída de Eliza, Lei vira para mim novamente.

"Eu sei! Eu cometi um erro enorme. Uma decisão errada," ela olha para mim com olhos suplicantes. A persona indiferente escorrega e por um momento eu obtenho um vislumbre da mulher que eu conheci antes da sua reforma total do corpo, quando eu tinha apenas dezenove anos. Clubes de sexo clandestinos têm clientes da melhor elite do mundo com muita renda disponível para garantir a privacidade, o prazer, os brinquedos e os corpos treinados que necessitam. Eu fui apresentado pela primeira vez a eles em Londres, enquanto eu estava em Cambridge frequentando a universidade.

"Lei, temos algo melhor acontecendo. Nós temos uma amizade valiosa, respeito um pelo outro, confiança, uma parceria de negócios extremamente bem sucedida na indústria da moda e uma compreensão um do outro. Eu me importo o suficiente com você e eu não quero mais do que isso. Nós somos muito tóxicos um para o outro de outra maneira. Nós dois sabemos disso."

"Isso foi antes. Você precisava ser forçado e era meu dever forçá-lo como sua Dominatrix. Eu não tinha percebido que era o seu ponto de rutura. Você nunca vai me perdoar por isso?"  Ela implora, o que cai em ouvidos surdos.

"Já fazem mais de cinco anos, Lei. Deixa prá lá," reitero. Regra número 1 em qualquer relacionamento BDSM é um conhecer os limites do outro e respeitar estritamente as palavras de segurança. No entanto, eu nunca usei a palavra de segurança para o meu limiar de dor, não importa o quão duro ela me puniu. Pedi-lhe para me empurrar para os meus limites na dor a fim de cobrir as cicatrizes antigas, para sentir que eu existo, que há vida dentro de mim, para ser merecedor do sentimento de auto-estima, para livrar-me da culpa da lembrança constante de que eu era a gravidez não planejada que levou meus pais a um casamento sem amor, para até mesmo ter o direito de sentir prazer.

Eu tinha uma regra fundamental: SEM COMPARTILHAMENTO! Ela perdeu a minha confiança me forçando a ser compartilhado com outra mulher. Eu nunca compartilho e eu não gosto de ser compartilhado. Mas, isso não podia ser a razão pela qual ela está aqui hoje, para encerrar um assunto que eu deixei prá trás há muito tempo.

"Eu me ofereci a você para fazer comigo o que quiser, Ronan. Pelo tempo que você desejar...  Mesmo assim você continua me punindo permanecendo apenas um amigo, nem mesmo amigo com benefícios, e nunca me tocando dessa forma ou me deixando chegar perto de seu corpo novamente." Ela toma um longo gole de champanhe.

"Mas isso teve um efeito duradouro, não teve? Fez você mais consciente das necessidades e limites de seus outros parceiros. Mas não é por isso que você está aqui. A única vez que você começou a ser “papa anjo” foi quando... "

A percepção me atinge. Eu levanto minhas sobrancelhas interrogativamente. Ela olha para mim com dor em seus olhos. É claro!

"O aniversário é amanhã", ela sussurra. "Se eu não tivesse as fotos dele, eu teria esquecido a forma do seu rosto, a maneira como ele olhava para mim. Eu já esqueci a sensação de seu corpo no meu." Ela se levanta de sua cadeira e anda impaciente.

"Doze anos! Esqueci tudo o que ele significava para mim exceto a dor de sua perda. Ela não vai embora!" Ela está falando sobre a morte de seu marido. Seu jato particular caiu há vários anos. Ela sobreviveu, ele não. Talvez seja por isso que ainda sou amigo dela. Ela foi capaz de amar tão profundamente. Talvez um de nós ainda tem uma alma, na verdade.

"Você viu seu psiquiatra?" pergunto preocupado.

