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Thursday, May 16, 2013

Livro II - Capítulo XXII - Christian Grey e Anastasia Steele



CAPÍTULO VINTE E DOIS
LONGO CAMINHO PARA CASA
Tradução: Neusa Reis

"Oh, meu Deus! O que fazemos? Christian?”

"Cale a boca e me deixe me concentrar!" Eu digo com firmeza para Ros.

"Eu estou assustada!"

"Ros,” eu a advirto, e a única resposta que recebo dela é um leve ruído choramingado. Seus olhos estão arregalados e sem foco, ela está tremendo como se tivesse acabado de entrar no Círculo Polar Ártico em sua roupa de baixo. Seus lábios estão se movendo e nenhum som está saindo. Ela está rezando.

É difícil controlar o Charlie Tango quando a cauda está quase inoperante. O sistema fenestron (N.T. sistema de rotor de cauda)  na cauda do EC135 é suposto ser um estabilizador melhor, em comparação com qualquer outro helicóptero de sua classe. Eles usam este helicóptero de resgate para situações extremas em toda a Europa, pelo amor de Deus! Este helicóptero tem capacidade para até sete passageiros e 2.900 kg! Além de Ros e eu, ele não tem uma carga pesada, então isto é positivo na nossa situação atual.



"Christian! Eu não quero morrer! Eu quero ir para casa, para Gwen! Por favor!” ela grita perdendo o controle. A fumaça é proveniente do sistema de ar condicionado, que eu prontamente desligo, para evitar a inalação.

Eu quero ir para casa, para Anastasia, também! Eu rapidamente dou um tapinha em  minha jaqueta, onde eu tenho a pequena caixa de presente. Essa caixinha no meu bolso é a única tábua de salvação que eu tenho, perto do meu coração, é a única ligação que tenho com Anastasia. O pensamento de não abraçá-la, beijá-la, amá-la nunca mais é agonizante, doloroso, torturante, rasgando a alma. O que é pior, algum desgraçado vai deslizar no meu lugar e abraçá-la e confortá-la quando eu for embora! Sussurrando palavras suaves em seu ouvido, segurando as mãos dela para confortá-la, apertando-a em seus braços. Esta é a maior tortura que eu já tive de suportar!

"PORRA NENHUMA!" Eu grito, e faço Ros saltar em seu assento. Estou mais determinado do que nunca em conseguir pousar esta ave. Eu olho para o altímetro, entre as luzes piscando e alarmes tocando. Ele ainda é muito preciso, graças a Deus! Eu concentro toda a minha atenção no meu painel de instrumentos, para avaliar o que está inoperante e o que posso fazer com as ferramentas restantes que tenho na mão, e tento recordar todo o meu treinamento de emergência.

As duas antenas de radar do altímetro estão localizadas abaixo do ‘tail bone’ (N.T. rotor constituído por um aerofólio rotativo na cauda de um helicóptero de rotor único). São usadas para aproximações de precisão. O fogo na cauda continua, eu não sei em que parte da cauda o fogo está, mas eu estou considerando que é no rotor. Uma graça divina pode ser que as lâminas da cauda estão instaladas de forma irregular, o que pode ajudar a ganhar alguns minutos de tempo. Eu preciso desviar minha atenção. Eu não quero entrar em pânico! Pânico seria mortal para nós dois e eu sou o único que pode voar isso! Como concentrar... Como concentrar.... Concentre-se!

"Ros!"

A resposta vem em um gemido incoerente.

"Ros! Faça-me uma pergunta!"

"O quê?"

"Concentre-se! Faça-me uma maldita pergunta!"

"Você está louco?"

"Não, ainda não! Preciso me concentrar e você também! Pergunte-me... pergunte-me..." Eu torturo meu cérebro, e uma lâmpada se acende, "Pergunte-me porque as lâminas da cauda são irregularmente colocadas no rotor!”

"O quê?"

"Você quer voltar para Gwen?"

"S... ii... sim ..."

"Então, porra, FAÇA isso!" Digo fazendo-a saltar no lugar dela. Ela olha para mim como se eu tivesse ficado louco. Preciso me concentrar! Ela precisa se concentrar! Meu cérebro funciona melhor quando estou multitarefa! Eu preciso me livrar do meu pânico.

"Sr. Grey, porque...” ela pára e geme e soluça. “Por que as lâminas no ... uhm ...”

"Rotor!"

"... No rotor estão colocadas de forma irregular?"

"Boa pergunta, Ros!" Eu digo, e ela dá um choroso 'que diabos' sorriso.

"Esses engenheiros alemães são tão fodidamente inteligentes!" Eu digo, enquanto eu puxo o joystick tentando ganhar altitude. Com minha voz tensa eu acrescento: "Veja você, eles pensaram que se você colocasse as lâminas igualmente isto criaria uma vibração harmônica ou campo harmônico que é muito penetrante,” eu digo, enquanto eu tento manter a velocidade, mesmo que os malditos motores tenham falhado, e o Charlie Tango está tremendo como se tivesse uma gripe!

"O que eles fizeram foi depois descobrir que, se você aumentar a distância entre as lâminas, isto criaria um nó – o que silenciaria a ressonância. Esse simples truque de cancelamento de ruído pode ser a única coisa que poderia salvar as nossas vidas hoje!” Eu digo em trêmula voz alta aguda, em razão da agitação do helicóptero afetar o meu discurso.

Esperança floresce em seus olhos. 

Uprising - Muse

"Sério, como?” Diz ela fungando.

"Porque, mesmo se eu perder qualquer uma das lâminas, as lâminas restantes ainda devem me ajudar,  estabilizando o helicóptero até o pouso. Uma vez que as lâminas estão encerradas numa cobertura  na cauda, se eu estiver para impactar, isto eliminaria a possibilidade adicional de ficar machucado, por que os estabilizadores na frente e as lâminas lá em cima,” eu digo apontando rapidamente para o teto, “não são tão longas como as lâminas dos outros helicópteros,  que podem eliminar a interferência adicional com o terreno. Você sabe,  bater em árvores e outros obstáculos como esses." Claro que isso é um pensamento esperançoso, contanto que a cauda não quebre. Eu posso ouvir a respiração forte de Ros nos fones.

Eu permaneço em silêncio e tento me concentrar,  e concentrar rapidamente.

Okay! Eu posso fazer isso! Eu posso fazer isso! Eu quero voltar para o meu amor! Eu quero ver Anastasia novamente! 

Break the Spell - Daughtry

O altímetro mostra 53 m e estamos descendo rapidamente e girando a um ritmo lento! Porra! Porra! Eu tenho que usar o estabilizador da aleta principal para elevação lateral, o que deve criar um puxão para a direita do helicóptero. Eu tenho um fodido vento de cauda que não está ajudando, e se eu puder estabilizar o giro e usar essa ajuda do vento,  posso apenas ter um impacto mínimo!

"Sr. Grey? Christian!”  Diz Ros em pânico.

"Ros,” eu digo engolindo. “Escute, eu tenho que tentar encaminhar o vôo para frente para usar o estabilizador principal, a fim de agilizar a aeronave."

"Oh, ok...” diz ela, enquanto ela violentamente enxuga os olhos com as costas das mãos.

"É uma aeronave relativamente pequena, como são os helicópteros, na qual eles colocaram um grande estabilizador vertical na parte de trás da cauda, para criar uma quantidade substancial de elevação lateral e estabilizar a aeronave em vôo,” eu digo para ela. E eu poderia muito bem falar com ela em sueco, porque é claro que ela não entenderia uma palavra do que estou dizendo, mas mantém a sua mente ocupada, e minha mente sem ser desviada, para se concentrar exclusivamente sobre o impacto iminente.

"Eles achavam que, se eles não tivessem tido uma falha catastrófica completa do fenestron,” ela faz um som agonizante com a palavra 'catastrófica',  “e se eu puder manter minha velocidade em torno de 130 km/h ou mais, a minha aeronave, teoricamente, deveria continuar a voar normalmente sem qualquer perda de controle".

"Sério? O que é fenestron?” ela pergunta tentando manter a esperança, e ocupar sua mente.

"É o sistema de rotor de cauda". (N.T. Um fenestron é um rotor de cauda, encoberto, de um helicóptero, que é essencialmente um ventilador canalizado. Enquanto rotores de cauda convencionais geralmente possuem duas ou quatro lâminas, fenestrons têm entre 8 e 18 lâminas. Estas podem ter um espaçamento angular variável, de maneira que o ruído é distribuído ao longo de diferentes frequências de sons e, assim, é mais silencioso. A caixa permite uma maior velocidade de rotação do que um rotor convencional, permitindo que tenham lâminas menores. O termo fenestron é marca registrada da Eurocopter.)

"Mas estamos pairando. Você não pode chegar a 130 km, mantendo a velocidade, porque você disse...” diz ela com os olhos marejados,  “...você disse que ambos os fodidos motores falharam!”

Eu seguro o joystick como se nossas vidas dependessem disso; bem, elas dependem... Eu tenho que ter dois pilotos automáticos. Se um falhar, o número dois automaticamente entra. Bonito, mas ninguém pensou na porra da falha dos dois motores pairando e em baixa velocidade. Então, eu tenho que usar minhas habilidades do planador para obter um mergulho para baixo, de 49 m de altura, com segurança! A não ser que eu possa criar um impulso para frente.

"Os filetes de ambos os lados da aeronave são supostamente para me ajudar a estabilizar Charlie Tango e ajudá-lo a voar em linha reta a uma velocidade de cruzeiro normal, que é de cerca de 220-230 km/h."

"Porra, Sr. Grey! Mas agora o seu pássaro parece ter perdido suas asas!”

Eu olho para o XM Weather Alive (N.T. Tempo via Satélite) para verificar o vento atrás de mim. Eu pressiono o botão do radar digital; isto me permite ver o mapa digital, assim, se eu puder simplesmente virar na direção certa, eu posso usar o vento de cauda para o nosso benefício. Meu EGPWS (N.T. Enhanced Ground Proximity Warning System ou Sistema Melhorado de Alerta de Proximidade ao Solo.) permanece ligado todo o tempo, o qual é um sistema de aviso de proximidade do solo, melhorado, projetado para alertar os pilotos se a aeronave estiver em perigo imediato de cair no solo ou bater em um obstáculo. É um sistema de reconhecimento do terreno. Agora estou procurando um lugar com o mínimo impacto na terra, e eu não consigo escolher.



(terreno)

"Sim e não, Ros! Cada motor aciona a transmissão e o rotor da cauda. Em outros helicópteros, há uma configuração diferente para dirigir o rotor de cauda. A beleza deste helicóptero é que, mesmo que eu perca ambos os motores, a transmissão vai dirigir o rotor de cauda através do fluxo de ar passando pelo rotor principal!” Eu digo enquanto meus dentes estão chacoalhando com o tremor do Charlie Tango.

"Porra, aleluia! Porque nós testamos tudo isso hoje! Nós perdemos os dois motores, e temos um fogo aceso na cauda! Seu pássaro está tremendo e chacoalhando como um terremoto em Los Angeles! Se você pode nos pousar apesar dos problemas, eu pessoalmente estou agradecendo estes fodidos engenheiros que planejaram antes!”