"Sim", ela revira os olhos. "Eu gasto uma fortuna em terapia semanal. Basicamente eu pago a alguém para ser meu amigo sem me preocupar se ele vai escrever um livro Tell All (N.T. Conta Tudo, sobretudo o lado escandaloso dos fatos ou da vida de alguém) uma vez que ele assinou um NDA. A confiança é um bem caro nesta cidade," ela acena a mão. A maioria das pessoas bem-sucedidas estão no mesmo par de sapatos dolorosos. Os amigos reais são incrivelmente raros e traições são tão lugar comum, quase um clichê de Hollywood.

"Eu esperava que você tivesse tempo para mim esta noite, para jantar, talvez." Lei e eu temos um entendimento.

"Eu tenho uma reunião de negócios às dez da noite. Eu podia jantar antes."

"Ótimo! Onde é sua reunião?"

"Sayers Manor."

"Eu vou ter uma mesa reservada no Copa. É praticamente ao lado. Que tal às oito?"

"Ótimo! Eu não quero que você se sinta como se eu estivesse colocando-a para fora, mas eu estou colocando-a para fora. Eu tenho contratos para repassar."

"Por que pagar seus advogados dispendiosos se você tem que lê-los você mesmo?" Ela questiona.

"Controle, Lei. Você, entre todas as pessoas, deveria saber disso. Para lembrá-los quem manda em todos os momentos."

"Vejo você às oito, então."

Logo que ela sai eu chamo Jude.

"Sim senhor?"

"Eu preciso que você tenha certeza de que o meu advogado Whitaker vem ao Sayers Manor hoje à noite para executar os contratos. Eu também preciso que você esteja lá. Chegue o mais tardar 21:30h. A reunião começa às 22:00h".




As luzes fracas no Copa fornecem bastante privacidade e criam um ambiente confortável. Quando eu chego ao restaurante, Lei já está sentada. Dou-lhe um sorriso amigável e ela retribui.

"Boa noite, Lei!"

"Buonasera Ronan!" Ela levanta e se inclina para receber beijos em suas bochechas. Sua mão se conecta com o meu braço. Ela me libera e ambos nos sentamos ao mesmo tempo. O garçom corre para a mesa para perguntar o que eu gostaria de beber. Eu ordeno Châteauneuf-du-Pape Branco 2009 sem sequer olhar para a lista de vinhos.

Após o garçom sair correndo, ela me examina com um olhar avaliador. Em seguida, franze os lábios.

"Hmmm... ansioso, um pouco no limite, nervoso, e algo mais que eu não consigo identificar", ela enuncia suas descobertas com indiferença.

 "Negócios". Eu respondo um pouco bruscamente. O fato é que eu estou desapontado que a pequena Srta. Adler, a misteriosa Aphrodite, não estará no encontro desta noite. Este conhecimento e reconhecimento me surpreende. Estou carregando a pequena lembrança que eu recuperei em Cannes, esperando para devolvê-la ao seu legítimo proprietário no tempo devido.

"Nããão", ela cantarola, pensativamente. "Não é isso."

"Tudo bem, se você acha isso," eu digo com um sorriso brincando em meus lábios.

"Talvez você queira falar sobre ela." Ela sonda.

Se não fosse o garçom interrompendo com o vinho, eu teria uma expressão de surpresa no rosto.

Lei corre sua língua ao redor da borda dos lábios vermelho-prostituta. "Bem ... Como é o sexo?" pergunta ela com a mesma maldade de uma amante que tenha acabado de lhe dar um grande boquete e o garçom, cujo nome no crachá diz Kevin arregala os olhos e fica vermelho como a bandeira chinesa. Ele rapidamente serve o vinho, pega o nosso pedido e desaparece.

"Sexo em geral é sempre fantástico."

"Com ela... Eu penso que isso é além de suas expectativas se você está nervoso assim por ter de suportar uma noite nessa reunião de negócios em vez de estar com ela." Ela levanta suas sobrancelhas olhando para mim novamente como se o velho Ronan tivesse partido e estivesse sendo substituído por um clone.

"Você chegou a esta conclusão ridiculamente errada, como?" eu pergunto.

"Ah, Ronan, eu posso não saber os detalhes de sua atual..." ela tenta encontrar uma palavra que se encaixe em sua definição, "aquisição", ela qualifica com um sorriso malicioso tendo encontrado o substantivo certo, "eu conheço você, e eu definitivamente conheço esse olhar!"

"Que olhar seria esse?"

Ela se inclina como para fazer parecer que ela está me contando um segredo.

"Anseio".

"Anseio?" Eu pergunto surpreso. "Eu acho que você está deixando seus problemas não resolvidos com o seu falecido marido nublar seu julgamento, e você acaba atribuindo esses sentimentos para mim. Eu não anseio por nenhuma mulher." Eu acho que estou tentando me convencer mais do que a Lei da minha declaração. A Srta. Adler vai ser apenas uma diversão, uma aquisição. Isso é tudo.

Ela se inclina ainda mais e continua em um sussurro firme como se eu não tivesse dito nada. "Eu não acho que ela está satisfazendo todas as suas necessidades. Você tem necessidades que mesmo uma submissa muito experiente não pode preencher. É preciso a quantidade adequada de dor para receber a proporção final de prazer... "

Ela finalmente se inclina para trás deixando o resto de seus pensamentos permanecerem no ar, deixando-os afundar-se. O olhar dela vaga do garçom servindo vinho para os clientes na mesa ao lado. Como se ela não tivesse nenhuma preocupação no mundo; ela olha as flores sobre a mesa encontrando algo interessante nelas, em seguida, olha para a arte na parede. Eu sei exatamente o que ela está fazendo. É um jogo para o controle.

"Conte sobre essa mulher que eu não tenho. Então, talvez, quando eu realmente encontrar essa mulher eu vou reconhecê-la a partir de sua descrição." Meus braços estão cruzados e as sobrancelhas estão levantadas em desafio.

"Eu o conheço desde que você tinha 19 anos e nós fizemos tudo sob o sol. O seu tempo em Cambridge seria muito maçante se não tivesse sido pelo entretenimento que eu forneci nos fins de semana em Londres. Além disso, o que você aprendeu desde que você tinha 14, digamos, sobre a cena, só lhe deu dor e pouco prazer." Ela estava certa, é claro. Ela me mostrou que eu posso obter prazer sem culpa. O que eu tinha aprendido em Paris como um jovem adolescente perdido foi principalmente prejudicial para mim. Ela mudou para mim as marés. Eu não conseguia pensar em uma vida sem sua orientação. Quando me mudei para frequentar Harvard, para o meu MBA, Lei me seguiu para os Estados Unidos.

Ela continua a sua avaliação. "Por mais que você possa compreender a minha linguagem corporal, eu também posso entender a sua. Eu sei que não é qualquer uma com quem você foi fotografado nas revistas ou jornais. Eu não vi você com qualquer pessoa duas vezes. Isso significa que essas são apenas troféus. Tenho quase certeza de que você nunca foi fotografado com essa. Ela deve ser muito recente."

Lei e eu nos encontramos em um clube de sexo em Londres e ela reconheceu a autodestruição masoquista em mim. Sobreviver a um acidente de avião que matou seu marido a fez se afogar na culpa do sobrevivente e ela estava punindo-se por viver. Ela tinha perdido o amor de sua vida e eu nunca tinha conhecido o amor incondicional. De certa forma, nós salvamos um ao outro sendo um o que o outro necessitava no momento.

 Sempre à procura de maneiras de ter o controle final, eu não fui talhado para ser um submisso. No entanto, era talvez o que eu necessitava quando estava na minha adolescência. Sei que ela está tentando controlar minhas rédeas. É um jogo que eu tenho dominado.

"Lei", eu sussurro inclinando-me como se ela finalmente fosse ficar a par desse segredo. "Não existe tal mulher. Mesmo o comandante-em-chefe tem direito de ter algum nervosismo de vez em quando. Afinal eu corro grandes riscos e mais de sessenta mil postos de trabalho ao redor do mundo dependem de mim tomando as decisões de negócio certas. Não fique sondando porque você não vai conseguir nada que não seja irritar a merda para fora de mim! Salve-nos a ambos dessa miséria."