Eu gosto mais disto. Sou capaz de lidar com a raiva. Eu não posso lidar com nervoso, agitação, perda de controle, gritos, quando Charlie Tango está prestes a despencar! Eu tenho que manter o controle da aeronave e estranhamente, a raiva de Ros me leva a concentrar-me.

"Bem Ros, ambos os motores impulsionam a transmissão, a transmissão impulsiona o rotor principal mais o rotor de cauda, ​​e um motor vai fazer os dois trabalhos, e mesmo sem os dois motores,  a transmissão vai continuar funcionando. Em alguns helicópteros, se o motor para, o rotor de cauda para de girar. Não neste pássaro! Há uma razão pela qual eu paguei 4.6 milhões de dólares por ele!”  Assim, torna-se crucial para mim,  conseguir pousar este helicóptero logo, sem bater na porra do chão! Eu tenho que fazê-lo ir para frente e deixar o corpo do helicóptero fazer o trabalho.

"Eu realmente espero que eles tenham testado essas teorias, chefe! Se não fizermos isso com segurança, você pagou demais pelo seu maldito ‘chopper’! Eu quero voltar para Gwen! Não estou dizendo que nós não vamos conseguir isso, mas apenas para que você saiba, você tem sido o melhor porra de patrão que já tive. Você é um porra carrancudo, mas você é decente. Você é muito bom, chefe!” Diz ela fungando com sua voz rouca.

"Você realmente tem que parar de fumar, Ros!"

"Sério? Você está realmente me pedindo para parar a porra do cigarro agora? Porque eu quero fumar um maço inteiro, uma vez em terra, e eu não tenho um único cigarro comigo! Você não tem algo bom para dizer para mim, já que vamos morrer?” ela pergunta com os olhos marejados.

"Nós não vamos morrer!"

"Como você sabe disso,  porra?"

"Porque eu tenho uma namorada a quem eu fiz a proposta! Eu não quero outro filho da puta se movendo sobre ela, confortando-a, segurando sua mão, e abraçando-a, porque eu morri hoje, porra! Quero ouvir a sua resposta! Quero ouvi-la dizer "sim" para mim! Eu não quero José ou Ethan terminando por foder a minha namorada porque eu não estou mais aqui! Eu a amo! Ela é minha mulher!”

"Wow! Você realmente não é gay, chefe!”

"Ótimas notícias! O seu ‘gaydar’ está de volta, funcionando...”  Eu digo enquanto ela me dá um sorriso com lágrimas.

Ela resmunga alguma outra merda, mas eu desligo na minha cabeça a voz rouca de Ros. Eu quero voltar para Anastasia! Com os olhos de minha mente eu vejo seu lindo rosto, a intensidade de seus profundos olhos azuis, me olhando, e sinto seus braços me envolvendo. Eu quero voltar para seus braços, para seu abraço, seu beijo. Eu não quero morrer aqui hoje. Eu quero ouvir a sua aceitação de minha proposta de casamento. Eu preciso... Eu tenho que voltar para ela.

Eu empurro o acelerador.

"Ros, segure firme! Nós estamos indo para baixo a mais ou menos 130 km por hora de velocidade. Vou tentar controlar a velocidade nos últimos poucos segundos, mas é crucial para mim manter a aceleração, uma vez que os motores não estão funcionando, até chegarmos muito perto do chão, e então eu vou cortá-la!”

Ros só olha confusa.

"Ros!" Eu grito com firmeza, e ela pula em seu assento, como alguém entrando de volta em seu corpo.

"Sim,” ela responde choramingando.

"Olhe para mim! Nós não vamos morrer! Nós dois estamos indo para casa!” Eu digo, enquanto eu mantenho a velocidade, e olho para o terreno com a ajuda do EGPWS. Eu tenho que ficar tão próximo da terra quanto possível. Eu vejo isso adiante e viro o helicóptero, tentando estabilizá-lo usando o estabilizador vertical e deixando o vento me ajudar a empurrar o helicóptero na direção que eu quero ir.

"15 metros, Ros! Vamos descer rapidamente."


(Silver Lake)

Eu uso o estabilizador horizontal e o estabilizador vertical, e deixo o vento nos empurrar,  com o impulso restante da transmissão. Eu tento evitar as árvores, e localizar um lugar para pousar,  com um impacto mínimo. Eu vejo isso perto dos pântanos, um pedaço de terra livre de detritos, ou árvores e grandes pedras. Eu vejo o limite TOT (N.T. Turbine Outlet TemperatureTemperatura Exterior da Turbina) alcançado,  piscando no meu medidor FLI (N.T. First Limit Indicator), o Primeiro Indicador de Limite, por causa do fogo no meu rotor de cauda. E o porra do torque também está no limite, piscando na tela, pelo amor de Deus! E é claro que está no limite, não tenho potência no motor! Eu só estou funcionando na transmissão, conduzindo o principal e o rotor da cauda, ​​que a propósito está com o fodido fogo igual à porra da minha alma!

"6 metros!" Eu grito, para dar o alerta para Ros. Ela agarra os lados de seu assento.

Eu corto a velocidade de descida e deixo o rotor pegar sua energia restante para nos levar para baixo e uso o vento para ajudar o estabilizador a nos levar para o pouso, inteiros.

"2 metros para impactar!"

"Oh, por favor, Deus!" Grita Ros.

"Eu te amo com toda a minha vida, Ana! Eu sempre vou amar você,” eu sussurro. Eu posso sentir o giro do rotor principal parando completamente e batendo no chão como um terremoto 6.0 derrapando na grama.  Charlie Tango se inclina para o lado para a direita, e eu ouço as lâminas atingindo alguma coisa e um som de rotura, mas o impacto da lâmina ajuda o helicóptero a se inclinar para frente e cria uma força igual e oposta suficiente para manter o helicóptero certo, enquanto, finalmente, vem a parar, depois que o helicóptero se inclina para frente uma última vez e o peso da cauda puxa o nariz para cima. Nós balançamos em nossos lugares violentamente, com solavancos para frente e para trás, várias vezes durante o impacto. Minha respiração está nocauteada em mim. Eu não consigo respirar por um minuto, como se meus pulmões estivessem achatados como panquecas! Eu não sei se eu tenho costelas machucadas  ou quebradas, meu peito está doendo como se um exército de ‘Claudes Bastilles’ tivesse me dado uma surra! Meu pescoço está machucado porque o cinto o cortou. Uma pequena elevação no chão para o nosso movimento e a lâmina da cauda do helicóptero está tocando o chão,  enquanto o nariz dele está levantado no ar. Tento inalar respirações superficiais. Dói para respirar.

"Ros! Você está bem?" Pergunto, uma vez que eu consigo ter uma golfada de ar. Ela está com o nariz sangrando, cortes nos braços, abalada e sem respiração, mas de qualquer forma, viva. Graças a Deus! Ela olha para mim com olhos horrorizados, seu rosto está combinando com a cor do cabelo dela. Sangue está correndo de seu nariz e pingando sobre sua blusa. Ela o limpa com a parte de trás da sua mão, sem a menor cerimônia, borrando tudo sobre o rosto.

"Oh meu Deus, Christian! Pensei que nós íamos morrer! Eu pensei...” diz ela, engasgando com as palavras, começando a soluçar.

Eu desligo todos os componentes eletrônicos para evitar que o fogo se propague por todo o helicóptero.

"Ros, desafivele o cinto agora. Temos que sair!”

Eu desafivelo o cinto rapidamente, e salto de Charlie Tango e vou para a parte de trás do helicóptero, e abro as portas do compartimento da parte de trás da aeronave. Eu pego o extintor de incêndio e rapidamente apago o fogo no rotor da cauda. Meu coração está na minha garganta! Minhas mãos estão tremendo. Os últimos oito minutos foram os mais longos de toda a minha vida. Nos últimos segundos, eu pensei que nunca mais iria ver Anastasia novamente. Eu pensei que estava perdido para o mundo, e não estar no mesmo universo que  ela foi a dor mais insuportável que eu já senti...

Ros tropeça para fora de Charlie Tango e pisa na sujeira do chão. Saia lápis, e dez centímetros de saltos altos Jimmy Choo cravejados, não são destinados para ar livre. Ela caminha em minha direção, desajeitadamente, seus saltos afundando no chão. Ela olha para a fumaça da cauda com olhos perplexos, e vira os olhos para o resto do Charlie Tango. Seu olhar avalia a lâmina quebrada, a pequena cratera criada por Charlie Tango, a cauda tocando o chão, e a pequena coluna de fumaça após o incêndio da cauda ter sido apagado.

"Sr. Grey! Você realmente é um fodido talentoso piloto!” Ela diz, e com isto seus braços estão em volta de mim em um abraço,  enquanto eu estou com o extintor de incêndio, agora vazio,  na minha mão direita, em pé, sem jeito.

Eu dou tapinhas em suas costas com uma mão, e em seguida, esfregando meu pescoço com uma mão, meditando, eu digo: "Bem, eu tinha planos para o jantar, se podemos ir indo,  eu tenho certeza que posso encontrar uma maneira de chegar na hora certa.” Ela me solta e olha para mim sacudindo a cabeça.

"Eu realmente estava muito assustada. Eu nunca estive tão assustada na minha vida inteira, e você com suas maneiras carrancudas, talvez estranhas, você me manteve focada, Sr. Grey. Você sabia que o pensamento mais estranho que eu tive foi quando estávamos chegando perto do impacto?”

"Não diga..."

"Bem, eu li recentemente algumas informações sobre os maiores medos das pessoas. Você sabe,  eles fizeram um levantamento com muitas pessoas e voltaram com um número, um deles. Você sabia qual era o maior medo das pessoas?”

"Morte?" Pergunto estremecendo.

"Não! Isso é o que eu teria pensado. Foi falar em público! Morte foi apenas o segundo maior. Eu sempre odiei falar em público também. Mas, no último minuto, eu decidi que era um vínculo para mim.”

Eu olho para Ros com um rosto impassível.  “Bem Ros, embora ficar em pé diante de uma multidão para fazer um discurso não seja a minha coisa favorita a fazer, prefiro fazer a sua elegia do que estar no caixão qualquer dia."

Ros olha para mim com os olhos apertados, tentando me dar uma cara de desprezo, mas depois seu rosto se abre  em um riso catártico e, ela diz, "Idem, chefe!" Me fazendo rir também.

"Eu tenho um kit de primeiros socorros aqui, você pode querer limpar o sangue de seu rosto,” eu digo suavemente, indicando o rosto com a minha cabeça. Ela acena com a cabeça, e eu entrego-lhe o pacote, e ela limpa suas feridas com o algodão embebido em álcool.

"Precisamos pedir ajuda, Sr. Grey,” diz Ros depois de ajeitar-se.

"Nós não podemos usar o rádio. O impacto apagou quase tudo, e um monte de conexões estão quebradas. Eu posso estar me arriscando a ter outro incêndio se ligar o aparelho de volta; estamos sem extintor de incêndio. Assim, o rádio não é uma opção.”

"Eu tenho o meu telefone celular, mas, não podemos nem mesmo ligar para o 911, não há nenhum sinal no celular,” diz ela, me fazendo fazer uma careta. Nenhuma... Fodida... Maneira! Nós não podemos esperar aqui até que alguém descubra que estamos perdidos. Estamos longe da estrada do caminho de volta. Até o momento em que começarem a perceber que estamos perdidos, e procurarem por nós, poderia levar até mesmo um par de dias para nos encontrarem! E eu preciso voltar para Seattle, ou o filho da puta do José estará todo grudado na minha namorada, como um par de calças com estática!

"Porra! Eu não tenho cobertura, nenhuma!”  Eu digo descontente.

"Não devemos esperar? Taylor sabe que somos supostos estar no nosso caminho de volta.”

"Nós não podemos esperar, Ros! Porque, eles podem levar muito tempo para nos encontrar, e  vai ficar escuro. Tenho certeza que você não quer passar a noite no descampado. Além disso, não temos comida, e apenas um litro de água para nós dois. Vai levar tempo para que eles nos encontrem. Nós não sabemos como vai ser o tempo, e se chove, eu não quero correr o risco de estar nos elementos, vendo como Charlie Tango está sentado em um ângulo de quase 45 graus.”

"Sr. Grey! Você é Christian Grey! Você acha que eles vão levar todo o dia e toda a noite para encontrá-lo? Eles podem enviar um helicóptero para procurar por nós...”

"Isso supondo que eles saibam que estamos perdidos. Eles não vão saber até o final do dia, e vai estar escuro. Há muito pouca chance, para qualquer um, de encontrar-nos no escuro. E nós vamos estar em todos os noticiários de amanhã. Eu não quero esse tipo de publicidade. Qual a carga que você tem no seu celular?”

"Cerca de 75%."

"O meu está quase 90. Nós vamos usar o seu primeiro para guiar-nos para a estrada com o GPS, e nós vamos tentar convencer um motorista a nos levar de volta para Seattle. Quanto dinheiro você tem?”

Ela escava em sua bolsa, e conta tudo.  “Eu tenho cerca de 278 dólares comigo."

Eu verifico minha carteira e vejo que tenho 325 dólares. Ok, entre nós dois, temos 603 dólares. Isso deve subornar alguém para nos levar de volta a Seattle, uma vez que encontremos o caminho.

"Leve apenas sua bolsa e telefone celular, iremos caminhando. Se ficarmos, nossas baterias de telefone irão se esgotar, e não teremos a navegação. Agora, pelo menos, podemos usar o GPS do telefone até que a bateria se esgote. Então poderemos chegar a uma estrada,” eu digo.

"Você tem alguma comida, Sr. Grey?"

"Não,” eu digo a ela,  minha boca em uma linha reta. Com que eu pareço, 7-Eleven? Eu não estou aberto  a noite toda! Eu não carrego um estoque de lanches comigo. (N.T. 7-Eleven é uma marca internacional operadora de lojas de conveniência. Ela é desde Março de 2007, a maior cadeia de lojas em todas as categorias, estando na frente do McDonald's por 1.000 lojas)

Ela escava em sua bolsa e diz: "Eu tenho uma barra de chocolate. Acho que vou ter que compartilhar isso até encontrarmos alguma coisa.”

"Tudo bem. Deixe-me ver o seu telefone celular,” eu digo, e ela entrega a mim.

Eu ativo seu GPS e localizo nossa posição no mapa.


(Silver Lake mapa)

"Aqui é onde estamos,” eu digo apontando para o mapa em seu telefone celular.” Perto do lado sudeste do lago. Precisamos chegar a uma estrada, onde vamos tentar parar um carro, carona, o que for preciso, e ver se eles podem nos levar a Seattle,” eu digo traçando uma rota com meu dedo.

"A estrada principal mais próxima seria Sprit Lake Memorial Highway, de modo que este é o nosso destino. Nós vamos encontrar um caminho, e manter a direção norte para chegar a Sprit Lake Memorial Highway," eu digo. Ela olha para os saltos quase em ruínas, e suspira.

"Ok, chefe. Lidere o caminho,” ela responde.

*****

Eu seria o primeiro homem a admitir que eu amo sapatos de salto alto em uma mulher; a minha mulher em particular. Eu acho que é uma dos mais sexy, mais femininos itens que uma mulher deveria manter como parte de seu guarda-roupa. O mesmo vale para as saias lápis. Há algo muito feminino sobre elas, a forma como abraça as curvas de uma mulher, e molda seu corpo. Mas, eu preferiria ver Ros em chinelos e num saco de batatas, agora, do que com os saltos altos e saia lápis. Eu olho para eles com desgosto. Eles estão nos desacelerando demais, e eu quero chegar a casa para Anastasia. O tempo está passando, e estamos caminhando há mais de três horas! A água se foi, Ros está reclamando sobre como os sapatos a machucam, e eu estou frustrado com a velocidade de caracol com que estamos caminhando! Sua saia lápis é apertada, e agora eu os acho aborrecidos e inconvenientes.

"Honestamente, Ros! Eu estou pronto para tirar seus sapatos e despejá-los na fonte de água mais próxima! Eles estão nos atrasando. Estou disposto a tirar os sapatos e deixá-la usar os meus. Vamos então andar mais rápido! Já que estamos numa estrada asfaltada, eu vou andar com minhas meias até rasgar ".

"Sr. Grey! São Jimmy Choos de 2.500 dólares!”  Qual é o problema com as mulheres e seus sapatos, mesmo em apuros?





"A maneira como eles estão nos atrasando, eu não iria pegá-los, nem grátis, do próprio Choo!"

"Estou surpresa que nenhum carro está passando por aqui. Será que ninguém vive nesse caminho?”

"Eu não sei. É fora dos caminhos usuais, mas vamos em breve chegar à rodovia, no entanto," eu digo, olhando para seus sapatos e seus pés inchados, “pode demorar um pouco ainda. Minha oferta sobre os sapatos permanece.”

"Tudo bem! Vou pegar sua oferta, mas, você não pode atirar os meus bebês! Eu vou tê-los todos limpos, e eu odeio vê-los todos desarrumados, na sujeira e imundície e poeira.”

Nós finalmente paramos, eu tiro meus sapatos, e Ros tira fora seus saltos, e limpa um pouco a sujeira, cantando baixinho: "meus filhos, a mamãe vai deixar vocês todos limpos!"

"Porra, Ros! Eu não quero ouvir você falando com seus sapatos como se fossem cachorrinhos! Está levando para longe sua imagem de esmagadora de bolas".

"Sr. Grey, você sabe quantas bolas esses bebês podem esmagar?” Diz ela esfregando as mãos suavemente sobre a camurça de seus sapatos.

"Além do mais, isso é parte do meu disfarce. Se eu estivesse andando na minha vassoura o tempo todo, eu assustaria a todos. Até mesmo a Srta. Frosty usa melhores saltos. Não me diga que a sua garotinha não coloca um par de saltos!” Diz ela sorrindo.

Eu dou-lhe o meu rosto impassível com os olhos glaciais como resposta. Ela levanta as mãos em um gesto de desistir. Eu entrego os meus sapatos para ela, e seus pés nadam neles.

"Gzuis, Sr. Grey! Qual o tamanho dos sapatos que você usa?”

"45,” eu respondo sem rodeios. Ela sorri, balança a cabeça, mas não diz nada.


Ela leva os saltos em suas mãos, um em cada uma, a bolsa pendurada em seu ombro. Eu levo seu celular guiando-nos para a autoestrada. Eu tiro minha jaqueta porque estou ficando quente e suado. Seu celular está no vermelho, a bateria está se esgotando. Eu rapidamente memorizo o caminho e a direção que devemos tomar, antes que sua bateria se esgote. O meu não está melhor. Ainda sem sinal. Este é o pior dia da minha vida! Taylor era para ter ido visitar sua filha hoje, depois de me pegar. Sua ex lhe disse que sua filha tinha apendicite. Coisas ruins vêm em três dizem. Acidente de Charlie Tango, a filha de Taylor, e eu me pergunto qual seria a terceira. José!

Eu tenho um renovado senso de determinação. Nós dois estamos suados, empoeirados, sujos e lamacentos. O sol está ficando baixo. Vai ser o pôr-do-sol em breve. Temos que chegar à autoestrada. Eu só quero chegar a casa para Anastasia, e me perder nela. Eu tenho que vê-la. Eu quero me sentir vivo, e não há nada que me faça me sentir vivo como Anastasia. Eu quero ir para casa, espalhá-la e amá-la até que ela suplique pelo meu pau, nos empurre para nossos limites, e tê-la me abraçando até que eu sinta a minha alma em mim!
"Sr. Grey, a estrada!” Grita Ros tirando-me de meus devaneios.

"E agora?"

"Agora vamos acenar para um carro de passagem, disposto a nos levar para casa."

"Não tem nenhuma carga na bateria do meu celular?” Ela pergunta.

"Não, seu celular morreu há mais de meia hora atrás. O meu está piscando em vermelho, e nenhum fodido sinal. Não vai durar mais que alguns minutos," eu digo amargamente.

"Que horas são?"

"6:09. Temos mais que encontrar um veículo para nos levar para Seattle. Ninguém iria querer levar-nos no escuro. Você não sabe o que se esconde na noite, por isso, as pessoas se incomodam com  estranhos na estrada.”

"Vamos caminhar ao lado da estrada."

"Em que direção, Sr. Grey?"

"I-5 é nesta direção,” eu digo apontando a estrada. Então, essa é a direção que queremos ir. Alguém indo em direção a I-5 poderia estar disposto a nos levar. Temos 600 dólares. Poderia ser tentador para alguém,  por um desvio de duas horas."

Começamos a caminhar na beira da estrada, e não há muitos carros que passam em nossa direção, e os dois que apenas passaram por nós sem parar, foram acelerando como se eles estivessem sendo perseguidos pelos cães do inferno. Andamos cerca de cem metros estrada abaixo, e ouvimos os rangidos dos freios e de vapor que está sendo expelido para fora de um equipamento grande. Um veículo com dezoito rodas pára ao nosso lado, e da janela abaixada, um homem de meia idade, com barba de uma semana, com um boné John Deere, enfia a cabeça para fora da janela.


"Olá estranhos. Precisam de uma carona para algum lugar?”

Ros e eu paramos de imediato. Graças a Deus!

"Sim. Nós tivemos um acidente vários quilômetros atrás, e nós estamos tentando voltar para Seattle. Ficaríamos em dívida para sempre, se você puder nos dar uma carona. Nós poderíamos pagá-lo pelo seu transtorno, é claro,” eu digo.

"Nenhum problema de todo, homem. Parece que você andou um longo caminho. E você não tem nenhum sapato. Deu-os a sua pequena dama , não é? Suba!”

Abrimos a cabine do caminhão e eu ajudo Ros a entrar. Entrego-lhe os sapatos de salto alto, e sua bolsa, então eu escalo dentro.

"Obrigado, meu homem! Eu sou Christian, e esta é Ros ".

"O nome é Len. Len Mattson, de Dakota do Sul. Vocês parecem ressecados. Vocês estão com sede?”