Ela revira os olhos.

"Pelo amor de Deus! Você está muito sensível hoje." Ela quer dizer outra coisa, mas ela restringe a si mesma e finalmente podemos retomar o nosso jantar em paz.

No instante que são 9:30h o meu assistente Jude me chama para me informar que ele já está aqui. Quando eu acompanho Lei para fora, a quente brisa da noite da Califórnia nos cumprimenta com um toque de salmoura do Pacífico. Eu entrego o ticket do carro de Lei para o manobrista. Dre está esperando por mim com olhos vigilantes, sempre alerta, sempre digitalizando a vizinhança. Enquanto nós estamos esperando pelo carro dela chegar, um táxi amarelo passa pelo Sayers Manor e pára entre o Copa e o Sayers. Eu não presto atenção nisso até que eu vejo o passageiro. A luz brilhante do Sayer bem como do Copa, suavemente refletem o longo cabelo loiro morango brilhante enquanto as ondas caem sobre seu vestido branco, quase idêntico ao que eu vi no iate em Cannes, abraçando suavemente cada curva de seu corpo. Ela se inclina para o táxi e paga, então se endireita. Como se ela sentisse a minha presença, ela se vira para nossa direção. Quando ela me vê com Lei, esperando o manobrista, seu reconhecimento de mim está escrito em todo seu rosto. Os olhos da Srta. Adler estão presos nos meus, quase num transe e eu acho que eu não posso afastar meus olhos para longe dela também.

Por que ela está aqui? Ela não disse que não viria, que não podia sequer pagar a taxa de consumação? Será que ela finalmente aceitou a oferta do produtor para um encontro? Eu sinto uma explosão de emoções me afogando, irrompendo em mim como uma onda: raiva, inveja, ressentimento, tristeza, medo e insegurança. O ataque deste coquetel de emoções tóxicas me surpreende. Eu não tenho nenhuma razão para me sentir assim! Oh porra!

Minha mente não pára de girar. Por que ela acaba de chegar em um táxi? Ela não tem carro? O taxi se movimenta e eu posso ver que o vestido é cerca de 12 cm acima do joelho. Ela está congelada em seu lugar, parecendo um cervo apanhado nos faróis, voltada para mim. Devo estar apresentando uma expressão de surpresa idêntica em meu rosto. Mesmo embora tenhamos conseguido quebrar a conexão, ela faz um esforço para virar de costas me dando um vislumbre do seu doce traseiro. A próxima coisa que eu ouço é a voz de Lei, trazendo-me de volta para o aqui e agora.

"É ela! Não é? É a sua nova mulher!" A voz dela é incrédula, atada com surpresa e algo mais. Esse algo mais é o mesmo sentimento que eu tenho em relação à Srta. Adler:  Ciume!  Merda!









25 comments:

Sandra Castro said...

Maravilhoso Emine, obrigada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Suzanne Bonifacio said...

Estou adorando ,obrigada , mas não demore tanto a postar, é muito bom.

Suzanne Bonifacio said...

Obrigada maravilhoso

Izabel Fernanda said...

maravilhoso adorei. posta logo o quarto capitulo

Melissa Machado said...

Estou adorando essa nova leitura da Emine. Ansiosa para o próximo capítulo

Melissa Machado said...

Adorando o novo livro da Emine. Já estou ansiosa pelo próximo capítulo.

Karina Reis said...

ESTOU ACHANDO QUE SERÁ BASTANTE INTENSO. APROVADA EMINE.
SINTO FALTA TAMBÉM DA CONTINUAÇÃO CHRISTIAN E ANASTASIA.

Rachel Martins Morais said...

Uauuu.... li os três capítulos em sequencia por que fui fisgada por essa estória Maravilhosa!!!
E claro ansiosa por Mais desse casal Ronan e Kayla.
Como sempre, primorosa escrita Emine!!!
Neusinha, obrigada mais uma vez pela tradução perfeita!!!
Bjos pra todas as Girls.
Kel

Ana Oliveira said...

lindo trabalho como sempre. lindas tenho saldade do cris e da ana quando sai o 8

Aldalúcia Pompeu said...