"Sim!" Ros pula dentro:  "Você tem lanche ou algo assim? Nós não tivemos nada para comer durante todo o dia, desde o café-da-manhã. Podemos pagar-lhe pela comida.”

"Não há necessidade disso, mocinha. Deixe-me sair para uma parada lateral para ficar seguro, e nós vamos comer o jantar. Eu tenho um pouco de carne de sanduíche e algumas guarnições. Nós podemos fazer sanduíche de peru ou de carne assada. Eu vou compartilhar com vocês. Tenho que manter a minha silhueta de menina, você sabe,” diz ele brincando e acariciando sua barriga grande, que parece que ele deveria ter dado à luz um bebê de cinco quilos no mês passado.

Em uma saída do lado da estrada, Len, o caminhoneiro, para.

"Eu instalei uma caixa adicional de armazenamento abaixo. Eu tenho um refrigerador lá. O que você prefere, eu tenho água e Pepsi? Eu vou fazer os sanduíches, você toma o que você gosta.”

"Eu vou tomar água, e uma Pepsi, se você tiver uma extra, eu com certeza preciso da cafeína,” diz Ros.

"Eu só vou tomar água, Len,” eu digo.

Len vai para baixo e, por trás, ele anda surpreendentemente ágil, apesar de sua pança considerável. Dez minutos depois, ele está de volta com sanduíches e bebidas para nós.

"Eu não faço antes  os sanduíches. O pão fica encharcado. Eu os faço na hora de comê-los,” diz ele.

Eu olho para Ros, e ela concorda.

"Len, uma vez que, você estará nos levando para Seattle, e você está compartilhando seu lanche conosco, por favor, permita-nos pagá-lo."

"Filho, deixe fora o seu dinheiro. Ele não é nada bom aqui. Além disso, minha pequena dama, Evelyn é o nome dela, arrancaria meu couro por não mostrar bondade para com estranhos. Nós não fazemos isso em Mitchell ".

"Confie em mim, eu posso dispor disso,” eu digo.

"Bem, bom para você, filho. Eu posso dispor desta bondade. A gentileza não está morta, não em Mitchell, Dakota do Sul,” diz ele sorrindo, e toma um gole de sua Pepsi.

"Obrigado,” eu digo, completamente impressionado com a bondade deste estranho.

"Len, por acaso você teria um telefone celular?"

"Não, meu jovem,” diz ele rindo.   “Você vai achar isto estranho, mas eu nunca tive um desses. Estou tentando cortar o excesso de todas as despesas para o meu filho,” diz ele com um brilho em seus olhos com a menção de seu filho.

"Oh, que ruim! Nossas baterias de telefone celular estão mortas, e minha namorada deve estar preocupada comigo. Eu não liguei para ela.”

"Vocês dois não estão juntos?” Ele pergunta, curioso.

"Não!" Nós dois dizemos em uníssono.

"Ela trabalha para mim,” eu digo, e Ros acrescenta: "Eu tenho uma namorada, também."

Len quase engasga com o seu sanduíche.

"Você é o que o Reverendo Walsh disse que você é, como Ruth e Naomi!"

"Eu nunca fui acusada de qualquer coisa nesse sentido, mas, quem é Ruth e Naomi?"

"Para dizer a verdade, eu não estava prestando muita atenção quando ele estava falando sobre isso. Eu estava calculando as contas na minha cabeça, mas não diga isto a Evelyn, ela é uma mulher de Deus, ela é.”
"Eu prometo, eu não vou dizer uma palavra,” diz Ros.

"Eu não a estou julgando, entende. Eu sou um pecador eu mesmo, todos nós somos. Eu só não entendo esses sentimentos de que você fala. Mas, minha senhora, os homens têm muito mais a oferecer. Você sabe o que eu quero dizer?” Diz ele com curiosidade genuína.

"Bem, eu aprendi isto na terceira série, quando Jimmy Simpson estava concorrendo para presidente da classe. Seu lema era ‘vote em mim e eu vou lhe mostrar meu pipi’. Eu votei nele por curiosidade. Mas, eu não estou interessada no que eles têm para oferecer. Nunca estive.”

"Não me diga! Curioso, apenas curioso. Deixe-me perguntar-lhe isto, senhora. Este Christian aqui é um jovem de boa aparência. Você não vê nada nele? Nem mesmo uma pequena faísca?” ele pergunta se inclinando, ele parece que ele está tentando resolver um problema difícil de matemática.

"Nenhuma coisa. Sem ofensa, Christian,” diz ela virando-se para mim. “Embora eu saiba que muitas mulheres babam em cima dele. E, além disso, ele tem uma namorada que ele ama,” diz ela dando uma grande mordida em seu sanduíche de peru. “Ruth e Naomi são as lésbicas locais?” Ela pergunta curiosa. Len ri da sua pergunta.

"Não, senhora, elas estão na Bíblia."

"A Bíblia tem lésbicas nela?"

"Eu não estou dizendo se tem, ou não tem. Eu não sou um homem muito educado. Estou apenas repetindo o que o reverendo disse. Poderia ser muito barulho por nada. Você vê, e eu tenho que admitir que eu não estava escutando tudo isso bem, ele pode ficar chato, você sabe. Bem, ele disse que Ruth era a nora de Naomi. Ela teve outra nora, Orpah, que é de onde Oprah recebeu seu nome, você sabe que a senhora minha esposa vê um monte de Tee Vee,” diz ele enfatizando.

"De qualquer forma...” ele diz e eu interrompo.

"Len, é possível dirigir, e contar a história? Eu realmente tenho que ir.”

"Oh, yeah, yeah!” Ele diz e liga o caminhão, dirigindo para a rodovia.

"Aqui está a coisa,” diz ele, como se eu nunca tivesse interrompido. “Alguma coisa acontece e os maridos morrem, de Ruth e de Orpah, quero dizer. Ruth continua com sua sogra, e o reverendo disse que Ruth se apegou a Naomi ".

"Quer dizer que ela ficou com ela?"

"Sim, mas a forma como o reverendo disse que era alguma palavra em hebraico, aparentemente usada da mesma forma que Adão apegou-se a Eva na Gênesis".

"Que palavra é essa?"

"Pequena dama, eu mal consigo falar minha língua bem o suficiente, agora você está me pedindo uma palavra em hebraico. Mas quando isso acontece, eu me lembro dela, porque ela meio que soou como Dubuque, Iowa, onde eu tenho o meu primo Marcos, onde ele é dono de uma mercearia. Lindo lugar. De qualquer forma, a palavra era ‘dabaq', porque soava como Dubuque, e eu perguntei ao reverendo se era soletrada dessa maneira, e ele soletrou para toda a congregação, o que foi muito legal da parte dele. Mas, depois do sermão, a Sra. Shubert sussurrou para minha pequena dama Evelyn que o reverendo pregou aquele sermão, porque descobriu que sua sobrinha favorita Margie,  nunca saiu com um garoto, nem mesmo com o zagueiro do time de futebol, que estava secretamente admirando Reese Jacobsen!”

"Quem é ela?” Perguntou Ros.

"Uma garota de sua classe do ensino médio. Mas Reese se casou com Jonny Griffith, e tem dois lindos meninos. Ela não é assim.”

"É uma cidade pequena, talvez a sobrinha do reverendo não encontrasse o que estava procurando por lá."
"Acho que sim, senhora. Mas de qualquer forma, esse é o rumor. Até este dia, eu nunca soube por que o reverendo deu aquele sermão. Mas ele simplesmente deixou assim, e deixou ferver em fogo brando e disse que era curioso que a palavra 'apegar' estava lá nesse contexto, e ergueu as sobrancelhas espessas, e sendo irlandês, você não pensaria que ele teria aquele tipo de sobrancelhas grossas, mas ele fez, no entanto, e eu nunca esqueci aquele sermão. Então, aí está.”

"Então, Ruth e Naomi eram lésbicas?"

"Essa é a coisa curiosa. Naomi casou-a com Boaz, um parente homem distante. Naqueles dias, se você fosse uma viúva, a vida era dura,  senhora. Então, você tinha que ter um marido.”

"Talvez elas fossem apenas amigas próximas. Às vezes, os amigos são mais próximos do que parentes.”

"Talvez você esteja certa, senhora. Nós não temos nenhuma maneira de perguntar-lhes de  qualquer maneira. Eles já se foram faz muito. Talvez elas fossem apenas muito leais uma com a outra.”

"É provavelmente um pensamento positivo em favor do seu reverendo."

"Não importa o que fosse, eu não vou julgá-la, senhora. Aquele é o lugar de Deus, e não quero brincar de Deus. E, além disso, eu tenho um filho deficiente que a minha pequena dama está cuidando em casa. Quem sabe o que eu fiz e Deus está me punindo por isso...” ele diz tristemente.

Eu estreito meus olhos.

"Por que você acha que Deus está punindo-o com uma criança deficiente?"

"Oh, não! Ele não é uma decepção. Ele é o garoto mais doce que você pode esperar ter. Ele tem quinze anos agora, mas um pai quer que seu filho jogue futebol na equipe, e eu gostaria de levá-lo em uma viagem comigo. Mas, ele tem esses ataques e os médicos nunca descobrem o que ele tem. Evelyn, minha pequena dama e eu o levamos de médico em médico, e ele não está ficando melhor. Eu hipotequei este equipamento para poder cuidá-lo, mas, o dinheiro se foi e nenhum resultado,” diz ele preocupado.

"Porque você acha que isso é um castigo?"

"Filho, olhe para mim! Eu tenho 55 anos de idade. Essa é a criança que tentamos ter durante anos e finalmente tivemos, e ele tinha esses problemas. E agora, eu não consigo curá-lo. Eu devo ter feito algo de errado quando eu era mais jovem, porque eu sou uma decepção como pai. Você quer ser capaz de prover sua família e corrigir seus males, e eu não sou capaz de fazer isso. Aquele garoto merece um pai melhor do que eu,” diz ele sacudindo a cabeça.

"Qual é o nome dele?" Eu me vejo perguntando.

"Trevor,” diz ele com orgulho. ”O mais doce  jovem que você já conheceu, exceto sua presente companhia. Evelyn dá classes domiciliares para ele, porque não quero que ele seja provocado na escola, se ele tiver um de seus episódios. As crianças podem ser cruéis, e você sabe como é para os adolescentes,” diz ele.

Eu sabia muito bem como era ser diferente.

"Eu acho que o seu filho tem sorte de ter o melhor pai que há para ele,” eu digo para Len enquanto Ros me olha com curiosidade.

"É gentil de sua parte dizê-lo,  jovem. Diga-me, qual o tipo de acidente que você teve, afinal?  Onde está o seu carro?”

"Nós não tivemos um acidente de carro. Tivemos um acidente de helicóptero,” eu digo de modo natural.

"Não me diga! Bem, então Deus realmente deve amá-lo, jovem,” diz ele para mim, e se vira para  Ros, e acrescenta:  "...e a você, jovem para poupá-la para aqueles que a amam!”

"Sim, nós somos muito sortudos,” acrescenta Ros em voz baixa.

Na distância eu posso ver a silhueta familiar da cidade de Seattle, e meu coração cambaleia com excitação de ver Anastasia novamente.

"Bem, estamos chegando perto de casa, crianças,” diz Len com empolgação, enquanto o caminhão se desloca na estrada, balançando sua barriga de tamanho exagerado.

"Nós vamos deixá-la em casa primeiro, jovem. Olhando para o tamanho desses saltos, você pode querer mergulhar os pés em um pouco de sal Epsom. Eu não sei como vocês meninas da cidade andam nesses sapatos. Eu ia tropeçar e quebrar minhas costas!” Diz ele rindo.

"Bem, Len, então eu estou feliz que isto caiu na minha sorte e não na sua,” ela ri de volta, feliz com a perspectiva de chegar em casa.

"Nossas casas estão muito próximas uma da outra, na verdade, Len,” eu digo.  “Você precisa ir para o centro de Seattle. O meu é um grande edifício chamado Escala, você não pode errar. Ros está quase em frente a mim.”

"Curta distância, né?"

Eu rio de sua avaliação.  ”Você pode dizer isso."

"Você tem que me dirigir ao edifício onde você quer que eu vá, moça,” Len diz a Ros.

Quando nos aproximamos do edifício de Ros, eu posso ver alguns fotógrafos esperando em torno de seu prédio. Ros e eu nos perdendo não era um segredo, aparentemente. A notícia vazou. Eu olho para Ros.

"Você poderia querer chamar Andrea para mim, e tê-la em contato com o PR e fazer uma declaração dizendo que estamos bem, e nada para se preocupar. E se vazou ela pode ter que entrar em contato com meus pais. Eles podem querer saber,” eu digo.

"Podem? Filho, você não é um pai, eu suponho, mas qualquer pai gostaria de saber que seu filho está bem, especialmente se ele teve um acidente. Eles devem estar preocupados! Deixe a sua mãe e seu pai saberem que você está bem,” diz ele.

"Eu vou fazer isso,” eu digo dando um pequeno sorriso a seu favor.

"Nós realmente agradecemos por toda sua ajuda, Len! Olha, nós temos 600 dólares entre nós dois agora. Tem certeza que você não quer? Você pegou um desvio, e compartilhou sua comida com a gente. E você poderia usar o dinheiro para seu filho."

"É gentil de sua parte, filho, mas, Evelyn arrancaria meu couro se eu fosse pago por um ato gentil. Se você alguma vez voltar na nossa vizinhança, Mitchell, Dakota do Sul, me procure, Len Mattson, ou se eu estiver na estrada, minha Evelyn adoraria ter vocês.”

"Obrigado. Estamos em dívida com você,” eu digo para ele solenemente e bastante surpreso com a bondade de um estranho.

Ros aponta para seu prédio, e nós a deixamos.

Eu indico meu prédio para Len e ele para o caminhão na frente do Escala. Ele está surpreso, assim como eu,  com o pequeno exército de fotógrafos do lado de fora.

"As notícias de você se perdendo estão soltas, então, filho,” diz ele estendendo a mão. “Você deve ser um homem importante por mérito próprio."

"Obrigado, Len. Eu não vou esquecer sua bondade.”

"Ohh, não pense nisso,” diz ele timidamente. “Chame sua mãe, agora. Vejo você por aí, filho,” diz ele, e eu aperto sua mão. Eu desço de pés descalços, minhas meias, meus sapatos que Ros entregou a mim antes que ela saísse, e minha jaqueta na minha mão.

Eu aceno para Len quando ele vai embora sorrindo.

"Sr. Grey! Sr. Grey! John Brattell do Seattle Times. Você tem uma declaração para nós, senhor?”

"Sr. Grey, é verdade que o helicóptero caiu?”

"Sr. Grey, existe alguma  vítima no seu acidente, senhor?”

"Sr. Grey! Sr. Grey! A notícia de seu helicóptero se perdendo está em todo lugar. Como você se salvou, e como você chegou a casa?”

"Meu escritório fará um comunicado oficial. Boa noite, senhores,” eu digo, enquanto Steve o porteiro abre a porta, me permitindo entrar, e fechando-a logo em seguida.

"Boa noite, senhor. Fico feliz que você chegou a casa,” diz ele acenando com a cabeça.

"Eu também,” eu digo, sorrindo estranhamente.

Eu aperto o botão de chamada dos elevadores no saguão. Parece uma eternidade até o elevador  chegar até ao saguão e abrir. Estou nervoso que José e Anastasia estão sozinhos no apartamento. Eu odeio a idéia de outro homem sozinho com ela. Estou me contorcendo de ciúmes agora. Mas eu tenho saudades dela além do imaginável. Ela soube que eu estava desaparecido? Será que ela se preocupou comigo? Eu só quero abraçar a minha garota, e... Eu não pude nem mesmo terminar o resto do pensamento. As portas do elevador se abrem, e eu entro segurando minhas meias, sapatos e a jaqueta em minhas mãos. Eu marco o código, e a porta do elevador se fecha. Os segundos não passam rápido o suficiente, para mim, para alcançá-la. Meu coração dá uma guinada para a minha garganta. Eu poderia ter morrido hoje, e deixá-la para trás. Isso tinha despertado algo em mim. Quero reafirmação da vida, eu quero beijar, e amar e senti-la. Na verdade, eu quero foder o inferno fora dela esta noite. Inferno, eu quero amá-la, ser carnal, ser primordial, estar dentro dela, sobre ela, em volta dela... Basta estar com ela. Preciso dela como eu preciso da minha próxima respiração!

À medida que o elevador chega a minha cobertura, e as portas abrem, estou boquiaberto com a grande multidão reunida dentro do meu apartamento. O que todos eles estão fazendo aqui?

Eu ouço o  grito da minha mãe, como se seu coração estivesse sendo rasgado fora, com o meu nome em seus lábios:

"Christian" como se ela estivesse chamando pelo seu filho perdido. A próxima coisa que eu vejo é a minha mãe correndo, não na minha direção, mas para mim, desgraciosamente e apenas se chocando em meu corpo como um linebacker strongside (N.T. Futebol americano - Linebackers são membros do time de defesa e se posicionam pelo menos 4 metros atrás dos homens da linha defensiva) na Superbowl Sunday como se ela estivesse pronta para enfrentar o ‘running back’! (N.T. Running back (RB) é uma posição do futebol americano e canadense que normalmente se alinha no campo ofensivo.) Eu só tenho tempo suficiente para largar meus sapatos, meias e minha jaqueta no chão, para pegar minha mãe e me firmar. Ela joga os braços em volta do meu pescoço e beija meu rosto uma e outra vez como se eu voltasse dos mortos. E, estranhamente, não sinto nenhuma apreensão por ela me segurando assim embora ela nunca fez isso ou me demonstrou esse tipo de emoção.

"Mãe? Você está bem?” Pergunto desconcertado olhando para ela. Ela está sempre tão controlada, e tão segura de suas palavras e suas emoções. Eu nunca, nunca a vi perder o controle assim e suas emoções nunca vieram à tona dessa forma, exceto, talvez, quando eu estive em brigas na escola, e quando eu saí da faculdade, mas mesmo assim, nunca tinha sido com esta intensidade, e eu nunca tinha visto uma manifestação de amor como essa;  isto me atordoa.

"Filho, eu pensei que nunca mais iria ver o seu belo rosto de novo,” diz ela, em um sussurro asfixiado, ressurgindo meus medos.

"Estou aqui agora, mãe,” eu digo, com uma voz tensa, tentando confortá-la, acariciando-a de volta distraidamente.

"Querido, eu morri mil mortes hoje, preocupando-me, chorando,” diz ela fungando em um sussurro abafado. Então, minha mãe, doutora Grace Trevelyan-Grey começa soluçando e ofegando sem vergonha. O quê? Wow! Oh! Minha mãe está chorando por mim! Por mim! Por quê? Eu olho para minha mãe, que agora se parece com uma criança que perdeu seu brinquedo favorito, e eu me sinto compelido a consolá-la e a segurá-la no meu abraço.

"Christian, oh baby, eu...” diz ela soluçando, e me segurando apertado e chorando no meu pescoço, sem qualquer restrição, e com alívio completo. Eu não posso dizer nada em resposta, apenas mantê-la apertada e balançá-la de uma forma suave para confortá-la. Devem ter sido os gritos de minha mãe que alertaram meu pai, que sai correndo do escritório de Taylor para a sala, e ele vem correndo para nós dois.

"Oh, meu Deus! Ele está vivo! Merda! Você está em casa!” E com isso ele está segurando a minha mãe e a mim em um abraço de urso, as lágrimas não derramadas acumuladas em seus olhos, e ele tenta impedi-las, em seu alívio.

Incapaz de compreender sua resposta, tudo o que posso dizer é: "Pai?" Questionando seu humor. Por quê? Ele aperta-nos forte, e distraidamente esfrega minhas costas, e eu de alguma forma não recuo diante de seu toque. Mia vem correndo em passos largos e se joga em nós e se junta ao nosso abraço grupal. Finalmente meu pai, incapaz de conter suas lágrimas nos olhos, se afasta, funga, tenta se recompor e enxuga os olhos com as costas das mãos como uma criança, e, finalmente, bate no meu ombro, incapaz de pronunciar uma palavra sem engasgar. Mia e, finalmente, a minha mãe deixam o abraço devagar, e minha mãe recuperando um pouco da sua compostura consegue murmurar um "desculpe, filho."

 "Não, mãe, está tudo bem,” eu digo perplexo com sua explosão emocional.

"Onde você estava, Christian? O que aconteceu com você,  filho,” ela chora, sua cabeça em suas mãos incapaz de conter sua dor mais uma vez.

Eu pisco várias vezes, não acostumado a vê-la com tal sofrimento. Tudo isso é sobre mim?

"Oh, mãe," é tudo o que posso dizer, e eu a puxo para meus braços novamente, beijando seu cabelo. “Eu estou bem, mãe e eu estou aqui agora. É só que levei um inferno de um tempo para voltar de Portland. O que está acontecendo com esta comissão de boas-vindas?” Eu digo e eu olho ao redor da multidão. Meus olhos procuram uma pessoa, e uma pessoa em particular apenas. Eu finalmente a encontro. Meus olhos travam com ela, a visão que eu desejava o dia todo; a visão que tinha sido a minha tábua de salvação. E sua mão está segura e confortada por ninguém menos que o porra do José! Meus olhos estão fixos em suas mãos que encerram as da minha garota. Eu pisco para ele territorialmente, e, instintivamente, ele solta as mãos. Minha boca ainda continua em uma linha apertada. Tive pavor de ver isso o dia todo, de que alguém pudesse estar reconfortando-a na minha ausência. E aqui está este alguém. Os olhos de Anastasia estão vermelhos e inchados, os lábios estão cor de rosa, inchados  com seu choro.

Mas, eu ainda estou confuso com todas essas pessoas na minha casa. O que está acontecendo?

"Eu estou bem mãe. O que há de errado?” Eu pergunto a ela, e ela segura meu rosto com as duas mãos como se faz com uma criança pequena.

"Você esteve perdido todo o dia, filho! Nós soubemos que...” ela pára, tentando se recompor. ”Nós soubemos que o seu plano de vôo, bem, o seu voo nunca chegou a Seattle. Por que não entrou em contato conosco? Qualquer um de nós?” Diz ela perturbada.