Estou gostando muito dessa nova história. JA estou anciosa, aguardando os próximos capítulos. Parabéns meninas. Emine e Neusa vocês são D +.

Priscila Pessotto said...

Que capítulo foi esse, que deixou um gostinho de quero mais?
Super ansiosa para o próximo.
Obrigada Emine por nos presentear com mais uma história maravilhosa.
Neusinha, obrigada pela tradução impecável.
Beijos meninas.

Daniela Moreti said...

Test

Silvia Ligieri said...

História tomando corpo. Emoções se aflorando.
Obrigada Emine! OBRigada Neusa!
Bjs bjs bjs

Deise said...

Quando virão novas histórias???? ansiosíssima...
Parabéns pelo trabalho Emine e Neusa

Luaninhah said...

Alguém sabe quando virão novos capítulos de MASQUE e do 5º livro de 50 tons?
Estão ansiosa pelos dois!

Luaninhah said...

Suas histórias são maravilhosas!
Já li todas vão vir mais capítulas de Pella?
Estou ansiosa demais!
Podia liberar de uma vez 50 tons o 5º livro.
Eu divulgo sua página para todas a minhas amigas!
Parabéns!

Vilma Aparecida said...

Olá!!

Apaixonada mais uma vez pela criatividade, capacidade e sensibilidade dessa pessoa iluminada com poder de nos transmitir tantos sentimentos até mesmo contraditórios de uma só vez como nos três primeiros capítulos dessa historia tão sedutora.
Como foi com PELLA, Christian&Ana esse não poderia ser diferente. Viciante, apaixonante e até dói esperar para ler mais sobre eles!!
Emine! Deus a ilumine e abençoe para que continue seu trabalho com saúde e sabedoria!

E a querida Neusa que tão bem nos conduz a esses sentimentos e sensações pelas mais belas palavras de nossa língua. A do amor.

Karina Reis said...

Grande expectativa pelos capítulos de Christian e Anastasia(mais profundo e criativo pela visão de Emine), e Masque, que começou já com muita intensidade, e sabemos que é grande o que vem a seguir.
Espero também pelo segundo livro de Pella(Ecos na Eternidade).
Amo tudo isso.

Karina Reis said...

Grande expectativa pelos capítulos de Christian e Anastasia(mais profundo e criativo pela visão de Emine), e Masque, que começou já com muita intensidade, e sabemos que é grande o que vem a seguir.
Espero também pelo segundo livro de Pella(Ecos na Eternidade).
Amo tudo isso.

Bruna silva tomaz said...

Oi emine estou ansiosa pelos próximos capítulos todos os dias entro no blog pra ver se tem capítulos novos ,estou encantada pelo ronan e kayla e claro aguardando o capitulo 4 os que mais viram e é claro não posso esquecer o Christian e Anastácia. Por favor nos tira desse tormento da espera.

Lya de Aquino said...

Amando o Ronan ������
Ele é uma mistura de Grey com Pella que resulta em um homem extremamente dominador e encantador. Aguardo ansiosamente mais capítulos dessa história incrível. Neusa sua tradução é impecável ������
Emine sua escrita é perfeita e sinto muita falta dela... Você desistiu da história do Grey?

Luaninhah said...

Emine , please get us out of this agony. Their stories are wonderful !
I look forward to more chapters Masque , 50 tones and Pella .
I walk every day on your page.
Thanks for the stories!

Bruno Silva said...

Neusa já viu que tem o capítulo novo?
Pf traduz rápido.
Já saiu o 2 livro do pela?ansiosa...
E ansiosa por mais capítulos do CG.
Obrigada por tudo

Bruno Silva said...

Neusa já viu que tem o capítulo novo?
Pf traduz rápido.
Já saiu o 2 livro do pela?ansiosa...
E ansiosa por mais capítulos do CG.
Obrigada por tudo

Bruno Silva said...
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