"Sinto muito, mãe. Eu nunca pensei que ia demorar tanto tempo para voltar,” eu respondo.

"Tudo bem, mas, você não  pensou de todo em chamar-nos?"

"Não restou nenhuma bateria no meu celular."

"Cristo, filho, você deveria ter parado em algum lugar, e chamar a cobrar, por que você não chamou?"

"É uma longa história mãe. Não tive uma chance,” eu respondo.

"Christian Grey! Nunca mais faça isso comigo de novo! Você me entende? Nunca!” Ela me repreende meio gritando, com tristeza e olhos cheios de  alívio.

"Tudo bem, mãe. Eu não vou,” eu digo, enxugando as lágrimas dela, e dou nela outro abraço. Quando eu solto minha mãe, Mia vem me abraçar, mas não antes que ela dê um tapa no meu peito.

"Seu idiota! Você sabe o quanto você nos preocupou?” ela grita em lágrimas, e me abraça de novo.

"Sinto muito. Estou em casa agora, pelo amor de Deus,” murmuro. Uma vez que eu libero Mia, meu irmão Elliot se aproxima. Meu pai tem Mia debaixo de um braço e ele envolve o outro braço ao redor da minha mãe. Meu irmão, meu irmão macho vem e abraça-me, para minha completa surpresa, e ele dá um forte tapa nas minhas costas com as mãos.

"É tão bom ver você, mano!” Diz ele bruscamente, tentando esconder suas emoções, mas incapaz.

Anastasia está congelada em seu lugar, e Katherine sussurra algo para ela. Eu simplesmente não consigo tirar os olhos dela.

"Mãe, pai,” eu digo com meu olhar fixo em Anastasia: "Eu estou indo dizer ‘Olá’ a minha garota agora,” e eles se afastam concordando com a cabeça  e sorrindo.

Meus olhos fixos nos dela, eu me movo em passos lentos, mas determinados, ainda incapaz de acreditar que a estou vendo novamente. Ela se levanta de sua cadeira, e hesita, e, finalmente, mergulha nos meus braços abertos.

"Christian! Christian! Christian!” ela chora nos meus braços. O alívio finalmente me inunda de tê-la de volta em meus braços, e seu cheiro, sua presença, sua voz despertam todos os meus sentidos. Eu enterro meu rosto em seu cabelo, inalando-a, devorando seu cheiro, e sentindo a vida em mim mais uma vez.

"Calma, baby, eu estou aqui agora,” eu sussurro, e apenas a abraço. Ela finalmente consegue levantar o rosto para olhar para mim, e eu a beijo.


"Oi baby,” eu sussurro em sua boca.

"Oi,” ela murmura de volta com um soluço sufocado.

Tudo o que eu sinto é um imenso amor por ela agora, e eu não quero deixá-la ir.

"Você sentiu minha falta?" Eu pergunto.

"Um pouco,” ela diz me fazendo sorrir.

"Eu posso dizer, você sentiu,” eu digo, e alcançando seu rosto com uma das mãos, eu limpo as lágrimas, e elas caem incessantemente de suas bochechas.

Seu rosto se encolhe em uma expressão triste, e ela começa a engasgar com seus soluços novamente. “Eu realmente pensei...” diz ela quebrando,  “eu pensei..." incapaz de exprimir seus pensamentos, eu a abraço apertado, e a conforto.

"Eu sei baby. Eu posso ver isso. Eu estou aqui agora. Sinto muito. Calma agora, querida. Vou explicar mais tarde,” murmuro em seus lábios, consolando-a, e beijando-a mais uma vez, provando o salgado das suas lágrimas e a tristeza. Eu senti muito a falta dela; eu não quero deixá-la ir.

"Você está bem?” Ela me pergunta, me liberando de seu abraço muito cedo, e toca meus braços, meu peito, minha cintura, para sentir a minha presença, me sinto bem, e eu não sinto nenhuma apreensão com seu toque. Eu ansiava por ele todo o dia, eu desejava isso, e eu poderia tê-lo perdido para sempre. Eu estou firme no meu lugar, e olho para ela sem pestanejar, sentindo o toque dela, deleitando-me com ele. Eu sou dela, e ela é minha. Graças a Deus! Estou de volta para ela, aqui em casa.

"Eu estou bem, baby. Eu não vou a lugar nenhum,” afirmo com firmeza.

"Oh, graças a Deus, Christian!” Diz ela me segurando em um abraço apertado, novamente. “Você está com fome, com sede? Você quer alguma coisa?” Ela pergunta em um único fôlego.

"Sim, estou,” respondo, e ela tenta se virar e conseguir alguma coisa para eu comer, mas eu a puxo firmemente de volta para o meu abraço e, finalmente, a coloco sob meu braço. Eu estendo a mão para seu  'amigo' José.

"Sr. Grey”,  diz ele em um tom uniforme.

Eu faço um som bufando que eu mesmo não reconheço. Após a enxurrada de emoções com que eu fui coberto nos últimos minutos, o meu coração amolece um pouquinho. ”Chame-me Christian, por favor,” eu digo.

"Christian,” diz ele assentindo. “Bem-vindo de volta. Fico feliz que você está OK, homem... e uhm, obrigado por me deixar ficar e dormir em sua casa,” diz ele em agradecimento.

"Não há problema,” eu digo, pensando que não era a minha primeira escolha, mas agora que tudo está bem no meu universo, eu posso lidar com isso. De repente, a Sra. Jones aparece ao meu lado, e ela parece angustiada, seu cabelo está fora de seu coque de costume, e ela está vestindo leggings cinza e um grande pulôver cinza com WSU Cougars impresso. Ela se parece mais com uma estudante universitária do que com minha governanta.

Ela também estava chorando, e enquanto ela enxuga os olhos com um lenço de papel, ela tenta ganhar a compostura e pergunta: "Posso trazer-lhe alguma coisa, Sr. Grey?"

Sra. Jones sempre foi uma funcionária leal, mas eu nunca, nem em um milhão de anos, pensaria que ela estaria preocupada comigo. Eu só posso dar-lhe um sorriso carinhoso, e dizer: "Posso ter uma Budvar, por favor, Gale, e talvez uma coisa para comer."

Anastasia salta para me trazer a comida e a cerveja.

"Não,” eu a puxo de volta. Eu não posso suportar sua ausência do meu lado. Eu ansiei por isto nas  últimas oito horas. Tinha sido uma tortura para mim. “Não vá,” eu digo baixinho e meu abraço a confina ao meu lado.

Tranquilizada, ela levanta os olhos e diz: "Tudo bem,” baixinho.

"Cara, eu estou surpreso que você não quer algo mais forte! Que porra aconteceu com você? Meu pai me chamou e disse que o ‘chopper’ estava faltando, e,” (N.T. Nome popular em inglês para helicóptero)  mas minha mãe corta-o repreende-o.

"Elliot!"

"Helicóptero, não chopper’," eu resmungo, e Elliot sorri para a semântica. Elliot sabe que eu acho ‘chopper’ um apelido horrível para um helicóptero. A maioria dos profissionais da aviação se assustam com o nome. Helicópteros também são conhecidos como aeronaves de asa rotativa, porque as asas ou pás dos helicópteros giram. Somente os leigos não-voadores chamam-nos de ‘choppers’. Seria como chamar um avião de "um pássaro". Elliot sorri como se ele batesse um ‘home run’ (N.T. Baseball - Expressão do beisebol que significa a rebatida que possibilita ao rebatedor marcar um run (ponto equivalente a gol), completando assim o circuito ininterrupto de quatro bases)  com sua atual piada.

"Eu vou te dizer o que aconteceu, vamos apenas todos nos sentar,” eu digo, e puxo Anastasia comigo até o sofá. Minha família inteira, José e Katherine sentam-se, e todos fixam os olhos em mim, esperando ansiosamente para saber. Eu tomo um gole longo da cerveja e coloco-a de volta na mesa do café. Quando eu levanto minha cabeça, noto Taylor entrando no cômodo ansiosamente. A Sra. Jones deve tê-lo informado da minha chegada. Ele parece preocupado, chateado, e aliviado tudo ao mesmo tempo. Eu aceno com a cabeça para ele em reconhecimento, e ele acena com a cabeça de volta.

"Como está sua filha?"

"Ela está bem agora, senhor. Foi um alarme falso.”

"Isso é bom,” eu digo, finalmente, ouvindo outra boa notícia.

"Estou feliz que você está de volta, senhor. Isso é tudo?”

"Precisamos coletar Charlie Tango,” eu respondo.

"Agora ou pela manhã, senhor?"

"Eu acho que de manhã é melhor, Taylor,” eu digo pensando que vai ser difícil localizá-lo agora, e eu não quero ir a nenhum lugar para mostrar o caminho. Preciso ficar ao lado de Anastasia.

"Tudo bem, senhor. Existe alguma coisa que eu possa fazer por você, senhor?” Ele pergunta, e eu, finalmente, balanço a cabeça, e ele me dá um verdadeiro sorriso Jason Taylor, tão raro quanto um unicórnio vivo, e sai para o seu escritório.

A voz insistente do meu pai me puxa de volta para o cômodo.

"Christian, o que aconteceu, filho?” Ele pergunta.

"Bem, eu recebi um telefonema nesta manhã da WSU em Vancouver, para resolver um problema de financiamento. Então, levei Ros comigo, para designá-la como executora dos fundos, dessa forma, se houvesse algum outro problema, ela poderia lidar com isso em meu nome, sem eu ter que viajar,” eu digo, enquanto deixo Anastasia segurar minha mão e acariciar meus dedos. É ótimo ter essa conexão física. Foi algo de que eu tive saudade, mantendo minha cabeça firme ao longo de toda a prova, mantendo-me concentrado e determinado.

"Tendo resolvido a questão do financiamento, Ros me perguntou se eu poderia pegar um pequeno desvio e mostrar-lhe o Monte St. Helens. Então, no caminho de volta eu peguei o desvio, porque eu sabia que a Restrição Temporária de Vôos tinha sido levantada, e eu queria ver como a montanha agora estava. Acho que foi uma sorte fazermos isso, porque estávamos voando muito baixo, na verdade cerca de cem metros acima do nível do solo, e justo quando eu estava voando nas proximidades do Silver Lake, meu painel de instrumentos iluminou-se como uma árvore de Natal, e os alarmes começaram a zumbir. Isto indicou que eu tinha um incêndio no sistema do rotor da cauda, ​​e eu tive que tomar decisões rápidas para pousar o helicóptero. Parte da eletrônica não funcionou devido ao incêndio, e  tive que minimizar o restante do uso da eletrônica, o rádio já estava fora de funcionamento, e quando cheguei perto do chão, tive que desligar tudo, e pousar,” eu digo, deixando de fora todo o calvário que tivemos que passar.

Eles estão todos muito preocupados, e eu não preciso preocupá-los ainda mais com detalhes.

"É claro que eu não ia arriscar fazê-los funcionar outra vez, por causa do perigo de começar outro incêndio como o que tivemos durante o vôo. Os telefones celulares não tinham cobertura, obviamente, porque estávamos longe de qualquer torre de celular. Mas o GPS estava funcionando no Blackberry, o que nos ajudou a encontrar a estrada mais próxima. Demorou cerca de quatro horas para sair para a estrada porque Ros estava de saltos altos até então,” eu digo, lembrando seus saltos muito altos e uma saia lápis, que nos colocou em ritmo de caracol.

"Nenhum de nós tinha qualquer recepção de celular, a bateria do Ros morreu primeiro, e a minha secou no caminho." Eu sinto o corpo de Anastasia tenso com a minha declaração, e a puxo para meu colo para confortar. Eu preciso da sua proximidade de mim, eu preciso senti-la.

"Mas, como então você foi capaz de voltar para Seattle?" Minha mãe me pergunta, também curiosa e talvez agradavelmente surpreendida olhando Anastasia e eu praticamente nos acariciando na frente da família.

"Ros e eu reunimos nossos recursos. Tínhamos juntos cerca de seiscentos dólares e íamos subornar alguém para nos levar de volta para Seattle. Mas um motorista de caminhão parou e concordou em nos levar para casa. Nós lhe oferecemos dinheiro, mas ele recusou e compartilhou sua comida com a gente,” eu digo lembrando a bondade de Len Mattson. Faço uma nota mental para retribuir-lhe na mesma moeda.

"Caminhões andam mais devagar do que carros, e levou a vida toda. Ele não tinha um telefone celular. Estranho, mas é verdade. Eu não imaginei...” Eu digo incapaz de colocar em palavras o imenso amor que a minha família me mostrou.

"O quê? Que nós iríamos nos preocupar com você? Oh, Christian! Estávamos enlouquecendo por sua ausência!” Repreende minha mãe.

"Você estava em todos os noticiários, bro!” Diz Elliot.

"Bem, eu percebi isto muito quando vi o pequeno exército de fotógrafos e repórteres do lado de fora. Eu sinto muito,  mãe, eu deveria ter pedido ao motorista para parar e chamado vocês. Mas, eu estava muito ansioso para estar de volta," eu digo e meu olhar muda automaticamente para José. Eu não queria ele perto da minha namorada.

Minha mãe balança a cabeça como se ela estivesse tentando sacudir suas preocupações para longe, e acrescenta: "Você não sabe como estou feliz que você está de volta inteiro, querido."

Anastasia coloca a cabeça no meu peito me inspirando, tentando sentir a minha presença, me segurando apertado. Eu sinto suas lágrimas caindo sobre meu peito, e seus gritos silenciosos partem meu coração.

"Você diz que os dois motores falharam?" Meu pai pergunta incrédulo.

Muito para uma coincidência. Eu dou de ombros e distraidamente passo a mão pelas costas dela, sentindo a presença de Anastasia e tentando dar conforto a ela. ”Bem, sim, imagine."

Anastasia dá um pequeno soluço, e tenta manter a compostura.

"Shhh..." Eu a acalmo colocando o dedo sob o queixo dela e fazendo-a olhar para mim. ”Pare com o choro, baby,” eu digo baixinho.

Ela enxuga os olhos e o nariz com as costas das mãos, "pare com o seu desaparecimento,” ela funga com os lábios tremendo. Seu amor e carinho me fazem sorrir.

"Falha elétrica, hein? Isso é estranho... As circunstâncias, não acha filho?”  Eu sei que é.

"Sim, é, pai. Passou pela minha cabeça, mas agora, eu não quero pensar nisso. Eu só quero ir para a cama, e pensar sobre toda essa merda amanhã.”

"E a mídia? Eles foram informados de que você foi encontrado e bem?” Pergunta Katherine.

"Sim. Minha assistente Andrea e o meu pessoal PR (N.T. Public Relations) vai lidar com a mídia. Ros ia chamá-la depois que a deixamos em sua casa."

"Ela chamou. Andrea me ligou para me avisar que estava vivo e bem,” diz o meu pai. Eu percebo que eu tenho bons funcionários que respondem bem aos desafios.

"Eu tenho que dar a essa mulher um aumento. É muito tarde, e ela está trabalhando,” eu digo.

"Bem, esta é a nossa deixa, senhoras e senhores. Meu querido irmão precisa de seu sono de beleza,” diz Elliot balançando suas sobrancelhas. Eu faço careta para ele.

"Cary, uma vez que meu filho está em segurança em casa, você pode me levar para casa, querido,” diz a minha mãe em um tom suave, adorador.

"Sim, querida. Eu acho que todos nós poderíamos ter um pouco de sono,” diz o meu pai.

"Fiquem, por favor,” eu lhes ofereço.

"Não, querido, eu quero ir para casa. Agora que eu sei que você está a salvo, eu posso respirar facilmente,” ela diz amorosa. Contra a vontade, eu passo Anastasia para o sofá para que eu possa dar um abraço de adeus à minha mãe. Ela me abraça apertado, coloca a cabeça no meu peito inalando, sentindo a minha presença e me mostrando sua efusão de amor. Eu me sinto completamente satisfeito.

"Você não tem idéia de como eu estava preocupada, querido,” ela sussurra.

Eu pisco, e a abraço apertado. ”Estou bem, mãe."

Ela se afasta enquanto eu estou segurando-a, e, finalmente, sentindo-se segura de que eu realmente estou aqui, e que ela está nos meus braços, ela balança a cabeça concordando: "Sim, eu acredito que você está, meu filho,” diz ela, e eu acho que ela se sente feliz porque eu tenho alguém para me abraçar e amar em casa, enquanto ela olha para Anastasia. Anastasia cora profusamente.

À medida que levamos mamãe e papai para o saguão, a minha irmã Mia chama atrás deles.

"Mãe, pai, eu estou indo, esperem por mim!" Ela soa petulante.

Katherine Kavanagh abraça Anastasia em seu caminho para a saída e sussurra para lá e para cá com Anastasia. Elliot chama a namorada do elevador. ”Vamos, baby, vamos embora,” ele a persuade.

"Vamos conversar amanhã, Ana, eu sei que você está exausta,” diz ela a Anastasia.

"Claro. Tenho certeza que você está exausta também. Você percorreu um longo caminho hoje.”

Elas se abraçam mais uma vez, e Ethan aperta minha mão e abraça Anastasia, para o meu desgosto.  José está esperando no saguão. ”Olha, pessoal, eu vou entrar e deixar vocês,” diz ele. Anastasia cora com sua observação.

"Você sabe onde você vai ficar?" Pergunto a ele, ele acena com a cabeça em resposta.

"Sim, sua governanta...” diz ele, mas Anastasia o interrompe.

"O nome dela é Sra. Jones".

"Desculpe, a Sra. Jones me mostrou o quarto mais cedo. Você tem um grande lugar aqui, Christian,” diz ele.
"Obrigado, José," eu digo, e abraço os ombros de Anastasia e inclino-me para beijar o cabelo dela.

"Estou morrendo de fome. Vou comer o que a Sra. Jones arrumou para mim. Boa noite, José," eu digo, deixando Anastasia e José de pé no saguão. Quero mostrar a Anastasia que eu confio nela, embora seja  difícil de fazer,  quando eu conheço muito bem o cara que está de cabeça virada pela minha namorada.

Eu vou para a mesa do café-da-manhã, e, mesmo sem prestar atenção ao que eu estou comendo, eu devoro o conteúdo do meu prato. Tudo o que eu quero fazer hoje é me perder na minha namorada. Quando Anastasia caminha de volta para o local, eu tenho uma imensa saudade no meu coração, um sentimento de que eu não posso viver sem ela, que ela é minha razão de viver. Nós só olhamos um para o outro sem palavras por um tempo, bebendo dentro um do outro.

"Ele ainda tem uma queda por você,” murmuro.

Ela me dá um pequeno sorriso, e pergunta: "E como você sabe disso, Sr. Grey?"

"Eu sofro da mesma aflição, Srta. Steele. Eu reconheço os sintomas,” eu respondo. Chama-se estar apaixonado.

"Eu pensei que nunca iria vê-lo novamente, Christian,” diz ela em um sussurro, completamente triste. De repente eu quero confortá-la, e manter a preocupação longe dela. ”Não foi tão ruim quanto parece,” me vejo dizendo. Ela pega a minha jaqueta, sapatos e meias do chão e move-se em direção a mim.

Alcanço o meu casaco, e digo: "Vou levar esse, baby." Finalmente, estamos sozinhos. Estou com Anastasia, que tem sido minha tábua de salvação em todo o calvário. Ela me deu esperança, ela me deu a vida, deu-me a luta, ela me deu motivo para querer voltar para casa esta noite. Eu não posso suportar os meros centímetros entre nós, e fecho a distância restante e a seguro em meus braços.

"Oh, Christian!” Diz ela ofegando e soluçando. As lágrimas rolam em um aguaceiro pesado no meu peito.

"Shhh, baby,” eu a acalmo, beijando seu cabelo. “Você sabia que, nos poucos segundos de puro terror antes do pouso, todos os meus pensamentos eram seus? Você me manteve ligado à vida, você é meu talismã, você é meu anjo, Ana ,” eu digo. É isso. Todos os meus medos exorcizados diante dela.

Ela soluça um pouco mais no meu peito, me segurando apertado. ”Eu realmente pensei que tivesse perdido você, Christian,” diz ela em um tom agonizante. Enquanto ela me prende mais apertado, ela solta no chão meus sapatos, que ela está segurando, e ficamos ali na bolha do nosso abraço. Nada existe no mundo, apenas a nossa ligação agora.

"Venha tomar banho comigo,” murmuro puxando sua mão. Eu preciso senti-la. Toda ela! Preciso ter uma experiência de afirmação da vida, e só ela pode dar para mim!

"Ok,” ela responde olhando para mim, com o rosto lavado e corado com lágrimas, seus olhos estão vermelhos de tanto chorar. Eu chego até ela, e levanto  seu queixo para cima com os dedos.

"Ana Steele, mesmo com o rosto lavado, você é a mulher mais bonita,” eu digo e me inclino e a beijo. ”E os seus lábios são suaves,” e a beijo novamente, aprofundando o beijo, e ela se dá para o beijo, e funde-se comigo.

"Eu preciso guardar minha jaqueta” murmuro contra seus lábios.

"Esqueça isso,” ela sussurra em minha boca.

"Eu não posso, baby,” eu digo lembrando seu pequeno presente que era o meu único laço com ela, a minha única ligação que me manteve alerta. Anastasia se inclina para trás intrigada.

Eu pego a pequena caixa que ela me deu, e a mostro para ela, "Esta é a razão,” eu digo. Eu estou esperando que ela me deixe abrir. São 00:03 h. Tecnicamente é sábado.

"Abra-a, agora," ela sussurra. 



"Graças a Deus! Eu estava esperando que você dissesse isso. Esta pequena caixa estava me deixando louco,” eu digo, e ela sorri em resposta.

Meu coração está batendo, agora que eu vou ser capaz de ver o segredo que esta caixa está guardando. Eu desamarro a corda, e desembrulho o pequeno invólucro marrom. Ele abriga um pequeno chaveiro de plástico retangular. Eu o seguro na minha mão, confuso com o significado. Tem uma imagem do horizonte de Seattle como uma tela de LED. Está focado no Space Needle, (N.T. é uma torre de 184 metros, edificada em Seattle) e a palavra SEATTLE está escrita em letras grandes, acendendo e apagando.

O que significa isso?

Chave da casa? Chave para o meu coração? A chave para o coração dela? Que ela vai mudar prá cá?

O que é isso? Eu olho para o chaveiro, e então eu olho para ela completamente confuso, questionando.

"Basta virá-lo, Christian,” sussurra, sem fôlego.

Quando eu o viro, meu coração dá uma guinada e para, e meus olhos se arregalam. Eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida! Nada que eu já recebi me fez tão feliz quanto este pequeno chaveiro barato, mas agora de valor inestimável, segurando a chave para a minha felicidade. Meus lábios se abrem em descrença, porque eu não tenho palavras.

A palavra, Yes, pisca na parte de trás do chaveiro.



"Feliz aniversário, Christian,” ela sussurra. E isso é foda! 

Start of Something Good - Daughtry


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Nota da Emine Fougner
(Este capítulo vai para a minha menininha  Rayah que completou 7!)
(N.T.  Este capítulo foi publicado em 2012, 15 de setembro, portanto Rayah vai completar 8 anos em setembro deste ano. Que linda ela é!)




PS da Emine Fougner:

Para escrever um relato preciso, eu tive que ler um monte de manuais de EC135 para escrever as primeiras 8 páginas e, infelizmente, a maior parte deles era em alemão ou polonês. Meu polonês é quase inexistente e o alemão era muito técnico, mas acho que eu consegui escrevê-lo tão próximo quanto possível da realidade. Se você encontrar qualquer inexatidão me informe, eu vou retificá-la. 

30 comments:

Gizele Santos said...

Me lembro que quando estava lendo essa parte do acidente na versão de Anastasia, pensava que Grey tivesse morrido! Mais nessa versão dele é sensacional! Parabéns!

Jordana Sirlaide said...

Fiquei impressionada com as habilidades de pilotagem do Sr. Grey. Fiquei bem tensa com o acidente, mas ri demais com a Ross e seus saltos deixando o Christian louco (rsrs). E me emocionei com ele descobrindo o quanto é amado por todos. E a Elena hein?! Já era hora da sua máscara cair. Virei fã da Grace (rsrs). Ela botou a megera pra correr e ainda mostrou que quem manda é ela e Christian que obedeça (rsrs). Sem contar que amei o momento do SIM tão aguardado... enfim, Emine, amei tudo mais uma vez. Cada dia mais apaixonada por essa belíssima história de amor.
E Neusa arrasando na tradução como sempre!! Parabéns, vocês duas são demais!!!

Beijos

Jordana Sirlaide said...

Ah, esqueci de dizer que sua filha é linda, Emine! Uma princesinha =D

xx

Isabella Vargas said...

Meu DEUS. Ufa, Ufa, Ufa... Estou engasgada com este capítulo. Parabéns mais uma vez. Eu só não enfartei na queda pq eu sabia que ele voltaria. Emine parabéns também pela linda menina.

Michele Dominato said...

parei tudo o que estava fazendo pra ler!!!!!!! kkkkkk....Amei!!! Parabéns meninas!!!!!

Michele Dominato said...

parei tudo o que estava fazendo pra ler!!!!!!! kkkkkk....Amei!!! Parabéns meninas!!!!!

Neusa Reis said...

Oi meninas, também achei que a Emine arrasou neste capítulo, mil vezes melhor que na visão da Anastasia. Mas Christian mostrou sua capacidade de pilotagem, sua inteligência de saber o que fazer na emergência e o pensamento focado no seu objetivo: voltar para casa e para Anastasia. E a Ros no seu desespero para salvar seus sapatos, e a conversa dela com o Len sobre as gays da Bíblia, foi excelente. E para coroar, o encontro de Christian com Grace, onde ele pode 'ver' o Amor de sua mãe e de sua família, foi de matar de chorar, o que eu fiz, como faço sempre. E desculpem a demora mas quase tive que fazer um curso de piloto de helicópteros em emergências para poder entender todas aquelas nuances da descida. E parabéns prá Emine porque acho que para escrever isto tudo, ela sim fêz o curso. Beijos

Leda Carneiro said...

Só o Christian mesmo para achar que não iam sentir falta dele. E a angustia dele para retornar para Anastasia... foi lindo... o amor dele por ela, derrete corações.Adoro isso!! Deve ter sido bem difícil tanto para Emine escrever este capítulo quanto para vc Neusa tradizir. Parabens a vocês. BJS

Pao said...

PRECIOSO EL CAPÍTULO, lindo nunca pensé que fuera tan grave lo que le ocurrió.
Hermosa tu niña Eminé, una princesa.
Deberíamos siempre encontrar personas tan amables con Len.
Gracias una vez por un excelente capítulo.
Neusa muy buena tu traducción partes tan complicadas relacionadas con el helicóptero quedaron claras

anne caroline godoi said...

PERFEITO....
Sem mais palavras...

Anonymous said...

Muito legal esse capítulo, e o tão esperado Siiimmmmm.....
Parabéns a Emine pela história e a Neusa pela belíssima tradução. Vocês sabem o nome do ator que ilustra as fotos? Ele é lindo....

Luxo da Lix said...

Que espetáculo! Estou amando até. Espera pelo próximo capitulo!

direito2009 said...

Descobri o blog na semana passada e já li o 1º livro e hj li esse capitulo e, sinceramente, está sensacionaaaaal! qual a previsao pro proximo capitulo?? curiosaa demais! PERFEITOOOOOOOO!

Neusa Reis said...

Anonymus, o ator chama-se Kivanc Tatlitug. Aqui no Blog tem um resumo da vida dele em atores cotados para fazer C Grey. Ele nasceu em 1983 e mede 1, 90m. Eu o acho loucamente lindo.

Penha Storani said...

Querida Neuza, como sempre mais um capítulo divino. Ansiosa pelo próximo, vocês são demais, nem com mil palavras poderia expressar minha gratidão e felicidade que estou sentindo quando leio esses capítulos maravilhosos. Obrigada!!!!! Beijos no seu coração e no da Eminne.

Olidelgi said...

Parabéns Emine e Neuza,
O capítulo está lindo. Aguardando ansiosamente o próximo.
Bj
Olidelgi

Tati said...

Amei esse capitulo!!! como sempre Neusa e Emine Parabéns pelo trabalho!!!

Rozeli said...

Os dois últimos capítulos, me deixaram sem fôlego, são intensos. Mesmo sabendo que tudo ia dar certo, que medo passamos com Christian e Ros.
Lindo ver o amor de Grace por seu filho e principalmente ver Christian reconhecer e aceitar esse amor!
Obrigada meninas!
Ah! Émine sua filha é linda, uma princesinha.

Pattystevam said...

Capitulo intenso..Grey e suas habilidades de pilotos..a parte de Ros em seu desespero kkk mto engraçado fora a parte dela usando os sapatos de Grey kkkkk.. o encontro de Grey com sua familia emocionante...bom sem o que dizer desse capitulo emocionante adorei..parabens Neusa por sua tradução belissima..e Eminé em dobro por escrever esse capitulo divino e por sua filha linda bjs e que venham proximos capitulos...

Alessandra said...

Encontrei o blog ontem, quer dizer, quinta-feira e mergulhei de cabeça...
E, querem saber de duas coisas?
1- Emine, esse Grey é mais interessante do que o original! Você arrebenta!
2- Neusa, que trabalho sensacional! Você também arrebenta!
Agora entro em um profundo estado de depressão até que venham os próximo capítulos. (rs)
Saudações!

Janiara Hernandez da Rosa said...

Parabens Neusa, todos capitulos maravilhosos, me apaixonei pela trilogia na visao de Anastasia, mas a versão de Grey é enlouqumecedora, estou anciosa por mais capitulos!

Janiara Hernandez da Rosa said...
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Cute Dream´s said...

Lindo! Continue!!! Isso alegra meus dias.

Tais Castro said...

Olá meninas estou um pouco atrasada na leitura porque tive alguns imprevistos, mais como eu amo esse livro é um capítulo melhor que o outro,gostei muito da Ross é muito engraçada e que lindo quando ele chega em casa e, como ele se surpreende por ser tão amado e por ainda haver gente de bem no mundo como o Len, sem interesse em seu dinheiro,obrigado por mais este capítulo,vocês são demais!!!

Viviane moreira lage said...

eu morri mil vezes!!!!choro e risos, risos e choro, choro e choro, obrigada Emine e Neuza. Esse capitulo foi em homenagem a uma linda menininha, quem é? para mim esse capitulo representa esperança, e hoje neste mundo nada representa esperança melhor do que uma criança.obrigada!!!

Daniela Martins said...

Boa noite, meninas!
Oi, Emine!
Se eu ja havia sofrido lendo esta parte no livro original, digo que lendo o POV de Christian eu me desmanchei em lagrimas!
Chorei por ver a agonia de CG ao pensar que nao retornaria a sua casa. Chorei de felicidades por ele começar a admitir que sua familia o ama, de permitir ser abraçado e amado por eles.
Você nos apresentou isto aqui de uma maneira maravilhosa, Emine! Simplesmente perfeita!
Parabens!
Bjkas
Dani
;-)

Rose Camara said...

WOW! Adoro o cuidado com detalhes que a Emine tem. ELA.É.OTIMA.
Esse capitulo foi demais pro meu coraçãozinho. Ri alto a beça com a Ros, nunca pensei que ela fosse tão divertida. Chorei com a bondade do caminhoneiro Len. (acho bom o Grey ser bem generoso com ele).
Chorei,ri e chorei de novo com o turbilhão de sentimento da familia Grey, do cabeção do Grey que não conseguia se tocar do quanto é amado e da linda Anastasia. resumindo um milhao de coraçõezinhos e parabéns Emine e Neusa.

Simoni said...

Parabéns...emine você e ótima...cada capítulo e emocionante...podemos conhecer outros personagens...e Neuza seu trabalho e sensacional...

Kris Souza said...

nossa, eu CHOREI, CHOREI E CHOREI... foi tenso quando ele caiu e lindo quando ele voltou, pura emoção, minha bile veio na boca em vários trechos. sorri, bati palmas, estralei dedos de puro nervoso, roí as unhas e chorei de novo.... foi fantástico, e eu quero deixar meuS milhões de OBRIGADA a ÉMINE e NEUSA, por tanta dedicação, talento, carinho, atenção, dedicação(...) dedicada a este capítulo para nossa alegria, Deus as abençoe com muito MAIS. meu coração ainda ta saltando fora do peito, obrigada!
beijos.
kris souza

Priscila Pessotto said...

Olá girls!
Você que está começando a ler o blog agora ou que já é leitora, agora a Série Pella disponível aqui no blog foi publicada em livro – ECOS NA ETERNIDADE- e em português.
A Emine Fougner colocou a versão em português do Ecos na Eternidade na Amazon, apenas esta semana, por apenas R$ 3,94. Corram para aproveitar o preço porque na próxima semana voltará ao preço normal.
É só acessar a pagina da amazon: www.amazon.com.br.
Vamos aproveitar!
Beijos,
Pry